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20110620

[tema do mês] MODA ITALIANA HOJE

Preciso divulgar essa marca que eu acabei de descobrir. Além de ter roupas coloridas e divertidas - coisa rara por essa terra muito elegante e trendy - o site realmente vale uma olhada.

AMEI!

http://www.rossellacarrara.com/

20110617

[tema do mês] uma família chamada MISSONI



Não sou muito ligada em moda. Não sei dizer a diferença entre Chanel, Gucci, Prada e Versace. Digamos que a minha cabeça não funciona muito bem nesse sentido; tenho que ver e provar para dizer se gosto ou não do estilista... 

Mas um deles em particular me chama a atenção, não pelos modelos, mas sim pelas cores. Amo cores (e sei que já ressaltei isso algumas vezes no blog), e amo motivos geométricos, módulos, etc. Não importa se é inverno, verão, primavera ou outono, a Missoni sempre traz um pouco mais de vida para as passarelas.

Mas o que você sabe dessa marca mesmo?



Posso dizer que o nome nos remete à inovação estética, à invenção de novas técnicas. A marca, uma das mais famosas e trendy do momento, começou a sua história no pós-guerra e aos poucos foi ganhando afirmação.
Através do ramo das malhas, a Missoni revolucionou a moda com um estilo inconfundível através das cores vibrantes, transformando a tecelagem em arte aplicada.

O bonito de tudo é que a história da família tem todos os preceitos de um conto de fadas: o mocinho, um esportista muito famoso; e a mocinha, volta mais à arte e à moda.
Tudo aconteceu a partir de 1948, quando Ottavio Missoni que estava em Londres para participar das Olimpíadas, campeão italiano absoluto dos 400 metros, conheceu Rosita Jelmini.

o casal


Cinco anos depois, os dois se casaram e fundaram a empresa, no início instalada no porão de casa. Com a família aumentando aos poucos e a malharia conquistando seus primeiros clientes, em 1958 a Missoni teve pela primeira vez os seus modelos expostos na vetrine da Rinascente, loja multimarcas, na praça do Duomo em Milão.

Em 1965, eles começaram a ter as suas criações reportadas nos jornais, mas foi após um desfile em Milão que conseguiram encantar a todos, mostrando uma nova perspectiva sobre a malha. 

Dois anos mais tarde, uma situação inusitada os fez serem reconhecidos em Paris e Estados Unidos, mas quase que ignorados em Firenze: sem querer querendo*, lançaram o nude look um ano antes de Yves Saint Laurent. Só que esse foi incompreendido já que foi apresentado para uma sociedade até então muito careta e católica. 
* antes de começar o desfile no Palazzo Pitti, Rosita se deu conta que a roupa íntima não combinava com a roupa, e então fez as modelos tirarem o sutiã antes de entrar na passarela. Acontece que, como todo mundo sabe hoje, com os flashs das máquinas fotográficas, os tecidos tendem a ficar transparentes. Ok, você pode pensar que faz parte, afinal é desfile, é moda, é conceitual. Isso você diz em 2011. Mas em 1967 num país católico extremista, isso foi considerado quase um atentado e ainda mais por ser dentro do Pitti, um desrespeito!!
Mas tudo bem, a carreira internacional ia de vento em popa. Os seus vestidos começaram a serem vendidos nos Estados Unidos, o estilo ganhou o nome de put-together, fazendo referência às várias estampas misturadas, que juntamente com o patchwork, e o riscado em preto e branco ou arco-íris. Características essas que resumem até hoje a marca.



desfile verão 2012


desfile verão 2012

desfile verão 2012

desfile verão 2012
amei todos os modelitos!!!


Dos anos 70 em diante, a Missoni começou a levar o seu colorido estampado para dentro de casa, aplicando a 'moda mais bonita do mundo' em tecidos de poltronas, sofás, cortinas, lençóis, etc. Enquanto isso, Ottavio que passou de atleta olímpico a inspirador no mundo da moda, criava também jóias e acessórios, sendo eleito um dos 10 homens mais elegantes do mundo. Te mete!



e não é que as Havaianas resolveram entrar nesse colorido?

Missoni Home

Missoni Home. aceito como presente de aniversário!

Missoni Home. eu quero...




O mais bonito ainda é que a família permaneceu sempre unida. Desde 1996 os três filhos do casal passaram a gestir o negócio dos pais, mantendo-se fiéis ao estilo inconfundível. E além deles, os 9 netos também participam das atividades, mantendo a tradição.

[tema do mês] next one!

Prepare-se, amanha é dia de falar da moda italiana no pos-guerra.

20110614

[tema do mês] VESPA ou LAMBRETTA?

Muito bem, voltamos ao periodo pós-guerra na Itália para entender por quê tem tanta motorino no país da bota. 

É importante ter claro em mente alguns aspectos:
* Economia, país, empresas, cidades arrasadas;
* Duas fábricas de material metalúrgico - Innocenti, que fazia ferramentas e Piaggio, aeronáutica - com a visão de que precisam retomar a produção e vêem na scooter dos aliados americanos, uma nova forma de locomoção rápida, prática e barata.
* Pai da Lambretta: engenheiro Torre, que a criou em 1944.
* Pai da Vespa: engenheiro Corradino D'Ascanio em 1946.


ou





Essa era a questão no final da década de 40 e início dos anos 50. 

A Lambretta custava um pouco mais do que a Vespa porque tecnicamente era mais sofisticada em termos técnicos e mais estável que a rival, mais bonita esteticamente. Porém enquanto a primeira era mais apreciada pelos apaixonados das duas rodas, a segunda era a queridinha do público geral e digamos que o fator financeiro talvez era um dos mais importantes num momento de retomada econômica.

