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20120326

mude o seu ponto de vista.

Vale a pena ver o video abaixo...
Se trata de uma das cinco suítes de um Hotel em Marselha, França, que a cada ano passa por uma reforma. Sempre buscando algo de inovativo, a criativadade vai ao extremo.

E dessa vez, o Graffiti que se vê na rua acabou indo para dentro do hotel. Tudo foi pensado nos mínimos detalhes, inclusive a metade branca. Afinal o contraste é visto só quando temos o oposto ao lado.




Achei meigo os dois quadros na parte branca! E você, o que achou?















os autores






Ficha técnica:
PANIC ROOM
onde: L'Au Vieux Panier Hotel, Marseille, France
arte: Big Addict  Tober Grizz e Don Cho
fotos e matéria: Tilt

20111002

Buscando a primavera brasileira


Muito bem, depois de um tempo de ausência, eis que temos um novo post. "Novo" é modo de dizer já que na verdade eu vou traduzir uma publicaça;a muito bacana sobre o nosso mestre Oscar Niemeyer. 

'E muito legal ver que a Arquitetura Brasileira é reconhecida mundialmente através do nome dele. Quem entende um pouco do assunto, e aqui quase todos entendem muito de Arquitetura, Artes, Design, etc, conecta logo o Niemeyer quando eu falo que sou arquiteta brasileira. 

A constância não é o meu forte, e isso se percebe no histórico do blog. Talvez porque eu estava tentando aproveitar os dias já não tão longos aqui na Itália, começou a anoitecer as 19h, enquanto que apenas um mês atrás o sol raiava até as 21.30 da noite... Triste pensar que em setembro aqui não tem os pássaros e as flores me esperando, mas de qualquer maneira as folhas secas no chão também tem o seu charme. 

Mas vamos ao que interessa:

Logo que eu vi o título do post no blog pensei: PRECISO REPASSAR!!! O texto é longo mas vale a pena :) Se trata da reprodução de uma entrevista dada em 2005 para Gerard Fournier.
Mandei logo um e-mail para o Yul Akors, que administra esse blog sobre arquitetura e urbanismo muito bacana:

http://laboratoireurbanismeinsurrectionnel.blogspot.com/

Foi publicado em 25 de setembro de 2011:

Arquitetura e política: OSCAR NIEMEYER





É muito difícil para os arquitetos conciliar a prática profissional em uma sociedade capitalista com o compromisso político do comunismo. Oscar Niemeyer, arquiteto e comunista, acaba confessando em uma entrevista recente uma certa mea culpa sobre a sua óbvia contradição:
Eu me sinto deprimido com o projeto apresentado. Eu construí edifícios públicos para o Estado, eu trabalhei sempre para os ricos. Nada mais. Eu nunca trabalhei para as classes desfavorecidas, quando a maioria dos meus conacionais fazem parte delas.
 Oscar Niemeyer faz parte da alta burguesia do Rio de Janeiro: uma das avenidas mais bonitas da cidade tem o nome do seu avô, rico fazendeiro e então Ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil. Pode nos parecer normal que o filho de uma família próspera, esclarecido e progressista, acabe trabalhando com um dos maiores arquitetos do século XX: Le Corbusier. Em seguida, abriu o seu próprio escritório, sendo requisitado para as obras do governo mesmo tendo declarado em alto e bom som o seu ingresso no Partido Comunista. Na entrevista, Niemeyer, nascido em 1907, conta um pouco da sua longa trajetória.

Brasília, pode ser considerado por você a realização da cidade ideal, um modelo de sociedade?

A idéia de Brasília partiu do então Presidente Juscelino Kubitschek, politicamente um homem de Centro. Eu, então progressista. Me filiei ao Partido Comunista em 1945, mas durante a construção da Capital, éramos conscientes da vida brasileira e acreditávamos que seria uma boa cidade. Mas no momento que a obra terminou, eu levei um choque: era uma cidade moderna, muito bonita, bem contruída, mas como todas as cidades brasileiras, ela continuava com a discriminação, com a injustiça, com a segregação entre ricos e pobres. Estes últimos, como nos grandes centros urbanos, ficaram fora da cidade que eles próprios construíram. 

