Uma foto, de uma andança qualquer em Paris, para desejar um bom final de semana a todos!
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20130126
20121024
eu sou do sul parte 2. this is brazil!
É engraçado como às vezes vemos situações que dependendo a situação poderiam parecer mais do que normal, em outras nos faz pensar: mas onde estamos mesmo?
Continuando a série - eu sou do sul - e falando das coisas boas daqui (ok, sou bairrista, mas a um nível saudável), passando de carro hoje por uma cidadezinha próxima à minha, não resisti e tive que parar para tirar umas fotos e mostrar que aqui no Brasil também existem situações pitorescas, bonitas e simples!
O urbanismo com certeza não é o mesmo da Europa, até por uma questão histórica - e não só cultural - mas o que você diria sobre as fotos que vem a seguir? Onde estamos?
Adorei a iniciativa. Não sei dizer de quem foi, mas como se trata de uma cidade relativamente pequena e com a participação da população para manter o espaço público sempre impecável, dou o parabéns a todos!
A bicicleta, como meio de transporte no dia-a-dia, não é tão comum no Brasil, por isso mesmo eu poderia esperar essa instalação urbana em qualquer pequeno borgo europeu.
A cidade?
COLINAS, às margens do Rio Taquari, no Rio Grande do Sul, Brazil! (com Z mesmo! hehehe)
Ela se lança, com todo o direito e propriedade, como CIDADE-JARDIM.
De colonização predominantemente alemã, podemos ver a influência dos imigrantes que transmitiram aos descendentes a cultura na arquitetura e no cuidado dos jardins. O charme fica também pela linha de trem que costeia a cidade, passando de vez em quando cheio de carga... lembra outros tempos, outros continentes!
Com cerca de 2.400 habitantes e a 125km da capital do estado, Porto Alegre, a cidade se destaca por manter as ruas impecáveis. A região também oferece muito em termos de esportes na natureza, ainda não muito explorados. #ficaadica
Você pode conferir nas fotos abaixo e no site da Prefeitura mais informações. É só clicar aqui.
| repare nesta casa, feita com pedras da região, o arenito e colocação diferenciada conforme a altura da construção. O jardim emoldura a arquitetura local, muito bem feita. |
| e quase na frente da casa, uma das bicicletas floridas! Muito charme, made in Brazil! |
Apoio muito iniciativas como esta. Garantir o bem comum em uma cidade não depende só de instâncias governamentais. A contribuição da comunidade acaba assegurando que o espaço se mantenha melhor!
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20120326
mude o seu ponto de vista.
Vale a pena ver o video abaixo...
Se trata de uma das cinco suítes de um Hotel em Marselha, França, que a cada ano passa por uma reforma. Sempre buscando algo de inovativo, a criativadade vai ao extremo.
E dessa vez, o Graffiti que se vê na rua acabou indo para dentro do hotel. Tudo foi pensado nos mínimos detalhes, inclusive a metade branca. Afinal o contraste é visto só quando temos o oposto ao lado.
Se trata de uma das cinco suítes de um Hotel em Marselha, França, que a cada ano passa por uma reforma. Sempre buscando algo de inovativo, a criativadade vai ao extremo.
E dessa vez, o Graffiti que se vê na rua acabou indo para dentro do hotel. Tudo foi pensado nos mínimos detalhes, inclusive a metade branca. Afinal o contraste é visto só quando temos o oposto ao lado.
Achei meigo os dois quadros na parte branca! E você, o que achou?
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| os autores |
Ficha técnica:
PANIC ROOM
onde: L'Au Vieux Panier Hotel, Marseille, France
arte: Big Addict Tober Grizz e Don Cho
fotos e matéria: Tilt
20111107
o processo da criatividade
Para quem não entende o quanto o tempo ajuda no processo de criação, seja na arquitetura, arte gráfica, visual, vídeo, design, moda, aqui está um vídeo que mostra claramente a diferença.
10 segundos ou 10 minutos?
Voce que é o cliente pode determinar a qualidade do seu projeto se dá um pouco mais de tempo ao profissional.
Fica a dica: o ser humano é 1% inspiração e 99% transpiração, e é HUMANO.
10 segundos ou 10 minutos?
Voce que é o cliente pode determinar a qualidade do seu projeto se dá um pouco mais de tempo ao profissional.
