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20120609

1 semana

Pois bem, quanto pode mudar a sua vida em uma semana? TOTALMENTE.

Os últimos dias representaram a minha volta para o Brasil, para o sul do Brasil. Após 4 anos 7 meses e 8 dias, a minha experiência na Itália chegou ao fim.

Ainda não deu tempo de estruturar a vida por aqui e aquela até então realidade quotidiana não existe mais. A sensação é estranhíssima: ver o próprio apartamento ser esvaziado - os móveis eram todos meus e um transporte trans-oceânico não era o mais conveniente, economicamente falando - e o gostinho do dia-a-dia perdendo a sua identidade, parar totalmente com a rotina de ir trabalhar das 9h às 18h, não pegar mais o metrô (lotado!), não almoçar mais no baretto que praticamente tinha virado a extensão da minha casa com a simples e maravilhosa insalata de todo santo dia e o mais fundamental: não ver mais as pessoas com quem você está acostumado a passar todas essas horas, mesmo as mais irritantes e estressantes.
O fator positivo que não tem preço, é voltar para mais perto da família, não perder mais aqueles momentos simples e breves que só a proximidade pode oferecer. O que realmente importa é que o final não é necessariamente definitivo. Eu diria que acabou esse período de Master e pós-Master com um trabalho mais interessante ainda.

Tudo bem, talvez eu poderia ter escolhido uma outra ocasião para retornar pois acabei emendando dois invernos. A temperatura mínima nos últimos dias tem beirado o negativo, só que aqui no Brasil não existe calefação centralizada como em todos os edifícios europeus. O que nos resta é queimar lenha e botar fogo na lareira e no fogão a lenha, o que também tem o seu valor! Aconchego ao redor da lareira, tomando chimarrão e comendo pinhão: eis o charme do inverno gaúcho. 

Falando com uma amiga, também com muito tempo vivido no exterior, ficou a vontade de ter escrito as minhas primeiras impressões no meu retorno. Agora, querendo ou não, já estou me acostumando com os hábitos daqui e muitas das surpresas iniciais não estão mais presentes. Porém posso listar algumas coisas que fiz fatica:

Dizer obrigado em português: exigiu a minha concentração nos primeiros dias, já que a tendência é continuar com o bom e velho grazie
Chegar nos lugares e ao invés de dar oi, dizer ciao. E quando me despeço, seja pessoalmente ou por telefone, o ciao ciao ficou. Ao menos esse dá para entender. 
Antes de começar a comer, saudar a todos com o buon appetito. Esse eu espero não perder. Acho charmoso e bem educado.
Confundir os verbo ser e estar na frase, quando esses são auxiliares. 
Conjugações verbais ou a ortografia de algumas palavras... Ontem foi a vez da massagem. Achei estranha a palavra escrita. Parece mensagem. 
Discar o número do telefone inserindo o número da operadora. 
Cappuccino com chocolate e canela. 
As novas notas do Real e os preços altíssimos. Agora gastar 10 reais é como gastar 2 há cinco anos atrás. 
Ou então tentar pedir uma água natural ao invés de uma água sem gás no bar. 
Edifícios e jardins com grades... Em Milão ou o próprio edifício faz as vezes de grade porque é grudado na calçada, ou o jardim frontal é sem grades.
Paradas de ônibus sem o tempo de espera e poder comprar a passagem com o cobrador, dentro do ônibus!
Ter a sensação de ser de outro planeta quando tento falar com os outros, porque se percebe que o meu português não é mais daqui. Não sei dizer nem de onde ele é!

Agora aproveito o solzinho desse pré-inverno gaúcho para relaxar após o almoço com algumas imagens daqui. 

Um bom sábado a todos!

Onde me encontro exatamente agora.

o frio dos últimos dias. 

os meus últimos quase 5 anos em 6 malas. 



20110911

dia de Formula 1: GP de Monza.

Todo mundo sabe que a Ferrari é italiana. Marca consagrada de automóveis de corrida, esportivos de luxo. E desde muito tempo na Fórmula 1. 

Mas como ela nasceu? Por que a marca é o cavalinho em pé?