Catedral de Brasília



Como isso foi possível?
Eu era responsável pela Arquitetura, apenas pela Arquitetura. Mas quando eu penso nas cidades, tento imaginá-las para todos os tipos de pessoa. O desenvolvimento industrial se afastou do centro urbano, e juntamente com a indústria, os seus operários. A cidade, para ser digna, deve reunir todas as atividades, todas as pessoas; Poderia ser realizável, desde que se trate os problemas das suas próprias bases. Até aqui é simples: que todas as indústrias não sejam poluentes. Mas um projeto como esse afeta o fundamento principal da sociedade capitalista. E sozinho o arquiteto não tem poder para alterá-lo. Ao menos ele pode se opor ao conceito das 'cidades-operárias', dos 'bairros e casas populares'. Os trabalhadores não necessitam dessa atenção. É necessário mudar a sociedade mas atualmente os projetos arquitetônicos são feitos para a sociedade, refletindo a si própria.
Esta dificuldade causa desconforto entre o militante de esquerda e a sua arte?
O Arquiteto não é um homem solitário. O importante é que se trata da vida, e você deve se sentir satisfeito. A literatura, a beleza, tudo faz parte da vida. E a arquitetura é como todo o mundo: ela quer ajudar e facilitar a todos, neste mundo, nesta realidade cada vez mais veloz.  
Lição de arquitetura e um símbolo
Um olhar para uma cidade diferente, sim, e mais bonita, mais fraterna, sem discriminação ou monotonia. Logo, acho que o estudo da arquitetura deveria se livrar das disciplinas que acarretam na 'engenharização das coisas' e ser melhor colocada no mundo em que vivemos. Nós temos que ir além e olhar para outras perspectivas. Melhorar também os barracos nas favelas. Como diria Pessoa: 'eu não leio literatura, sei tudo'.
 A arquitetura selvagem, individual e remendada que surgiu nos Estados Unidos, por exemplo, representa a vontade de fugir da funcionalidade? É simplesmente para escapar da monotonia repetitiva. Mas este é um caminho falso. Existe muito material a disposição, para estudarmos e entendermos, para construir obras como as antigas Igrejas,  encontrando o sentimento que Freud chamou de "oceânico".

Monumento JK. Brasília


Você acredita que o seu trabalho corresponde ao seu ideal como ativista político?
Não. Tudo o que eu faço é criar emoções. Mas o arquiteto não está sozinho, nem fica calado. Ele deve levantar a voz para denunciar o que ele condena, não se tornando cúmplice. Assim como o trabalho de Gorki ou de Garcia Marquez engajados politicamente. E também tem a parte de Proust, é isso e aquilo, indissoluvelmente.

O golpe militar obrigou Niemeyer ao exílio, passado na França, onde foi amigavelmente acolhido pelo Ministro Andre Malraux e seus companheiros comunistas franceses. Ele realiza então a sede do Partido Comunista Francês (PCF) e a Praça dedicada ao Coronel Fabien. Para financiar o então ousado projeto de avanguarda para a Sala Central do Comitê, conhecida como 'bolha', Niemeyer recusou os seus honorários.

A 'bolha' do Partido Comunista Francês


Oscar Niemeyer retornou ao Brasil somente em 1980 e sendo sempre fiel ao comunismo. E como tal ele se coloca ao lado da Revolução Cubana de Fidel Castro e da Perestroika de Gorbachev.


O seu compromisso com o comunismo ainda é o mesmo?
Eu estou feliz, continuo na mesma estrada. Eu saí da escola, de uma família burguesa e com meu avô como Ministro do Supremo Tribunal Federal. Percebi que era necessário mudas as coisas, e imediatamente. E o caminho era o Partido Comunista. Me afiliei e até hoje continuo nele, seguindo seja nos bons ous maus momentos, como a vida impõe. Quando eu falava em Arquitetura, eu costumava dizer que a vida é mais importante do que ela. Que a vida pode mudar muito mais as coisas do que a Arquitetura. Eu acredito e digo a todos, arquitetos e estudantes, que não basta sair da universidade para ser um bom arquiteto. Você tem que ter conhecimento sobre a vida humana, a sua miséria, o seu sofrimento, para então fazer a Arquitetura de verdade, para criar.
O importante é compreender a vida e a importância de mudar o mundo. Buscamos a coerência. Todas terças-feiras eu faço um encontro no meu escritório com estudantes, intelectuais, cientistas e letrados. Nós trocamos idéias sobre filosofia, política, sobre o mundo, queremos entender a vida, mudá-la, para então mudar o ser humano.
No entanto, em um primeiro momento eu sou pessimista. Eu penso que o ser humano tem muita pouca perspectiva, mas deve viver honestamente,  conviver. Na segunda fase, eu compreendo que devo ser menos pessimista para ser mais realista. Compreender que a vida pode ser implacável com as pessoas, que cada um há a sua história. Existem muitas injustiças. O meu engajamento no Partido Comunista me deu esperança, solidariedade para lutar por um mundo melhor.

sede da Editora Mondadori em Segrate, Itália.