Fica a dica: o ser humano é 1% inspiração e 99% transpiração, e é HUMANO.
20111022
personalidade do dia. SVICOLANDO
Um dos grandes nomes do design italiano no século XX, Vico Magistretti tem no seu currículo um conjunto deslumbrante e muito variado, dificilmente comparável a outros designers.
Móveis, arquitetura e cotidiano, inspirado pelos ideias modernistas depois da Segunda Guerra Mundial, ele procurou criar um tipo de design anônimo - simples, funcional, racional, elegante - para parecer que o objeto era mais a evolução natural do que uma criação proposital. Daí podemos entender uma famosa frase sua a respeito disso:
SVICOLANDO
A idéia nasceu como um museu a céu aberto. São 20 locações espalhadas em Milão até o dia 28 de outubro, que contam um pouco da vida e do design de Magistretti.
Foram criados dois percursos pela cidade:
itinerário do DESIGN - começando pela Triennale de Milano, se inicia o percurso em 6 showrooms das empresas que contribuíram para a criação da FVM: Artemide, Cassina, De Padova, Flou, Oluce e Schiffini. Em cada um deles estão expostos modelos dos produtos criados exclusivamente pelo designer, sendo praticamente a complementação do Museu.
itinerário da ARQUITETURA - 14 edíficios dos projetos mais significativos, escolhidos pela acessibilidade através dos meios públicos, seguindo principalmente o traçado das linhas de metrô da cidade - conforme ele "a única coisa moderna da cidade". Dá para ver que o cidadão era muito provocatório.
Móveis, arquitetura e cotidiano, inspirado pelos ideias modernistas depois da Segunda Guerra Mundial, ele procurou criar um tipo de design anônimo - simples, funcional, racional, elegante - para parecer que o objeto era mais a evolução natural do que uma criação proposital. Daí podemos entender uma famosa frase sua a respeito disso:
Eu gosto do conceito do design, aquele que é talmente claro e simples que você pode se permirtir a não desenhá-lo. Muitos dos meus projetos eu passei por telefone.Tendo um museu só seu - o antigo escritório foi transformado no "santuário" - a Fundação Vico Magistretti foi fundada em janeiro do ano passado pela sua filha, para preservar e publicar os arquivos, mostrando todas as facetas do designer. Nascido em 1920, formado em Arquitetura no Politécnico de Milão em 1945, acabou deixando todos em 2006, depois de 60 anos de trabalho.
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| a Fundação Vico Magistretti |
SVICOLANDO
A idéia nasceu como um museu a céu aberto. São 20 locações espalhadas em Milão até o dia 28 de outubro, que contam um pouco da vida e do design de Magistretti.
Foram criados dois percursos pela cidade:
itinerário do DESIGN - começando pela Triennale de Milano, se inicia o percurso em 6 showrooms das empresas que contribuíram para a criação da FVM: Artemide, Cassina, De Padova, Flou, Oluce e Schiffini. Em cada um deles estão expostos modelos dos produtos criados exclusivamente pelo designer, sendo praticamente a complementação do Museu.
itinerário da ARQUITETURA - 14 edíficios dos projetos mais significativos, escolhidos pela acessibilidade através dos meios públicos, seguindo principalmente o traçado das linhas de metrô da cidade - conforme ele "a única coisa moderna da cidade". Dá para ver que o cidadão era muito provocatório.
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| a cadeira Selene - inovação na seção S dos pés para dar equilíbrio e resistência aos 3mm de espessura do material plástico |
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| Dalù - Artemide |
| criação para Cassina |
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| Eclisse - Artemide |
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| Maui - Kartell |
20111002
Buscando a primavera brasileira
Muito bem, depois de um tempo de ausência, eis que temos um novo post. "Novo" é modo de dizer já que na verdade eu vou traduzir uma publicaça;a muito bacana sobre o nosso mestre Oscar Niemeyer.
'E muito legal ver que a Arquitetura Brasileira é reconhecida mundialmente através do nome dele. Quem entende um pouco do assunto, e aqui quase todos entendem muito de Arquitetura, Artes, Design, etc, conecta logo o Niemeyer quando eu falo que sou arquiteta brasileira.