Vamos às curiosidades:

Um pouco de história primeiro...
1929
Nasce a S.A. Escuderia Ferrari, criada pelo homônimo Enzo Ferrari para ser um apoio à fabricação de carros de corrida da Alfa Romeo. Ou seja, no início não existia a própria produção de carros, mas sim o serviço de suporte.
1939
A montadora conhecida hoje, oficialmente nasceu 10 anos depois, sob o nome de Auto Avio Costruzioni, mas ainda não tinha como principal produto a fabricação de carros, e sim peças para pequenos aviões. 


primeiro modelo produzido. AAC 815.
1940
Foi produzido o primeiro automóvel - apenas 2 peças - Auto Avio Costruzioni 815, modelo spyder, desenhado juntamente com Alberto Massimino e Vittorio Bellentani. Porém não pôde ser comercializado com o nome da propria marca devido a uma cláusula contratual com a Alfa Romeo (problemas de contrato existem desde que foram criados)




1947
Depois de uma paradinha básica por causa da Segunda Guerra,  foi a vez da produção da Ferrari 125S - essa também com só duas unidades - sendo conduzida por  Franco Cortese, que entrou para a História sendo o primeiro piloto da escuderia!
1950
Estréia na Fórmula 1 no GP de Mônaco.
1965
O nome Ferrari spa veio para ficar!
1968
Entra no grupo FIAT. 



O cavalo!


O símbolo conhecido mundialmente da Ferrari nasceu um ano após a criação da Escuderia, em 1930. O cavalo, que na verdade era vermelho, pertencia ao major e piloto da aeronáutica italiana Francesco Baracca. Morto em guerra, os companheiros das forças armadas passaram a usar o preto em sinal de luto.

F. Baracca ao lado do simbolo original


Mas como ele foi parar no carro?
A mãe do major, após ver Enzo Ferrari participar de uma corrida com o seu carro - ainda sob o nome Alfa Romeo - o presenteou com o estegma, pedindo que usasse ele para trazer sorte à escuderia. 
E deu certo, na primeira corrida com o cavalo - 24 horas de Spa em 1932 - o carro de Ferrari saiu vitorioso.
Em 1945 o cavalo foi remodelado pelo milanês Elio Gerosa, tendo a cauda que antes apontava para baixo direcionada para cima, além da adição do fundo amarelo canário e das listras superiores representando a bandeira italiana. 

E por que a cor vermelha?

o vermelho na Alfa Romeo


Nos anos 20, a organização que mais tarde se transformaria na FIA, organizava as corridas automobilísticas, estabelecendo cores padrões para os carros das escuderias, de acordo com o país de origem.
A França era azul - como a Bugatti, as inglesas adotaram o verde - vede Jaguar e Lotus, as alemãs a cor branca - BMW e Porsche -  e as italianas o vermelho - Alfa Romeo, Ferrari, Maserati e Abarth.
Em 1968 a FIA decidiu retirar essa obrigação da cor, deixando as escuderias livres para escolher a cor de acordo com o sponsor. Porém a Ferrari se manteve sempre fiel ao vermelho, tornando-o levemente mais aceso. 

20110823

italia: that's amore vi

Recém chegada em Milão e recepcionada por um calor absurdamente quente (e finalmente viva o verão!), tudo o que você menos quer é comer ou beber algo quente. E para a hora de tomar o sagrado café de todos os dias, eis a receita italiana para continuar usufruindo os poderes da cafeína sem morrer de calor:

CAFFE' SHAKERATO



Para preparar na maneira mais perfeita, você vai precisar de um shaker. Nele coloque gelo tritado (5 cubos), açúcar líquido (20ml), café expresso e o ingrediente secreto. Este último depende do gosto do barman pois varia muito de bar em bar.

Parece simples, mas obviamente como toda a cultura culinária italiana, existem alguns cuidados especiais que seguidos garantirão a qualidade do café:

* o açúcar: é recomendável o açúcar líquido porque facilita na horar de misturar tudo. O normal granulado pode não se derreter totalmente (a não ser que você não se importa em sacudir por horas o shaker).
* o gelo: sim, até para ele existe a "melhor maneira de preparar". Aqui eles dizem para fazer ele com a mesma água usada para o café. Se a água da torneira é de base calcária como a de Milão, é melhor usar água mineral para não alterar o sabor da bebida.
* ingrediente secreto: aqui entra o gosto pessoal de cada um, o que acaba gerando vários tipos de café shakerato e pode até virar um motivo para saborear vários!! Tem quem adiciona uma dose pequena de liquor de baunilha, de aniz ou amaretto, mas a mais utilizada por esses lados é o creme de whisky. Eu particularmente AMO com a baunilha.