Qual a sua opinião sobre a situação política do Presidente Lula no Brasil, e em particular, sobre a evolução política na América Latina em geral?

Precisamos transformar a América Latina em um pólo de batalha, resistindo ao imperialismo americano. Entender que o povo americano é igual a qualquer outro, mas que a sua política é uma ameaça a toda a América Latina. Devemos nos proteger. Eu gostaria que o Lula fosse o líder dessa luta. Nós não vemos o seu governo ser muito amigável com o americano. Mas eu não sou pessimista, o movimento popular e progressista toma força, dando a impressão que o povo quer reagir a tudo isso.
Eu acho que quando a vida é muito difícil, a esperança brota do coração dos homens. Temos que lutar, temos que fazer a revolução. Não podemos tentar melhorar o capitalismo: ele é a fonte do que tem de pior no mundo. Precisamos de pessoas jovens engajadas, envolvidas para entrar na luta. Eu sei que o momento não é o mais proprício, mas temos que ter esperança.





20110914

Coisa de... brasileiro?!?

Aqui começo uma sessão pra lá de saborosa.

Engraçado, morando no exterior acabei tendo curiosidade para a culinária brasileira, querendo mostrar para o povo o que nós temos de bom!
Aprendi a fazer pão-de-queijo... do zero, esquentando o óleo, o leite...

Mas daí acontece que ao apresentar produtos nossos, vêm perguntas não muito fáceis de responder.

Uma das mais intrigantes foi:


Como foi inventado o leite condensado? 




Muito bem Marina, você já se emperrou na primeira pergunta. Isso que dá querer mostrar os doces que nós temos nas festas infantis onde nos empanturramos até morrer, ou até nutrir todas as bichas do corpo!
Passei alguns minutos viajando na questão do leite fervido por horas com tanto açúcar... açúcar que vem da cana-de-açúcar, leite que concentrado dessa maneira acaba tendo uma validade muito maior, e a minha ignorante conclusão foi que em algum engenho, os escravos devem ter tentado fazer render o líquido com o produto mais abundante para eles. Pequeno detalhe que quando penso no leite condensado tenho sempre a imagem impressa do Leite Moça. Nada como uma boa publicidade!

Como de suposições e filosofias o mundo já está cheio, fui atrás da resposta. E...

O LEITE CONDENSADO É FRANCÊS!!!!




Fiquei pasma. Não sou grande expert da culinária francesa, mas não é que me vem em mente uma lista de receitas com esse ingrediente.

Então vamos aos fatos:
parte da minha teoria não estava errada. Sim, condensaram o leite para fazer ele durar muito e ocupar menos espaço. 


Tudo se deve a este homem: Nicolas Appert - francês. Através das suas experiêcnias com conservação de alimentos, Malbec (outro nome importante) resolveu aplicar ao leite em 1828. A venda logo foi espalhada pela Europa e algumas décadas mais tarde nos Estados Unidos.
Por incrível que pareça o auge do produto veio durante as guerras. Em 1880 o suíço Meyenberg aprimorou a fabricação e colocando o leite condensado em recipientes fechados sob alta pressão. Alto poder calórico, compacto e embalado em latas, ele poderia ser lançado por aviões para alimentar as tropas.

No Brasil os primeiros indícios da importação aparecem no Almanak Administrativo Mercantil e Industrial da Corte e da Província do Rio de Janeiro em 1871. Em 1876 as latinhas já estavam à venda na Bahia, e a Nestlè apareceu em 1885, apresentando o 'Leite condensado marca Barbacena, preparado por Henri Nestlè'. O nome já era consagrado por aqui com a venda do primeiro produto dele, a Farinha Láctea.

Logo, não demorou muito para fazer sucesso. Em 1921 a Nestlè resolveu saltar para o país, iniciando a fabricação tupiniquim. (Já tinham empresas brasileiras que produziam o leite condensado desde 1914).

E por que o nome Leite Moça? Porque a mocinha sempre esteve presente no rótulo da lata (já que o resto era escrito em inglês)! Então era muito mais fácil chegar na mercearia e pedir o leite da moça... A Nestlè tirou proveito disso e assim que abriu as portas no Brasil, adotou o nome! Esse era realmente esperto!



do leite Moça ao brigadeiro...