A constância não é o meu forte, e isso se percebe no histórico do blog. Talvez porque eu estava tentando aproveitar os dias já não tão longos aqui na Itália, começou a anoitecer as 19h, enquanto que apenas um mês atrás o sol raiava até as 21.30 da noite... Triste pensar que em setembro aqui não tem os pássaros e as flores me esperando, mas de qualquer maneira as folhas secas no chão também tem o seu charme.
Mas vamos ao que interessa:
Logo que eu vi o título do post no blog pensei: PRECISO REPASSAR!!! O texto é longo mas vale a pena :) Se trata da reprodução de uma entrevista dada em 2005 para Gerard Fournier.
Mandei logo um e-mail para o Yul Akors, que administra esse blog sobre arquitetura e urbanismo muito bacana:
http://laboratoireurbanismeinsurrectionnel.blogspot.com/
Foi publicado em 25 de setembro de 2011:
Arquitetura e política: OSCAR NIEMEYER
É muito difícil para os arquitetos conciliar a prática profissional em uma sociedade capitalista com o compromisso político do comunismo. Oscar Niemeyer, arquiteto e comunista, acaba confessando em uma entrevista recente uma certa mea culpa sobre a sua óbvia contradição:
Eu me sinto deprimido com o projeto apresentado. Eu construí edifícios públicos para o Estado, eu trabalhei sempre para os ricos. Nada mais. Eu nunca trabalhei para as classes desfavorecidas, quando a maioria dos meus conacionais fazem parte delas.
Oscar Niemeyer faz parte da alta burguesia do Rio de Janeiro: uma das avenidas mais bonitas da cidade tem o nome do seu avô, rico fazendeiro e então Ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil. Pode nos parecer normal que o filho de uma família próspera, esclarecido e progressista, acabe trabalhando com um dos maiores arquitetos do século XX: Le Corbusier. Em seguida, abriu o seu próprio escritório, sendo requisitado para as obras do governo mesmo tendo declarado em alto e bom som o seu ingresso no Partido Comunista. Na entrevista, Niemeyer, nascido em 1907, conta um pouco da sua longa trajetória.
Brasília, pode ser considerado por você a realização da cidade ideal, um modelo de sociedade?
A idéia de Brasília partiu do então Presidente Juscelino Kubitschek, politicamente um homem de Centro. Eu, então progressista. Me filiei ao Partido Comunista em 1945, mas durante a construção da Capital, éramos conscientes da vida brasileira e acreditávamos que seria uma boa cidade. Mas no momento que a obra terminou, eu levei um choque: era uma cidade moderna, muito bonita, bem contruída, mas como todas as cidades brasileiras, ela continuava com a discriminação, com a injustiça, com a segregação entre ricos e pobres. Estes últimos, como nos grandes centros urbanos, ficaram fora da cidade que eles próprios construíram.
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| Catedral de Brasília |
Como isso foi possível?
Eu era responsável pela Arquitetura, apenas pela Arquitetura. Mas quando eu penso nas cidades, tento imaginá-las para todos os tipos de pessoa. O desenvolvimento industrial se afastou do centro urbano, e juntamente com a indústria, os seus operários. A cidade, para ser digna, deve reunir todas as atividades, todas as pessoas; Poderia ser realizável, desde que se trate os problemas das suas próprias bases. Até aqui é simples: que todas as indústrias não sejam poluentes. Mas um projeto como esse afeta o fundamento principal da sociedade capitalista. E sozinho o arquiteto não tem poder para alterá-lo. Ao menos ele pode se opor ao conceito das 'cidades-operárias', dos 'bairros e casas populares'. Os trabalhadores não necessitam dessa atenção. É necessário mudar a sociedade mas atualmente os projetos arquitetônicos são feitos para a sociedade, refletindo a si própria.
Esta dificuldade causa desconforto entre o militante de esquerda e a sua arte?
O Arquiteto não é um homem solitário. O importante é que se trata da vida, e você deve se sentir satisfeito. A literatura, a beleza, tudo faz parte da vida. E a arquitetura é como todo o mundo: ela quer ajudar e facilitar a todos, neste mundo, nesta realidade cada vez mais veloz.
Lição de arquitetura e um símbolo
Um olhar para uma cidade diferente, sim, e mais bonita, mais fraterna, sem discriminação ou monotonia. Logo, acho que o estudo da arquitetura deveria se livrar das disciplinas que acarretam na 'engenharização das coisas' e ser melhor colocada no mundo em que vivemos. Nós temos que ir além e olhar para outras perspectivas. Melhorar também os barracos nas favelas. Como diria Pessoa: 'eu não leio literatura, sei tudo'.
A arquitetura selvagem, individual e remendada que surgiu nos Estados Unidos, por exemplo, representa a vontade de fugir da funcionalidade? É simplesmente para escapar da monotonia repetitiva. Mas este é um caminho falso. Existe muito material a disposição, para estudarmos e entendermos, para construir obras como as antigas Igrejas, encontrando o sentimento que Freud chamou de "oceânico".
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| Monumento JK. Brasília |
Você acredita que o seu trabalho corresponde ao seu ideal como ativista político?
Não. Tudo o que eu faço é criar emoções. Mas o arquiteto não está sozinho, nem fica calado. Ele deve levantar a voz para denunciar o que ele condena, não se tornando cúmplice. Assim como o trabalho de Gorki ou de Garcia Marquez engajados politicamente. E também tem a parte de Proust, é isso e aquilo, indissoluvelmente.
O golpe militar obrigou Niemeyer ao exílio, passado na França, onde foi amigavelmente acolhido pelo Ministro Andre Malraux e seus companheiros comunistas franceses. Ele realiza então a sede do Partido Comunista Francês (PCF) e a Praça dedicada ao Coronel Fabien. Para financiar o então ousado projeto de avanguarda para a Sala Central do Comitê, conhecida como 'bolha', Niemeyer recusou os seus honorários.
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| A 'bolha' do Partido Comunista Francês |
Oscar Niemeyer retornou ao Brasil somente em 1980 e sendo sempre fiel ao comunismo. E como tal ele se coloca ao lado da Revolução Cubana de Fidel Castro e da Perestroika de Gorbachev.
O seu compromisso com o comunismo ainda é o mesmo?
Eu estou feliz, continuo na mesma estrada. Eu saí da escola, de uma família burguesa e com meu avô como Ministro do Supremo Tribunal Federal. Percebi que era necessário mudas as coisas, e imediatamente. E o caminho era o Partido Comunista. Me afiliei e até hoje continuo nele, seguindo seja nos bons ous maus momentos, como a vida impõe. Quando eu falava em Arquitetura, eu costumava dizer que a vida é mais importante do que ela. Que a vida pode mudar muito mais as coisas do que a Arquitetura. Eu acredito e digo a todos, arquitetos e estudantes, que não basta sair da universidade para ser um bom arquiteto. Você tem que ter conhecimento sobre a vida humana, a sua miséria, o seu sofrimento, para então fazer a Arquitetura de verdade, para criar.
O importante é compreender a vida e a importância de mudar o mundo. Buscamos a coerência. Todas terças-feiras eu faço um encontro no meu escritório com estudantes, intelectuais, cientistas e letrados. Nós trocamos idéias sobre filosofia, política, sobre o mundo, queremos entender a vida, mudá-la, para então mudar o ser humano.
No entanto, em um primeiro momento eu sou pessimista. Eu penso que o ser humano tem muita pouca perspectiva, mas deve viver honestamente, conviver. Na segunda fase, eu compreendo que devo ser menos pessimista para ser mais realista. Compreender que a vida pode ser implacável com as pessoas, que cada um há a sua história. Existem muitas injustiças. O meu engajamento no Partido Comunista me deu esperança, solidariedade para lutar por um mundo melhor.
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| sede da Editora Mondadori em Segrate, Itália. |
Qual a sua opinião sobre a situação política do Presidente Lula no Brasil, e em particular, sobre a evolução política na América Latina em geral?
Precisamos transformar a América Latina em um pólo de batalha, resistindo ao imperialismo americano. Entender que o povo americano é igual a qualquer outro, mas que a sua política é uma ameaça a toda a América Latina. Devemos nos proteger. Eu gostaria que o Lula fosse o líder dessa luta. Nós não vemos o seu governo ser muito amigável com o americano. Mas eu não sou pessimista, o movimento popular e progressista toma força, dando a impressão que o povo quer reagir a tudo isso.