Apresentação:

Por se tratar de uma bebida gelada, o café é servido em uma taça do estilo Cocktail (Martini) Glass, dando ainda mais charme. 


Curiosidades:

* Quando você toma o café, aquele gás que ele te dá logo após ser bebido provém do açúcar. Caso você não coloque açúcar no café, então esse "gás" acaba sendo fruto do poder psicológico da sua mente. A cafeína demora cerca de 6h para agir no corpo e dar aquela acordada. Então é bom pensar com antecipação!! 

* O café é a bebida mais consumida no mundo.  

* Os árabes foram os primeiros a extrair o café como conhecemos hoje. Em Constantinopla foi inaugurada a primeira cafeteria em 1554 (quando recém tinha sido descoberto), e em Veneza em 1640.

* Existem muitas substâncias úteis para o nosso corpo no café: magnésio, cromo e potássio. A cafeína intervém sobre o sistema nervoso central estimulando os sistemas respiratório, digestivo e cardiovascular, além do fator diurético que favorece o físico e intelecto. Perfeito, não?



* Complementando o item Curiosidades:

A cafeína estimula tanto a memória de curto prazo quanto a de longo prazo. O café também possui substâncias chamadas ácidos clorogênicos, que formam compostos durante a torra --as quino-lactonas-- que modulam e melhoram o humor, o que também tem efeito positivo na memória. Pesquisas mostraram que o consumo da bebida por estudantes aumentou a atenção, a memória e o aprendizado em de 10% a 15% dos casos, comparados com um grupo de controle.

20110805

música do dia. sound of sunshine

O tema música é muito polêmico. Dar alguma opinião sobre algum artista, musica ou estilo é quase pedir para ser crucificado nos dias de hoje. 
Mas posso dizer que não estou ligando muito para isso. 

Vale repassar quando existe talento, e esse realmente não se discute. 

Em termos de música italiana, existem muito mais músicos que realmente produzem algo de original daquilo que conhecemos no Brasil. O modelo export por aqui não funciona muito, eles são bem bairristas.

O bairrismo já começa quando você, na maior inocência, fala para um italiano que compor música na língua deles não é tão fácil quanto se imagina, porque não combina com todos os ritmos. Tentem  imaginar, o que significa dizer que o idioma é limitado, logo o italiano, puríssimo e o mais bello!

E dou a minha cara ao primeiro tapa. 
O porquê da defesa da minha teoria: quando o italiano moderno foi colocado em prática, a construção das frases partiu da musicalidade e sonoridade das palavras. Dante Alighieri (e aí vai um dos tantos motivos para o italiano se orgulhar da sua língua, pois ninguém mais no mundo pode dizer que foi criada por um dos maiores gênios da História - ok e nisso eles têm razão) elaborou a junção das sílabas e frases para que, no momento que se fala corretamente, o italiano tenha a sua cadência. Saiu do ritmo, falou errado. Simples, mas para a música só complicou.

Por isso, quando escuto alguma canção em italiano que rompe essa musicalidade natural, mas que faz isso bem, considero imensamente o talento do compositor.

É o caso de Lorenzo Jovanotti.




Não sei até que ponto é conhecido no exterior, porém é um dos poucos músicos da nova geração que sabe brincar com os sons e instrumentos, e além disso compor músicas que quando em texto parecem mais poesias.

Não vou me aprofundar muito na vida dele. O que me interessa hoje é o remix que ele fez em uma música inglesa, passando metade dela para o italiano e ainda complementando a melodia. 
Compare a versão original, e a versão italianizada. Sou muito mais a segunda.

E agora dei a minha cara para outro tapa.


Versão original:
bonita, muito sol, muita praia, mas também muito calma...



Versão remixada:
bonita, mais ensolarada, mais alegre! (mesmo nao tendo o mar, prefiro esse clipe...)


Para ter uma idéia do que é a simpatia do cantor, que mesmo sendo um dos grandes do país, continua muito "humano", abaixo você pode verificar como é o final de um show seu... Já com as luzes ligadas, quando muitos outros cantores já foram embora... Vai ele e a sua equipe PULAR! Poucos fazem festa desse jeito!


20110722

interligações

Depois de muito tempo, voltando ao site designsponge, me deparo com a foto no 'best of decorative paint', que acaba me remetendo a um passado muito, muito distante.




Sem me deter muito no trabalho que dá pintar essa parede a mão - desenhar, separar os triângulos por cores, colocar fita crepe pra não dar problema, etc - acabei pensando em Bandeiras de São João.

Talvez pela forma triangular e pela mistura de cores, a imagem de um quadro, vista há muito tempo atrás voltou à minha mente: se trata de Alfredo Volpi. Como eu sei? Nada como uma gincana sensacional do colégio. Acho que eu estava na quarta série, mas como uma das tarefas daquele ano, tivemos que descobrir de quem era a obra impressa.



Eis que mais um ítalo-brasileiro aparece no blog. Depois de Lina Bo Bardi, cruza pelo meu caminho, pela segunda vez, Alfredo Volpi. Nasceu em Lucca no final do século XIX e com apenas um ano de vida veio para o Brasil. Um pintor muito livre como técnico, e ao mesmo tempo abordando temas populares. 

E a minha memória ainda está boa, mesmo tantos anos depois...

20110627

[tema do mês] ARQUITETURA ITALIA-BRASIL


Já fazem alguns dias que eu gostaria de escrever esse post. 
Como é um assunto que me interessa, queria dar o tempo devido a ele, já que escrever às pressas acaba desvalorizando-o.

Venho aqui hoje comentar o período pré-brasileiro da arquiteta LINA BO BARDI



Para quem não conhece ela, é a idealizadora do MASP

Às vezes paro para pensar que, como as mulheres foram inseridas tardiamente no mercado de trabalho, são poucas as que receberam o devido louvor pelo seu trabalho. Em algumas áreas isso aconteceu mais em outras menos. Sem querer entrar no discurso feminista, mas já entrando, penso que o movimento nasceu de forma errada. Ao invés de "igualdade", o que sucedeu foi o acúmulo de atividades em uma só pessoa. Equilíbrio é tudo, e buscar ele quando estamos indignados nos leva ao oposto dele.

Sem mais divagações, vamos à história dessa arquiteta.

Nascida italiana e posteriormente naturalizando-se brasileira, Lina Bo se formou em Arquitetura na sua cidade natal, Roma e daí partiu para Milão, onde trabalho com Giò Ponti. Detalhe: isso aconteceu um pouco antes da Segunda Guerra Mundial.

Concattedrale de Taranto. 1964-70

Igreja Sao Francisco, em Milao. 1964


E aqui abro a primeira parêntese:
Giò Ponti se formou em Arquitetura logo após reprender os estudos, interrompidos pela Primeira Guerra Mundial. Literalmente, outros tempos. Pensar que você tem que interromper tudo, porque estão bombardeando o seu país, e além disso ir lutar por ele... Nos primeiros anos teve sociedade com outros arquitetos, até começar a cuidar das exposições bienais e trienais. Ainda no final da década de 20 ele fundou a revista Domus, atividade editorial que teve que ser abandonada por causa da Segunda Guerra. Eis aí ela de novo.
Parêntese da parêntese: a revista Domus, juntamente com a Casabella acabou sendo o centro cultural da arquitetura e do design italiano na segunda metade do século XX.

Continuando com o nosso amigo Ponti, em 1933 ele organiza a primeira mostra na Triennale di Milano. Na mesma década desenha os trajes para o Teatro alla Scala, participa da  ADI (Associação do Desenho Industrial), sendo um dos encorajadores do premio Compasso d'Oro, e em 1936 passa a ser professor da Faculdade de Arquitetura no Politécnico de Milão.
até o ano passado o Pirelli era o edificio mais alto de Milao.
 Sede do governo da regiao da Lombardia.
Icone da cidade e do modernismo italiano. 1956-1961


Voltando à Lina,

Depois de trabalhar com Ponti, ela abre o seu próprio escritório. Porém ele é destruído durante um dos bombardeios em 1943. 

Segunda parêntese:
Vale lembrar que quando a Itália (Mussolini) resolveu passar para o lado dos aliados, foi severamente atingido pelas forças alemãs. E Milão, sendo ao norte, não foi poupada. A corso de Porta Ticinese, muito perto do centro e do Duomo, teve grande parte dos seus edifícios detruídos, além da estrutura metálica da Galleria Vittorio Emanuele.

Depois disso, Lina começou a atuar ativamente na política, com o Partido Comunista Italiano, documentando a destruição que tomou a Itália nos anos da guerra ao participar do Congresso Nacional da Reconstrução.

Com Bruno Zevi ela criou a revista setimanal 'A cultura da vida'.