Vespa

Lambretta


Por praticamente 20 anos elas dominaram o mercado de meios de transporte. A derradeira decadência veio com o lançamente de ninguém mais, ninguém menos que a tão italiana FIAT 500.


a FIAT 500, que desbancou  a moda Lambretta e Vespa. Levar a familia
a passeio ficou mais barato.

Em 1971 a Lambretta parou de ser produzida, enquanto que a Vespa, contando com a ajuda, diria substancial, da FIAT à fabricante Piaggio, conseguiu superar a crise dos anos 70 propondo sempre modelos atualizados.

série 2011 - Vespa

Mas o bonito é que ainda se vê na roda de discussões a questão: VESPA ou LAMBRETTA? Os jovens hoje em dia estão voltando para o design vintage e acabam fazendo coro com os saudosos usuários dessas duas rodas.

Audrey Hepburn e Gregory Peck em Vacanze Romane.

Audrey Hepburn com a Vespa

Jude Law no filme Alfie

filme Quadrophenia e a Lambretta.


20110612

[tema do mês] PLASTICO again

Uma das surpresas no pesquisar o MADE IN ITALY do pós guerra, é que descobri uma empresa com um nome que eu diria muito alemão ser de origem italiana.

Estou falando da

repararam que a cor da letra é vermelha como a da Nutella?



Fundada em 1949 na província de Milão pelo engenheiro químico Giulio Castelli, a empresa começou fazendo produtos plásticos para carros e acessórios domésticos.

O sucesso que começou a chegar na década de 60 se consolidou em 1972 a nível internacional, com a participação na mostra realizada no Moma, dedicada ao design MADE IN ITALY. A mesma que já mencionei no post anterior sobre o plástico.

As peças criadas por Gae Aulenti, Ettore Sottsass e Marco Zanuso passaram a fazer parte do acervo permanente do museu.

Nos anos 90 a marca deu uma renovada, voltando com nomes de peso e conhecidos mundialmente. É o caso de Antonio Citterio, Ron Arad, Vico Magistretti, Philippe Starck, Piero Lissoni, entre outros.

Acho que nem preciso falar que, com o design inusitado, muitos produtos da Kartell ganharam o prêmio Compasso d'Oro.

Utilizando tecnologia tradicionalmente usada em outros setores industriais, a sacada foi levar o material plástico para dentro de casa como móveis. Até hoje são totalmente feitos em solo italiano mas o maior mercado são os Estados Unidos.

Mas vamos para a parte boa, as peças famosas com a marca Kartell!


Bookworm, uma estante um tanto curva. by Ron Arad
a cadeira Ghost... até dá para entender o porquê do nome.
Philippe Starck.

Eros, uma publicidade instigante... by Philippe Starck 2001

La Marie, um dos ícones. by Philippe Starck

Mademoiselle, AMO essa cadeira! sempre ele, Philippe Starck.

Maui, de Vico Magistretti. 1995 



20110607

[tema do mês] DATILOGRAFANDO

Muito bem, e cá estamos com o design do dia conforme o tema do mês

Sim, hoje posso dizer que estou produtiva. Não sei bem o porquê, mas alguns dias eu simplesmente não consigo concluir um pensamento inteiro, em outros, o dia rende como 3 ou 4. Já passei as 8h de trabalho, já fiz 2 posts, um deles no novo blog que mencionei em algum lugar, já cozinhei uma torta salgada que nesse momento está no forno e em 20 minutos terei o enorme prazer em comê-la :D

Voltando ao assunto original, 
por acaso algum de vocês já DATILOGRAFOU em alguma máquina de escrever? 

Digo em uma daquelas com as teclas que afundavam o mundo inteiro, com o "martelo" que imprimia graças à tinta preta (ou vermelha) que tinha na fita. Aquela que ainda não tinha a fita corretora, e para a pagar tinha que usar o lápis-borracha! E depois, que para passar para a próxima linha você tinha que girar o rolo?? Então, paramos nesse modelo hoje, nada de correr para a máquina de escrever elétrica!

Começamos pela história da empresa, que se iniciou em 1908 pelo engenheiro socialista e progressista Camilo Olivetti. Conforme ele, Ing. Olivetti & Co - a primeira fábrica nacional de máquinas de escrever. Ele e posteriormente o seu filho Adriano, conseguiram unir os modelos de organização e inovação aprendidos nas suas viagens aos Estados Unidos com a invenção e a criatividade da equipe de trabalho, fugindo assim do modelo tradicional e autoritário do capitalismo italiano.

modelo portátil Lettera 22, desenhada por Marcello Nizzoli em 1950
e hoje exposta no MoMA em NY.


modelo portátil Valentine, de 1969, desenhada por ninguém menos que Ettore Sottsass
também exposta no MoMA e ali conhecida como a "vermelha portátil".


Dos modelos famosos ao primeiro computador! Sim, ele foi feito por uma empresa italiana e lançada nos EUA em 1965.

Programma 101, o primeiro PC feito na História
e apresentado em 1965 nos EUA.

um dos primeiros notebooks, e um dos mais portáteis entre eles. 1983, M10.


Com ideais nos valores espirituais, científicos, artísticos e culturais, a empresa seguiu motivada nos anos 60 tornando-a uma das primeiras fábricas multinacionais na produção de máquina de escrever, juntando a funcionalidade com o design.

Estes são vistos até hoje no legado que a empresa deixou, tanto na região como principalmente na cidade de Ivrea, onde foi fundada. Residências para os funcionários, prédios, escritórios de qualidade arquitetonicamente falando, casas subterrâneas para receber os técnicos e todos os colaboradores externos, centros esportivos, férias organizadas, fizeram parte do desenvolvimento social Olivetti, antes mesmo de pensar que era uma fábrica.