Eu acho que quando a vida é muito difícil, a esperança brota do coração dos homens. Temos que lutar, temos que fazer a revolução. Não podemos tentar melhorar o capitalismo: ele é a fonte do que tem de pior no mundo. Precisamos de pessoas jovens engajadas, envolvidas para entrar na luta. Eu sei que o momento não é o mais proprício, mas temos que ter esperança.
20110627
[tema do mês] ARQUITETURA ITALIA-BRASIL
Já fazem alguns dias que eu gostaria de escrever esse post.
Como é um assunto que me interessa, queria dar o tempo devido a ele, já que escrever às pressas acaba desvalorizando-o.
Para quem não conhece ela, é a idealizadora do MASP.
Às vezes paro para pensar que, como as mulheres foram inseridas tardiamente no mercado de trabalho, são poucas as que receberam o devido louvor pelo seu trabalho. Em algumas áreas isso aconteceu mais em outras menos. Sem querer entrar no discurso feminista, mas já entrando, penso que o movimento nasceu de forma errada. Ao invés de "igualdade", o que sucedeu foi o acúmulo de atividades em uma só pessoa. Equilíbrio é tudo, e buscar ele quando estamos indignados nos leva ao oposto dele.
Sem mais divagações, vamos à história dessa arquiteta.
Nascida italiana e posteriormente naturalizando-se brasileira, Lina Bo se formou em Arquitetura na sua cidade natal, Roma e daí partiu para Milão, onde trabalho com Giò Ponti. Detalhe: isso aconteceu um pouco antes da Segunda Guerra Mundial.
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| Concattedrale de Taranto. 1964-70 |
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| Igreja Sao Francisco, em Milao. 1964 |
E aqui abro a primeira parêntese:
Giò Ponti se formou em Arquitetura logo após reprender os estudos, interrompidos pela Primeira Guerra Mundial. Literalmente, outros tempos. Pensar que você tem que interromper tudo, porque estão bombardeando o seu país, e além disso ir lutar por ele... Nos primeiros anos teve sociedade com outros arquitetos, até começar a cuidar das exposições bienais e trienais. Ainda no final da década de 20 ele fundou a revista Domus, atividade editorial que teve que ser abandonada por causa da Segunda Guerra. Eis aí ela de novo.
Parêntese da parêntese: a revista Domus, juntamente com a Casabella acabou sendo o centro cultural da arquitetura e do design italiano na segunda metade do século XX.
Continuando com o nosso amigo Ponti, em 1933 ele organiza a primeira mostra na Triennale di Milano. Na mesma década desenha os trajes para o Teatro alla Scala, participa da ADI (Associação do Desenho Industrial), sendo um dos encorajadores do premio Compasso d'Oro, e em 1936 passa a ser professor da Faculdade de Arquitetura no Politécnico de Milão.
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| até o ano passado o Pirelli era o edificio mais alto de Milao. Sede do governo da regiao da Lombardia. Icone da cidade e do modernismo italiano. 1956-1961 |
Voltando à Lina,
Depois de trabalhar com Ponti, ela abre o seu próprio escritório. Porém ele é destruído durante um dos bombardeios em 1943.
Segunda parêntese:
Vale lembrar que quando a Itália (Mussolini) resolveu passar para o lado dos aliados, foi severamente atingido pelas forças alemãs. E Milão, sendo ao norte, não foi poupada. A corso de Porta Ticinese, muito perto do centro e do Duomo, teve grande parte dos seus edifícios detruídos, além da estrutura metálica da Galleria Vittorio Emanuele.
Depois disso, Lina começou a atuar ativamente na política, com o Partido Comunista Italiano, documentando a destruição que tomou a Itália nos anos da guerra ao participar do Congresso Nacional da Reconstrução.
Com Bruno Zevi ela criou a revista setimanal 'A cultura da vida'.
Em 1946, já casada com Pietro Maria Bardi, ela se transfere para o Brasil, onde a sua criatividade explodiu! Em 1951 ela, já cidadã brasileira, projeta a Casa de Vidro, no então novo bairro Morumbi.