Em 1946, já casada com Pietro Maria Bardi, ela se transfere para o Brasil, onde a sua criatividade explodiu! Em 1951 ela, já cidadã brasileira, projeta a Casa de Vidro, no então novo bairro Morumbi.

A Casa de Vidro, residencia do casal, quando construida ficava em terreno
todo aberto no entao recém bairro Morumbi.
 
Terceira parêntese:
Uma das primeiras obras modernistas no Brasil, a Casa de Vidro mudou o conceito de morar. As paredes até então prevalentemente opacas, são totalmente transparentes. O habitar se torna público, enquanto que o espaço público se transforma em parte do privado. 

Mais tarde, através de uma idéia lançada por Assis Chateaubriand, Lina projeta o famosíssimo MASP. Super hiper modermo, brinca com o conceito da arquitetura velha e tradicional da Europa, ao mostrar que uma super estrutura pode suportar todo um edifício inteiro no ar.

MASP - Museu de Arte Assis Chateaubriand. 1956-1968

O colorido e a quebra da verticalidade em Sao Paulo.


Uma mulher de caráter muito forte, uma sua frase célebre acaba remetendo ao que falei antes do feminismo:  "Como ser feminista? As feministas tem voz de galinha e falta de conteúdo" 

Concordo com ela. Aliás, nunca entendi porque para mostrar o feminismo, queimaram o sutiã!!!! Uma peça utilíssima. Anatomia não tem nada a ver com forma de pensar e queimar algo que tem a sua função me parece só burrice, ou melhor, parece que aquelas que queimaram eram as primeiras a se considerarem objeto. Enfim, assunto polêmico.

Outra obra muito importante da Lina foi concluída em 1990, o Sesc Pompéia, que ainda não tive oportunidade de visitar.

Sesc Pompeia - arquitetura moderna e ludica. 1990 

Eis aí, uma personalidade, por acaso feminina, que tem muito o que transmitir pelo seu trabalho. Itália-Brasil funcionou muito bem!

a personalidade de hoje.


20110620

[tema do mês] MODA ITALIANA HOJE

Preciso divulgar essa marca que eu acabei de descobrir. Além de ter roupas coloridas e divertidas - coisa rara por essa terra muito elegante e trendy - o site realmente vale uma olhada.

AMEI!

http://www.rossellacarrara.com/

20110617

[tema do mês] uma família chamada MISSONI



Não sou muito ligada em moda. Não sei dizer a diferença entre Chanel, Gucci, Prada e Versace. Digamos que a minha cabeça não funciona muito bem nesse sentido; tenho que ver e provar para dizer se gosto ou não do estilista... 

Mas um deles em particular me chama a atenção, não pelos modelos, mas sim pelas cores. Amo cores (e sei que já ressaltei isso algumas vezes no blog), e amo motivos geométricos, módulos, etc. Não importa se é inverno, verão, primavera ou outono, a Missoni sempre traz um pouco mais de vida para as passarelas.

Mas o que você sabe dessa marca mesmo?



Posso dizer que o nome nos remete à inovação estética, à invenção de novas técnicas. A marca, uma das mais famosas e trendy do momento, começou a sua história no pós-guerra e aos poucos foi ganhando afirmação.
Através do ramo das malhas, a Missoni revolucionou a moda com um estilo inconfundível através das cores vibrantes, transformando a tecelagem em arte aplicada.

O bonito de tudo é que a história da família tem todos os preceitos de um conto de fadas: o mocinho, um esportista muito famoso; e a mocinha, volta mais à arte e à moda.
Tudo aconteceu a partir de 1948, quando Ottavio Missoni que estava em Londres para participar das Olimpíadas, campeão italiano absoluto dos 400 metros, conheceu Rosita Jelmini.

o casal


Cinco anos depois, os dois se casaram e fundaram a empresa, no início instalada no porão de casa. Com a família aumentando aos poucos e a malharia conquistando seus primeiros clientes, em 1958 a Missoni teve pela primeira vez os seus modelos expostos na vetrine da Rinascente, loja multimarcas, na praça do Duomo em Milão.

Em 1965, eles começaram a ter as suas criações reportadas nos jornais, mas foi após um desfile em Milão que conseguiram encantar a todos, mostrando uma nova perspectiva sobre a malha. 

