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20111002

texturas e misturas: pé-de-galinha

Não, não estou fazendo referências às famosas ruguinhas nos cantos dos olhos. A inspiração para esse post veio já faz um tempo. 
Desde quando eu escrevi sobre a Elsa Schiaparelli no post Rosa Schoking - e sua "
concorrência antagonista com Coco Chanel - e sobre a família Missoni com as suas particulares estampas, me deparei com esse tema têxtil. Tudo o que é bem feito, bem pensado, permanece e sobrevive ao tempo.

Pied de Poule

tradução para o nosso português, o velho e bom pé-de-galinha.



Nascido a partir de um tecido com padrão de tecelagem em diagonal - conhecido também como ligamento sarja - adquire como característica principal, uma maior resistência. É através desse tipo de tecelagem que nasce o denim, a batavia, a espinha de peixe e o pé-de-galinha. 

batavia
a base do nosso jeans de cada dia.
espinha-de-peixe

pied-de-poule


Este último, sendo já utilizado no início do século XX, deve sua fama graças ao emprego nas coleções de Coco Chanel e Dior. O tecido que originalmente era feito em lã, preto e branco, e de uso massivamente masculino foi adaptado pela revolucionária estilista francesa e se transformando em um clássico do guarda-roupa feminino.

A estampa continua tão irreverente e sinônimo de revolução que acabou sendo utilizada pela mais-do-que-polêmica Lady Gaga (a ponto de usar absolutamente em todo o seu figurino e arredores). E não só ela era fã desse tecido. Amy Winehouse estava desenhando a sua coleção baseada na trama. 

coleção póstuma Amy Winhouse

até o piano entrou no clima.

Pied de Coq

a versão em escala maior da trama acabou ganhando o nome de pé-de-galo. Depois dessa a família ficou completa!

à esquerda o pied-de-poule, à direita o pied-de-coq



20110617

[tema do mês] uma família chamada MISSONI



Não sou muito ligada em moda. Não sei dizer a diferença entre Chanel, Gucci, Prada e Versace. Digamos que a minha cabeça não funciona muito bem nesse sentido; tenho que ver e provar para dizer se gosto ou não do estilista... 

Mas um deles em particular me chama a atenção, não pelos modelos, mas sim pelas cores. Amo cores (e sei que já ressaltei isso algumas vezes no blog), e amo motivos geométricos, módulos, etc. Não importa se é inverno, verão, primavera ou outono, a Missoni sempre traz um pouco mais de vida para as passarelas.

Mas o que você sabe dessa marca mesmo?



Posso dizer que o nome nos remete à inovação estética, à invenção de novas técnicas. A marca, uma das mais famosas e trendy do momento, começou a sua história no pós-guerra e aos poucos foi ganhando afirmação.
Através do ramo das malhas, a Missoni revolucionou a moda com um estilo inconfundível através das cores vibrantes, transformando a tecelagem em arte aplicada.

O bonito de tudo é que a história da família tem todos os preceitos de um conto de fadas: o mocinho, um esportista muito famoso; e a mocinha, volta mais à arte e à moda.
Tudo aconteceu a partir de 1948, quando Ottavio Missoni que estava em Londres para participar das Olimpíadas, campeão italiano absoluto dos 400 metros, conheceu Rosita Jelmini.

o casal


Cinco anos depois, os dois se casaram e fundaram a empresa, no início instalada no porão de casa. Com a família aumentando aos poucos e a malharia conquistando seus primeiros clientes, em 1958 a Missoni teve pela primeira vez os seus modelos expostos na vetrine da Rinascente, loja multimarcas, na praça do Duomo em Milão.

Em 1965, eles começaram a ter as suas criações reportadas nos jornais, mas foi após um desfile em Milão que conseguiram encantar a todos, mostrando uma nova perspectiva sobre a malha. 

Dois anos mais tarde, uma situação inusitada os fez serem reconhecidos em Paris e Estados Unidos, mas quase que ignorados em Firenze: sem querer querendo*, lançaram o nude look um ano antes de Yves Saint Laurent. Só que esse foi incompreendido já que foi apresentado para uma sociedade até então muito careta e católica. 
* antes de começar o desfile no Palazzo Pitti, Rosita se deu conta que a roupa íntima não combinava com a roupa, e então fez as modelos tirarem o sutiã antes de entrar na passarela. Acontece que, como todo mundo sabe hoje, com os flashs das máquinas fotográficas, os tecidos tendem a ficar transparentes. Ok, você pode pensar que faz parte, afinal é desfile, é moda, é conceitual. Isso você diz em 2011. Mas em 1967 num país católico extremista, isso foi considerado quase um atentado e ainda mais por ser dentro do Pitti, um desrespeito!!
Mas tudo bem, a carreira internacional ia de vento em popa. Os seus vestidos começaram a serem vendidos nos Estados Unidos, o estilo ganhou o nome de put-together, fazendo referência às várias estampas misturadas, que juntamente com o patchwork, e o riscado em preto e branco ou arco-íris. Características essas que resumem até hoje a marca.



desfile verão 2012


desfile verão 2012

desfile verão 2012

desfile verão 2012
amei todos os modelitos!!!


Dos anos 70 em diante, a Missoni começou a levar o seu colorido estampado para dentro de casa, aplicando a 'moda mais bonita do mundo' em tecidos de poltronas, sofás, cortinas, lençóis, etc. Enquanto isso, Ottavio que passou de atleta olímpico a inspirador no mundo da moda, criava também jóias e acessórios, sendo eleito um dos 10 homens mais elegantes do mundo. Te mete!



e não é que as Havaianas resolveram entrar nesse colorido?

Missoni Home

Missoni Home. aceito como presente de aniversário!

Missoni Home. eu quero...




O mais bonito ainda é que a família permaneceu sempre unida. Desde 1996 os três filhos do casal passaram a gestir o negócio dos pais, mantendo-se fiéis ao estilo inconfundível. E além deles, os 9 netos também participam das atividades, mantendo a tradição.

[tema do mês] next one!

Prepare-se, amanha é dia de falar da moda italiana no pos-guerra.