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| A Casa de Vidro, residencia do casal, quando construida ficava em terreno todo aberto no entao recém bairro Morumbi. |
Terceira parêntese:
Uma das primeiras obras modernistas no Brasil, a Casa de Vidro mudou o conceito de morar. As paredes até então prevalentemente opacas, são totalmente transparentes. O habitar se torna público, enquanto que o espaço público se transforma em parte do privado.
Mais tarde, através de uma idéia lançada por Assis Chateaubriand, Lina projeta o famosíssimo MASP. Super hiper modermo, brinca com o conceito da arquitetura velha e tradicional da Europa, ao mostrar que uma super estrutura pode suportar todo um edifício inteiro no ar.
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| MASP - Museu de Arte Assis Chateaubriand. 1956-1968 |
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| O colorido e a quebra da verticalidade em Sao Paulo. |
Uma mulher de caráter muito forte, uma sua frase célebre acaba remetendo ao que falei antes do feminismo: "Como ser feminista? As feministas tem voz de galinha e falta de conteúdo"
Concordo com ela. Aliás, nunca entendi porque para mostrar o feminismo, queimaram o sutiã!!!! Uma peça utilíssima. Anatomia não tem nada a ver com forma de pensar e queimar algo que tem a sua função me parece só burrice, ou melhor, parece que aquelas que queimaram eram as primeiras a se considerarem objeto. Enfim, assunto polêmico.
Outra obra muito importante da Lina foi concluída em 1990, o Sesc Pompéia, que ainda não tive oportunidade de visitar.
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| Sesc Pompeia - arquitetura moderna e ludica. 1990 |
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20110425
coisas da italia: pascoa na Lombardia
Hoje o assunto é a Colomba.
A Itália, todos nós sabemos, é um dos países mais ricos em termos de cultura. Não só arquitetura, moda, design e História fazem parte dessa complexidade. Cada região, cada cidade, pela conformação geopolítica, tem a sua própria identidade como dialeto e culinária.
Nesse último quesito entra a tradição Pascal italiana que vem se espalhando pelo mundo. Como os personagens do carnaval, cada um atribui a origem para o seu lado.
Nascida na região da Lombardia (onde se encontra a cidade de Milão), a receita desse bolo doce, com variações ao chocolate, sem frutas secas, com açúcar de confeiteiro ou a tradicional completa com amêndoas, teve como objetivo açucarar um rei que dominava os borgos do rio Ticino para convencê-lo a não invadiar a cidade de Pavia, então a capital do reino Lombardo.A forma dela nasceu da idéia de trazer a paz ao território, remetendo à pomba, ou como se diz em italiano, à Colomba.
Mais do que um ovo de chocolate, toda casa italiana que se preze tem a sua Colomba à mesa no domingo de Páscoa. Fica a dica!
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| Colomba tradicional |
FELIZ PÁSCOA!
20110324
um pouco de cor. PRIMAVERA
Olá!
Preparei um discurso bem legal sobre: porque eu abandonei o blog. Mas convenhamos, isso não interessa!
Esse não é para ser um blog sobre minhas experiências e diário da minha vida. É simplesmente para transmitir coisas que eu acho interessante.
Hoje o tema é: PRIMAVERA
Ela chegou! Período de renovação, onde o broto que surgiu no inverno se faz em folha e flor. E aqui em Milão não é diferente do hemisfério Norte. Ainda não está tudo plenamente florido, mas o sol começou a esquentar, o céu azul voltou, e a temperatura subiu e os dias estão mais longos!
Não tinha parado para pensar, mas assim como o Natal tem o Papai Noel ultravestido e árvore de Natal com direito a flocos de neve, o coelho é estreitamente ligado a estes lados.
coelho = procriação, filhotes = vida = todo mundo saindo do casulo = primavera
Mas antes que chegue a Páscoa muita água vai rolar, ainda mais porque este ano ela é só no final de abril.
E como para mim primavera significa COR, aí está uma fonte de inspiração para colocar um pouco dentro de casa.
BOA QUARTA-FEIRA A TODOS!
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| retirada do site SeeSaw: uma boa poltrona para ler a coleção das publicações DOMUS (que não está em ordem para formar a palavra) e luminária Nessino Artemide (essa eu tenho aqui em casa!) |
20110221
um pouco de verde.
VERTICAL GARDEN DESIGN
Como se faz:
E você, vê utilidade em mais situações?
Mais uma segunda-feira com a manhã cinza aqui em Milão. Em um inverno longo demais para o meu gosto, falta um pouco de verde na paisagem.
Para vencer esse "marasmo monocromático", achei interessante publicar o trabalho de Michael Hellgren, arquiteto e paisagista sueco, que desde 2004 fundou o Vertical Garden Design: porque nós não precisamos de apenas superfícies horizontais para criar um belo jardim. A idéia partiu da tese final de graduação, o fatídico TFG, em base a uma técnica desenvolvida por Frenchman Patrick Blanc.
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| Natura Tower, Lisboa. Sede da MSF Offices |
Vamos às vias de fato:
O sucesso da instalação depende da escolha adaptada ao contexto onde será colocada, ao micro-clima e à exposição solar natural.Quanto melhor aplicada for essa parede verde, exigirá uma menor manutenção no futuro.
A grande sacada está em escolher bem as espécies de plantas. Uma parede vertical recebe a luz na transversal, e não na zenital como acontece em um solo normal. Saber como a vegetação se comporta nessa situação é essencial, ainda mais ao longo de todas as estações do ano. Por isso, uma boa variedade de plantas não só resulta em uma parede mais interessante, como é sempre instigativa, mutável.
Loja conceito da Replay em Firenze. Modelo repetido na nova loja em Milão.
Como se faz:
A estrutura que suporta o jardim é feita com base em PVC-board 10mm tendo uma câmera de ar que a separa da parede do edifício (isso para impedir a umidade). Sobre essa base, são fixadas diversas camadas de um material sintético e altamente absorvente, tipo um feltro, e através de rasgos são inseridas as plantas. Esse mesmo material ajuda também a suportar mecanicamente as plantas conforme elas forem crescendo.Como não existe terra, essa estrutura acaba sendo muito leve.
A irrigação também é calculada para desperdiçar o mínimo possível de água: a superfície vertical é dividida em zonas que respeitam a diferença de exposição solar e calor recebidos. Inteligente, não?
A iluminação também foi calculada (nessa hora fico imensamente feliz em ver que o meu trabalho tem serventia!).
O sol emite mais de 100mil lux (!). * isso significa muita luz realmente se pensarmos que uma noite estrelada tem 0.1lux. Por isso, sendo a instalação do jardim vertical feita no interior de edifícios, deve ser complementada com uma iluminação artificial. Poucas espécies sobrevivem com menos de 900lux porém acentuar a luz em alguns pontos é uma abordagem para poder utilizar várias espécies ao mesmo tempo. * já que uma iluminação uniforme como a do sol é quase impossível de simular em uma parede, em distância e distribuição luminosa, pois o a luz parte de um ponto (esférico ou linear) e muito mais próximo à superfície.
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| um pouco de verde no banheiro também pode ser uma boa idéia |
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| o metrô também ganharia ares mais limpos... |
E você, vê utilidade em mais situações?
20101219
Gubbio
Continuando a série ¨Luzes de Natal¨, em dezembro vale dar uma conferida na maior árvore de Natal do mundo.
Muita calma nessa hora, antes de criarmos uma imagem mental de uma árvore natural gigantesca, explico que a ¨árvore¨ em questão é uma estilização, uma representação. Como: distribuindo postes de luminárias ao longo de toda uma colina. Sim, de uma colina!!!! O desenho final obviamente é uma árvore de Natal.
De perto não se consegue ter a nitidez do desenho, mas distante um par de km, na auto-estrada, o show é sensacional. São muitos os carros que param ao longo da estrada para tirar uma fotinho.
Onde: Gubbio, na província de Perugia na Itália.
A cidade em si já merece uma parada estratégica em qualquer viagem, turística ou não. Procurando rapidamente alguns dados no Wikipedia, descobri que é a mais vasta da região, em termos de superfície, e a 7a maior na Itália! Mas não é por isso que você deveria incluir ela na meta de viagens.
Próxima à cidade de Assisi, onde San Francesco viveu praticamente durante toda a sua fase religiosa, Gubbio é mencionada na Bíblia pela história do Santo com o lobo. Mas a sua história é muito mais antiga.
O que vale é que a cidade é charmosíssima. Incrustada no Monte Ingino, percorrer os seus vícolos imaginando a vida de um tempo atrás não tem comparação.
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