Dois anos mais tarde, uma situação inusitada os fez serem reconhecidos em Paris e Estados Unidos, mas quase que ignorados em Firenze: sem querer querendo*, lançaram o nude look um ano antes de Yves Saint Laurent. Só que esse foi incompreendido já que foi apresentado para uma sociedade até então muito careta e católica. 
* antes de começar o desfile no Palazzo Pitti, Rosita se deu conta que a roupa íntima não combinava com a roupa, e então fez as modelos tirarem o sutiã antes de entrar na passarela. Acontece que, como todo mundo sabe hoje, com os flashs das máquinas fotográficas, os tecidos tendem a ficar transparentes. Ok, você pode pensar que faz parte, afinal é desfile, é moda, é conceitual. Isso você diz em 2011. Mas em 1967 num país católico extremista, isso foi considerado quase um atentado e ainda mais por ser dentro do Pitti, um desrespeito!!
Mas tudo bem, a carreira internacional ia de vento em popa. Os seus vestidos começaram a serem vendidos nos Estados Unidos, o estilo ganhou o nome de put-together, fazendo referência às várias estampas misturadas, que juntamente com o patchwork, e o riscado em preto e branco ou arco-íris. Características essas que resumem até hoje a marca.



desfile verão 2012


desfile verão 2012

desfile verão 2012

desfile verão 2012
amei todos os modelitos!!!


Dos anos 70 em diante, a Missoni começou a levar o seu colorido estampado para dentro de casa, aplicando a 'moda mais bonita do mundo' em tecidos de poltronas, sofás, cortinas, lençóis, etc. Enquanto isso, Ottavio que passou de atleta olímpico a inspirador no mundo da moda, criava também jóias e acessórios, sendo eleito um dos 10 homens mais elegantes do mundo. Te mete!



e não é que as Havaianas resolveram entrar nesse colorido?

Missoni Home

Missoni Home. aceito como presente de aniversário!

Missoni Home. eu quero...




O mais bonito ainda é que a família permaneceu sempre unida. Desde 1996 os três filhos do casal passaram a gestir o negócio dos pais, mantendo-se fiéis ao estilo inconfundível. E além deles, os 9 netos também participam das atividades, mantendo a tradição.

[tema do mês] next one!

Prepare-se, amanha é dia de falar da moda italiana no pos-guerra.

20110614

[tema do mês] VESPA ou LAMBRETTA?

Muito bem, voltamos ao periodo pós-guerra na Itália para entender por quê tem tanta motorino no país da bota. 

É importante ter claro em mente alguns aspectos:
* Economia, país, empresas, cidades arrasadas;
* Duas fábricas de material metalúrgico - Innocenti, que fazia ferramentas e Piaggio, aeronáutica - com a visão de que precisam retomar a produção e vêem na scooter dos aliados americanos, uma nova forma de locomoção rápida, prática e barata.
* Pai da Lambretta: engenheiro Torre, que a criou em 1944.
* Pai da Vespa: engenheiro Corradino D'Ascanio em 1946.


ou





Essa era a questão no final da década de 40 e início dos anos 50. 

A Lambretta custava um pouco mais do que a Vespa porque tecnicamente era mais sofisticada em termos técnicos e mais estável que a rival, mais bonita esteticamente. Porém enquanto a primeira era mais apreciada pelos apaixonados das duas rodas, a segunda era a queridinha do público geral e digamos que o fator financeiro talvez era um dos mais importantes num momento de retomada econômica.

Vespa

Lambretta


Por praticamente 20 anos elas dominaram o mercado de meios de transporte. A derradeira decadência veio com o lançamente de ninguém mais, ninguém menos que a tão italiana FIAT 500.


a FIAT 500, que desbancou  a moda Lambretta e Vespa. Levar a familia
a passeio ficou mais barato.

Em 1971 a Lambretta parou de ser produzida, enquanto que a Vespa, contando com a ajuda, diria substancial, da FIAT à fabricante Piaggio, conseguiu superar a crise dos anos 70 propondo sempre modelos atualizados.

série 2011 - Vespa

Mas o bonito é que ainda se vê na roda de discussões a questão: VESPA ou LAMBRETTA? Os jovens hoje em dia estão voltando para o design vintage e acabam fazendo coro com os saudosos usuários dessas duas rodas.

Audrey Hepburn e Gregory Peck em Vacanze Romane.

Audrey Hepburn com a Vespa

Jude Law no filme Alfie

filme Quadrophenia e a Lambretta.