Logo, logo o leite condensado foi sendo adaptado às tradicionais receitas de doce, e em 1940 foi criado o maximus supremus BRIGADEIRO! (ou negrinho...)
Eis que voltamos ao início da questão, onde tudo começou quando a pergunta foi feita.

O brigadeiro acabou levando o nome do seu homenageado, Brigadeiro Eduardo Gomes.  Qual é a relação????
Acontece que depois do Estado Novo de Getúlio Vargas, em 1945, o então Brigadeiro Eduardo Gomes, candidato à presidência, tinha a sua campanha eleitoral patrocinada pelos fundos obtidos com um doce feito de leite condensado e chocolate. Ao doce, então uma novidade no país, foi atribuído o nome de brigadeiro.

Quem diria, a política está diretamente ligada a um dos melhores doces de festa e que com certeza marcou a infância de praticamente todas as crianças brasileiras desde então.



mmm fiquei com água na boca depois dessa... e você?




20110601

[tema do mês] MADE IN ITALY




Olá,

não quero incomodar muito, mas acabei de decidir o tema desse mês que acabou de começar. E vai ter pano pra manga! Uma breve introdução:

Faltam dois dias para um feriado importante aqui na Itália. Não estou falando de nenhuma data com conotação religiosa ou de significado mundial.

2 de junho, Festa da República Italiana.

Eu, no meu ínfimo e humilde imaginário, sempre tive em mente que a Itália que eu conheço é aquela mesma de milhares de anos atrás. O erro está proporcionalmente ligado à sua História. Depois de impérios, reinos, unificações, a Itália se tornou o que é hoje há 150 anos atrás, aniversário completado no dia 17 de março desse ano. Ou melhor, o esboço do que ela é hoje já que o norte da Itália foi integrado mais tarde.

E vocês sabem desde quando ela é REPÚBLICA??? Desde 1946!!! Ou seja, a Itália é uma República Jovem! Muito mais que o Brasil! Peraí que vou pegar o meu queixo que caiu... É muita pouca idade para uma nação de milênios.
Depois de unificada, de 85 anos de reinado, e do facismo durante as Guerras, o povo foi chamado às urnas para escolher qual o regime a ser adotado no país: Monarquia ou República. Sendo escolhida essa última, a família Savóia (a família real antes do facismo) foi exilada.
Ou seja, o 2 de junho aqui é a mesma coisa que o 04 de julho nos EUA (Independência), que o 14 de julho na França (Tomada da Bastilha) e que o nosso 07 de setembro no Brasil.


Agora, voltando ao tema do mês, comecei a pensar em quantos ícones, objetos, utensílios que temos ao nosso redor e querendo ou não nasceram aqui. E como? E quando?


Então aí está o mote! 
O design italiano 

ficou reconhecido mundialmente depois de 1946. Passadas as Guerras e com a esperança de um país republicano recém nascido, a genialidade italiana foi colocada em ação. Foi o boom depois de muito tempo.
Do estilo de vida, objetos à moda. A Itália pegou a dianteira e passou a ser referência. O MADE IN ITALY passou a ser sinônimo de qualidade e estilo de vida, a Dolce Vita!








E já adianto um promemória de nomes importantes, empresas e ícones até hoje: FIAT, e todo o seu grupo automobilístico - Ferrari, Alfa Romeo - Lamborghini, Maseratti, e a Lambretta e a Vespa, aquelas motinhos que foram sensação na década de 80 no Brasil, as marcas Alessi, Olivetti, Giovanetti, Zanotta, Benetton, Diesel, dos designers Bruno Munari, Ettore Sottsass, Achile e Piergiacomo Castiglioni, Gio Ponti e a maravilhosa Nutella, as massas Barilla, e a Parmalat?  E o Rosa Choque de Elsa Schiaparelli...





Ok, temos muito assunto para colocar em dia.


Você pode conferir algumas matérias já publicadas aqui... vivendo nesse país, é inevitável aprender, me admirar e valorizar a Itália.

à procura do despertador perfeito
brincando de LEGO®
Vermelho-cereja
[design] MOSCHINO: um hotel muito peculiar
[lighting] clamp
agatha in: LOVEsofa
italia: that's amore iii


* Época próspera que eu espero sinceramente que retorne por essas terras, já que nas últimas décadas teve um retrocesso enorme! Papo para outro dia!