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20110222

[carnaval] 4: Pulcinella

E essa semana vamos em direção ao sul da Itália: 

PULCINELLA

  

Máscara originária de Nápoles, mais especificamente Acerra, POLECENELLA, é tão importante para a região que desde 1992 tem um museu todo seu: www.pulcinellamuseo.it, foi inventada oficialmente por Silvio Fiorillo na metade de 1500.

Ao contrário das máscaras anteriores que representam personagens urbanos, essa nasceu em um contexto campestre, um conterrâneo estúpido e engraçado.

Como as demais máscaras, existe mais de uma versão para a sua origem, muito mais antiga que a sua oficialização. 
* Para alguns, Puccio D'Aniello entre outros, e estou falande de pessoas que realmente existiram durante a época medieval (!), deram corpo e alma ao primeiro Pulcinella. Mas por que Puccio D'Aniello ficou famoso: porque ele foi retratado pelo pintor Annibale Carracci no quadro que inspirou Silvio Fiorillo.
* Já para outros o nome vem de Policinello, que seria um pintinho e por isso a sua máscara com o nariz tão pontiagudo que lembra um bico. E essa é a versão mais simples.
* A terceira versão é que o personagem herdou de Maccus da Comédia Atellana. Ele é um dos personagens mais bobos e engraçados, às vezes sátiro, servo com um nariz comprido e rosto irregular e uma boa pança! Suas roupas eram largas, camisa e calças brancas, além de portar uma "meia" máscara. A Comédia Attalana, um tipo de espetáculo muito popular na Roma Antiga, podendo ser comparada ao teatro popular de hoje, havia um público de classe baixa, era apresentada na região da Campania (século IV a.C.).  Porém e sempre tem um porém, muitos dizem que a máscara lembra mais outro personagem da Comédia, Kikirrus, que já pelo nome remete ao canto do galo - vide o post - e daí viria o nariz da máscara de Pulcinella.


Mas eis que Pulcinella virou o antagonista de Arlecchino!!!! 
Isso aconteceu quando a Cia Treatal levou a peça de Nápoles ao norte da Itália. 

20110213

[carnaval] 3: Pierrot

Terceiro personagem a ser revelado, ao meu ver a máscara mais famosa de todas. Nunca entendi como alguém no Carnaval podia ter uma lágrima no rosto... aquela melancolia que normalmente a criança não entende.

Vamos então à mascara do dia:



PIERROT

Temos duas versões para a sua origem:
A primeira parte do da idéia de que não é original da Itália mas que teria vindo da França. Seria uma poucas máscaras "importadas". Nota: fato extraordinário em uma terra que valoriza acima de tudo as suas tradições locais. 
Por isso a segunda versão pode, ou ser uma tentativa de nacionalizar o personagem ou então ser a verdadeira: o nome Pierrot seria a versão francesa de Pedrolino, da Commedia dell'Arte, no final do século XVI.

Mas continuando com a história, a princípio Pierrot era um servo considerado bobinho e ingênuo. Só que o ser preguiçoso dele escondia uma inteligência como de poucos. Correto no falar, muitas vezes ele corrije os patrões e finge não entender quando quer, fazendo exatamente o contrário daquilo que ordenaram. 
Com o tempo se transformou num clássico personagem romântico, violeiro, apaixonado e sempre com um ar de tristeza sob a sua veia cômica, perdendo um pouco esse lado "debochado" com o patrão. Essa seria uma adaptação para o teatro francês (de acordo com a segunda versão).



Traje: camisa ampla, estreita na cintura, e calças brancas. Acessórios em preto.


20110205

[carnaval] 2: Arlecchino

Hoje chegamos em Bérgamo, no norte da Itália. E é daqui uma das máscaras mais famosas e antigas do carnaval italiano:



ARLECCHINO
O personagem tem origem tão antiga que fica difícil reconhecer uma versão confiável. Alguns dizem que se pode encontrar nas figuras do "diabo brincalhão" das fábulas medievais, ou então no "bobo da corte" entre saltimbancos e acrobatas.
Nasceu na Bérgamo baixa (a cidade é conhecida como Bérgamo alta - mais antiga e rica - e Bérgamo baixa - onde ficavam os bairros mais pobres), falava inicialmente no dialeto bergamasco passando depois a usar o dialeto vêneto, mais doce e suave.

evolução do traje
Caráter:
com um jeito extravagante de ser, apronta muitas, e procura sempre dar um jeitinho para não trabalhar e enganar o patrão (Pantalone), só que nunca dá certo. Não que ele seja estúpido, o problema é que ele é ingênuo só que cheio de imaginação e fantasia. E por isso faz uso da sua eloquência tanto falando, contando piadas e divertindo a todos, como com suas piruetas e esquisitos saltos acrobáticos.
Roupa: 
inicialmente era todo branco. Com o tempo, remendando com pedaços de tecidos aleatórios,  se transformou no traje conhecido por todos: uma jaqueta e calças com losangos e triângulos de todas as cores.

apresentação teatral



20110125

todo carnaval tem seu fim



Vou fazer como dois filmes que adoro: começar pelo fim. Está de acordo com o meu estado de ânimo nesse momento, porque odeio despedidas e ultimamente me deparei com duas grandes e tem outra em breve.

Todo carnaval tem seu fim. 

Mas de onde começou essa estória de Carnaval? Lembro de alguma coisa ligada ao Cristianismo. Aqui na Itália esse assunto rende muito, o mais conhecido é o de Venezia, mas cada cidade tem rituais próprios, dignos de serem contados em vários posts, assim como máscaras e fantasias (Colombina, Arlequim...).

Mas voltando ao assunto carnaval, dando uma rápida pesquisada, se fala de tempos gregos, quando a sociedade era muito rígida (em termos de posição social) e o momento de brincar e esquecer tudo isso era justamente durante o período que coincidia com o inicio do ano solar, ou equinócio de primavera. Ou seja, o Carnaval era o Reveillon de um tempo.

E daí eu penso (e muito cuidado com isso porque sou loira): então está certa aquela famosa frase que se fala no Brasil - o ano só começa depois do carnaval. Viu só como somos sábios?


E prestando uma homenagem à musica dos Los Hermanos com o título desse post, aí está o link para escutar uma boa música brasileira. 






Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz.