Olá!!
Acabei de criar um blog exclusivo para assuntos políticos, fatos econômicos, medidas governamentais e devaneios sociológicos, assim minha cabeça e minhas potagens seguem uma lógica!
Os posts publicados nos últimos dias foram transferidos na íntegra para o Do grão ao cafezinho.
São eles:
Sou filhinha de papai
Por mais 4 anos
1º dia após as eleições
O próprio nome do novo blog relata a ideia geral que irá permear o conteúdo: do grão ao cafezinho existe todo um processo que envolvem várias etapas e tempos.
Este é o resumo da História da Humanidade e também da natureza, e também da política. Por isto, nada pode ser analisado separadamente!
Boa leitura!
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20141028
20130706
reinterpretando a história
Passados alguns dias depois de toda comoção nacional em manifestações pelo Brasil, algumas conclusões já se percebem.
1. Manifestações urbanas com um público tão variado - idade, motivações, etc - e um número tão grande realmente nos faz pensar que temos muita coisa errada no Brasil. Além de uma simples frase indignada trocada com amigos e familiares, nos faz refletir melhor. O tema ficou recorrente entre todos e em todos os meios e formas de comunicação.
Manifestar, como o próprio termo quer dizer na sua etimologia, é tornar público.
2. Vândalos sempre existem, e infelizmente, estão em todo o lugar. O que cansa é ver sempre um movimento pacífico terminar com a notícia de quantas coisas foram destruídas ao invés de ter o seu valor reforçado como última mensagem.
3. A polícia deve proteger o patrimônio público e também a população. Ela é formada por pessoas que enfrentam os mesmos problemas de todos, todos os dias. A instituição não deve se esquecer disso e achar que é diferente do resto.
4. Os políticos ficam ressabiados. Não diria com medo, pois tudo continua na sua normalidade para eles, a não ser receber um pouco mais de atenção da mídia sobre ALGUNS projetos de governo e ações.
5. Não podemos pensar que só com a manifestação se consegue uma grande mudança. Atenção para os resultados obtidos imediatamente, a História já mostrou que em muitos desses momentos se dá uma migalha a um povo faminto quando a verdadeira revolução que se deveria fazer fica abafada pelo acontentamento geral.
E do item 5 temos já alguns acontecimentos:
5a. Renan Calheiros - nomezinho que já tem um passado bem discutido e discutível, continua no governo como o principal representante de um dos Poderes (VERGONHA 1!) - com o uso indevido de um bem a ser utilizado apenas para fins de trabalho, pago por todos nós, que ainda se acha no direito de pensar em pagar ou não.
5b. A nossa Presidente, que em todos os discursos nem sequer aprofundou um mindinho sobre nenhum dos assuntos expostos na manifestação (VERGONHA 2!). Criou uma realidade paralela e para não dizer que não fez nada, propôs SÓ 5 itens de um Plebiscito. Plebiscito este, que DO NADA se transformou na pauta principal (para esconder que outros argumentos tratados obscuramente?), para representar uma REFORMA POLÍTICA DISCUTIDA E ESQUECIDA HÁ MUITO. E 5 itens que não só ignoram o pedido do povo, assim como os discursos anteriores, como muda o enfoque para uma REFORMA ELEITORAL (VERGONHA 3!).
E daí vem a mais triste constatação:
A MIGALHA FOI DADA. E O POVO ESTÁ SE ACONTENTANDO.
- O povo geral acha que está dando resultado. Reforma Eleitoral no lugar de Reforma Política. Sim, somos palhaços.
- Rejeição da PEC (ao menos uma coisa que parece interessante).
- A Cura Gay foi cancelada - temporariamente. (VERGONHA 4 sobre a audácia da "cura").
- Ninguém foi condenado efetivamente, a não ser o "primeiro parlamentar que teve a condenação decretada em serviço" Natan Donadon. (VERGONHA 5 por ser só o primeiro)
Termino com apenas um pedido a mim, a todos:
MEMÓRIA!
Um povo sem memória que só reivindica não só continuará insatisfeito, como continuará votando nos mesmos.
Um país do tamanho do Brasil não se muda em 4 ou 8 anos. Exige tempo, paciência, coerência, força de vontade e memória.
----------------------------
E para exemplificar todo o meu descrédito no real interesse do governo em atender o povo, replico algumas manchetes e frases da revista Veja, edição 2328. Não farei meus comentários se sou a favor ou contra do que está escrito.
Então é no grito?
O golpe da consulta popular - O PT tenta imprimir verniz democrático à ideia, mas o objetivo de plebiscito é dar mais dinheiro ao partido e instituir o voto de cabresto.
Não é que funciona mesmo? Em poucos dias, os protestos conseguiram a façanha inédita de fazer o Congresso aprovar projetos contra a corrupção, os governos reduzirem tarifas e o Judiciário mandar um político para a cadeia. O grito dos manifestantes acordou os três poderes.
O congresso pega no tranco - Lei mais dura contra a corrupção, fim do voto secreto, cassação imediata de deputado preso, rejeição da PEC que limitava os poderes do Ministério Público...
O dilema Rousseff - A verdadeira sabedoria de um governante não está em fazer a coisa certa, mas em saber o que é certo fazer. A presidente Dilma sabe o que é certo, mas optou pelo errado para não brigar de vez com seu partido, o PT.
Em quem eles vão votar?
O fim do resto
Quem quer que tire as suas conclusões. A minha eu já tenho e nem por isso fico satisfeita em permanecer com ela.
20121024
eu sou do sul parte 2. this is brazil!
É engraçado como às vezes vemos situações que dependendo a situação poderiam parecer mais do que normal, em outras nos faz pensar: mas onde estamos mesmo?
Continuando a série - eu sou do sul - e falando das coisas boas daqui (ok, sou bairrista, mas a um nível saudável), passando de carro hoje por uma cidadezinha próxima à minha, não resisti e tive que parar para tirar umas fotos e mostrar que aqui no Brasil também existem situações pitorescas, bonitas e simples!
O urbanismo com certeza não é o mesmo da Europa, até por uma questão histórica - e não só cultural - mas o que você diria sobre as fotos que vem a seguir? Onde estamos?
Adorei a iniciativa. Não sei dizer de quem foi, mas como se trata de uma cidade relativamente pequena e com a participação da população para manter o espaço público sempre impecável, dou o parabéns a todos!
A bicicleta, como meio de transporte no dia-a-dia, não é tão comum no Brasil, por isso mesmo eu poderia esperar essa instalação urbana em qualquer pequeno borgo europeu.
A cidade?
COLINAS, às margens do Rio Taquari, no Rio Grande do Sul, Brazil! (com Z mesmo! hehehe)
Ela se lança, com todo o direito e propriedade, como CIDADE-JARDIM.
De colonização predominantemente alemã, podemos ver a influência dos imigrantes que transmitiram aos descendentes a cultura na arquitetura e no cuidado dos jardins. O charme fica também pela linha de trem que costeia a cidade, passando de vez em quando cheio de carga... lembra outros tempos, outros continentes!
Com cerca de 2.400 habitantes e a 125km da capital do estado, Porto Alegre, a cidade se destaca por manter as ruas impecáveis. A região também oferece muito em termos de esportes na natureza, ainda não muito explorados. #ficaadica
Você pode conferir nas fotos abaixo e no site da Prefeitura mais informações. É só clicar aqui.
| repare nesta casa, feita com pedras da região, o arenito e colocação diferenciada conforme a altura da construção. O jardim emoldura a arquitetura local, muito bem feita. |
| e quase na frente da casa, uma das bicicletas floridas! Muito charme, made in Brazil! |
Apoio muito iniciativas como esta. Garantir o bem comum em uma cidade não depende só de instâncias governamentais. A contribuição da comunidade acaba assegurando que o espaço se mantenha melhor!
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20121021
2016. Rio
Desde o final das Olimpíadas de Londres, o mundo está se voltando para o Brasil - por causa da Copa do Mundo - e para o Rio de Janeiro, próxima sede dos jogos.
Eis que aos poucos as notícias aparecem.
Primeiro, há uns meses atrás, foi a vez do mascote - ainda sem nome - ser apresentado à sociedade.
Breve observação antes de continuar o post: fato lamentável foi o que aconteceu em Porto Alegre, sendo gaúcha, me senti envergonhada da direção ignorante de um protesto. Parece hipocrisia, em um mundo onde o espaço público está cada vez mais comercializado, colocar esta revolta em um símbolo que - mesmo patrocinado por uma multinacional - serve para destacar quem somos para o mundo. E destacar no sentido bom da palavra, já que mulher pelada, carnaval e caipirinha todos conhecem.
Pois bem, retorno ao tema original: a nova notícia é sobre a fonte a ser utilizada para as Olimpíadas. O escritório Dalton Maag homenageou o próprio Rio de Janeiro, com seus monumentos, arquitetura e as belezas natirais, transportando estes para o desenho das letras e números.
No vídeo você pode ver um pouco do dinamismo dela.
E aí, gostou?
20120609
1 semana
Pois bem, quanto pode mudar a sua vida em uma semana? TOTALMENTE.
Os últimos dias representaram a minha volta para o Brasil, para o sul do Brasil. Após 4 anos 7 meses e 8 dias, a minha experiência na Itália chegou ao fim.
Ainda não deu tempo de estruturar a vida por aqui e aquela até então realidade quotidiana não existe mais. A sensação é estranhíssima: ver o próprio apartamento ser esvaziado - os móveis eram todos meus e um transporte trans-oceânico não era o mais conveniente, economicamente falando - e o gostinho do dia-a-dia perdendo a sua identidade, parar totalmente com a rotina de ir trabalhar das 9h às 18h, não pegar mais o metrô (lotado!), não almoçar mais no baretto que praticamente tinha virado a extensão da minha casa com a simples e maravilhosa insalata de todo santo dia e o mais fundamental: não ver mais as pessoas com quem você está acostumado a passar todas essas horas, mesmo as mais irritantes e estressantes.
O fator positivo que não tem preço, é voltar para mais perto da família, não perder mais aqueles momentos simples e breves que só a proximidade pode oferecer. O que realmente importa é que o final não é necessariamente definitivo. Eu diria que acabou esse período de Master e pós-Master com um trabalho mais interessante ainda.
Tudo bem, talvez eu poderia ter escolhido uma outra ocasião para retornar pois acabei emendando dois invernos. A temperatura mínima nos últimos dias tem beirado o negativo, só que aqui no Brasil não existe calefação centralizada como em todos os edifícios europeus. O que nos resta é queimar lenha e botar fogo na lareira e no fogão a lenha, o que também tem o seu valor! Aconchego ao redor da lareira, tomando chimarrão e comendo pinhão: eis o charme do inverno gaúcho.
Falando com uma amiga, também com muito tempo vivido no exterior, ficou a vontade de ter escrito as minhas primeiras impressões no meu retorno. Agora, querendo ou não, já estou me acostumando com os hábitos daqui e muitas das surpresas iniciais não estão mais presentes. Porém posso listar algumas coisas que fiz fatica:
Dizer obrigado em português: exigiu a minha concentração nos primeiros dias, já que a tendência é continuar com o bom e velho grazie.
Chegar nos lugares e ao invés de dar oi, dizer ciao. E quando me despeço, seja pessoalmente ou por telefone, o ciao ciao ficou. Ao menos esse dá para entender.
Antes de começar a comer, saudar a todos com o buon appetito. Esse eu espero não perder. Acho charmoso e bem educado.
Confundir os verbo ser e estar na frase, quando esses são auxiliares.
Conjugações verbais ou a ortografia de algumas palavras... Ontem foi a vez da massagem. Achei estranha a palavra escrita. Parece mensagem.
Discar o número do telefone inserindo o número da operadora.
Cappuccino com chocolate e canela.
As novas notas do Real e os preços altíssimos. Agora gastar 10 reais é como gastar 2 há cinco anos atrás.
Ou então tentar pedir uma água natural ao invés de uma água sem gás no bar.
Edifícios e jardins com grades... Em Milão ou o próprio edifício faz as vezes de grade porque é grudado na calçada, ou o jardim frontal é sem grades.
Paradas de ônibus sem o tempo de espera e poder comprar a passagem com o cobrador, dentro do ônibus!
Ter a sensação de ser de outro planeta quando tento falar com os outros, porque se percebe que o meu português não é mais daqui. Não sei dizer nem de onde ele é!
Agora aproveito o solzinho desse pré-inverno gaúcho para relaxar após o almoço com algumas imagens daqui.
Um bom sábado a todos!
| Onde me encontro exatamente agora. |
![]() |
| o frio dos últimos dias. |
| os meus últimos quase 5 anos em 6 malas. |
20120129
20111106
Brasil . notícias da Italia
Senti muito orgulho ao ler o artigo publicado no site do jornal italiano La Repubblica, no caderno D.
O titulo: Brasil, o eldorado da moda.
Um recente estudo mostra que o nosso país cresce no mesmo ritmo da China, se tornando um dos mercados mais interessantes no sistema Fashion.
Posso dizer particularmente que em tantas coisas nos destacamos: as roupas, por exemplo, não são somente pelos cortes mais fluídos, mas também pelas cores, as estampas; o mais normal de se encontrar aqui em Milão são pessoas nos tons neutros, predominantemente preto ou cinza, e no máximo uma ou duas cores. Missoni é um dos poucos que se destaca da média geral. Nos sapatos duas marcas mais do que famosas são a Melissa e as Havaianas. Nos últimos anos têm entrado com bastante força também a Ipanema. Da primeira, Melissa, virou até fonte de inspiração para a Kartell começar a se introduzir nesse ramo também, produzindo rasteirinhas muito parecidas com as nossas tupiniquins.
Mas voltando ao artigo do site, como primeiro parágrafo eles citam os maiores pontos turísticos quando se pensa em Brasil por esses lados. Logo de cara, diz para esquecer o Pão-de-Açúcar, o carnaval. A Fundação Altagamma, que compreende as maiores empresas de qualidade daqui, afirmou a importância, o crescimento e a autonomia do Brasil para o mercado fashion italiano. Como um dos pontos chaves, eles se concentram no fato de que a crise mundial de 2009 afetou pouquíssimo a nossa economia, e mesmo a confusão atual está sendo menos sentida se compararmos com o resto.
"Os consumidores brasileiros mostram uma maior abertura na procura do bem-estar, e sempre um maior interesse pelos bens de consumo, principalmente da moda." Quem afirma isso foi ninguém menos que Paolo Anselmi, vice-presidente da GFK-Eurisko.
Nesse panorama do nosso quadro sócio-cultural, em 2010 a faixa de população que tem um capital líquido de ao menos 1 milhão de dólares teve um crescimento de 5%, enquanto que os milionários são mais de 5.000 pessoas. Milionários eles entendem quem tem mais de 30 milhões de dólares na carteira. Ok, estou um pouco longe disso. Os artigos de luxo são cada vez mais procurados pelos brasileiros.
Carlos Jereissati, CEO do grupo Iguatemi, prevê um aumento da classe média chegando a representar 60% da população até 2014. Para ter uma idéia, em 2002 a classe média correspondia a 38%.
O estudo da Bain&Co evidencia três tipos de consumidores:
1. Os já nascidos muito ricos, com um consumo mais tradicionalista nos bens de luxo;
2. Os expatriatos que trabalham no país;
3. E os jovens concentrados nas grandes metrópoles - Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília - que têm como característica de consumo a mesma da Europa. (no artigo eles usaram o termo "ocidental" ao invés do que eu coloquei como europeu... na verdade eles ainda não tem uma ideia clara sobre a cultura brasileira na sua complexidade, infelizmente, e não entendem que somos até mais ocidentais do que eles mesmos!)
Como nem tudo que reluz é ouro, os pontos fracos do Brasil são apontados principalmente como as altas taxas de importação que acabam deixando os produtos muito caros, duplicando-os em relação aos valores encontrados nos mercados americano e europeu, e a burocracia que acaba atrapalhando a difusão das marcas estrageiras no país.
O que importa é que toda grande marca já viu a importância do Brasil para o futuro próximo, já que os problemas são muito menores do que os pontos positivos, e altamente resolvíveis.
Então que venha finalmente o progresso com toda a sua potencialidade!
20111023
eu sou do sul.
Chegando hoje à estação central de Milão, com o frio do inverno se aproximando, como uma boa gaúcha bateu a vontade do chimarrão. Mais do que nunca.
Eis então que entro no mercado de "comida internacional" e encontro a erva-mate da MINHA CIDADE! Em frações de segundos um pacote já estava na minha mão.
Assim como o post do leite condensado, eu me coloquei a questão: mas da onde mesmo veio essa tradição? Quem pensou primeiro nela?
ORIGEM:
Talvez seja uma das poucas coisas realmente locais. O chimarrão não foi importado por nenhum colonizador ou imigrante. A origem vem das tribos do sul da América do Sul: guaranis, quíchuas e aimarás.
São três elementos particulares que compõem o chimarrão:
1 - A cuia é um fruto. Da cuieira (óbvio, não?), também conhecida como Porongo. A proporção entre a boca da cuia e depois a parte mais estreita faz o chimarrão ser melhor ou pior. Nada como a experiência para escolher a melhor opção.
O chimarrão bom é tomado na cuia de porongo, que pode ser enfeitada com ouro, prata ou encisões. Existem outras versões, em metal ou vidro, mas garanto que não é a mesma coisa. "Curtir" a cuia, deixar que ela absorva o sabor da erva-mate é como a cafeteira Moka na Itália. A qualidade do chimarrão aumenta.
Na língua dos quíchuas, matty era a cuia, o que mais tarde virou mate.
2 - A bomba. Talher normalmente feito de prata e enfeitado com pedras preciosas ou semi-preciosas, é anatômico e feito especialmente para o chimarrão. Tem uma peneira um pouco maior de uma moeda para que a erva seja filtrada, e na outra ponta uma piteira, muitas vezes em ouro.
3 - A erva-mate. Ilex paraguariensis é o nome científico, planta subtropical do Sul e Centro-Oeste da América do Sul. A árvore é de pequeno porte e necessita de sombra. A cultivação vem sendo mesclada com a da Araucária, pinheiro praticamente em extinção existente só no sul do Brasil. Esta filtra o sol para o plantio da Ilex, e ao mesmo tempo evita o desgaste do solo.
IRONIAS DA VIDA:
Ao contrário do que as más línguas falam da erva, ela tem altos poderes afrodisíacos, sendo ingerida contra a infertilidade e a impotência. (GIL, Felipe. No rastro de Afrodite: plantas afrodisíacas e culinária).
No século XVI os jesuítas chegaram a proibir o chimarrão nas reduções do Guairá, chamando a erva-mate de erva do diabo. No século seguinte, os mesmo incentivaram a retomada do chimarrão para vencer o alcoolismo.
Procurando na internet, achei um texto muito bom do Pércio de Moraes com os 10 mandamentos do chimarrão. E como chimarrão quero dizer aquele do Sul do Brasil*. Reproduzo ele aqui:
01- NÃO PEÇAS AÇÚCAR NO MATE
O gaúcho aprende desde piazito o porquê o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, amargo apenas. Mas se tu és de outros pagos, mesmo sabendo, poderá achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar nesse pedaço do Brasil: pedir açúcar. Pode-se por água, ervas exóticas, cana, frutas, feldspato, dollar, etc… mas jamais açúcar. O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo, mas não merece ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece amargo demais, não hesites, pede uma coca-cola com canudinho. Tu vais te sentir bem melhor.
02- NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO É ANTI-HIGIÊNICO
Tu podes achar que é anti-higiênico por a boca onde todo mundo põe. Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando de chimarrão. Repito: pede uma coca-cola de canudinho. O canudo é puro como a água de sanga (pode haver coliformes fecais e estafilococos dentro da garrafa, não nele).
03- NÃO DIGAS QUE O MATE ESTÁ QUENTE DEMAIS
Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume tuas frescuras (caso desejes te curar, recomendamos uma visita ao analista de Bagé). Se, porém, te julgas perfeitamente igual aos demais, faze o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vai adorar o chimarrão de lá.
04- NÃO DEIXES UM MATE PELA METADE
Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Como o cachimbo da paz, cada um dá uma tragada e passa-o adiante, já o chimarrão não. Tu deves tomar toda a água servida até ouvir o ronco da cuia vazia. A propósito, leia logo o mandamento abaixo.
05- NÃO TE ENVERGONHES DO "RONCO" NO FIM DO MATE
Se, ao acabar o mate, sem querer fizer a bomba "roncar", não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar mal-educado. Esse negócio de chupar sem fazer barulho vale para a coca-cola com canudinho que tu podes até tomar com o dedinho levantado.
06- NÃO MEXAS NA BOMBA
A bomba de chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesma, da erva ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas por favor, não mexas na bomba. Fale com quem te passou o mate ou com quem lhe passou a cuia. Mas não mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba.
(m: e ali se aplica uma lei da física. Existe o modo correto de colocar a bomba justamente para não entrar ar e ficar "entupida". Sim, estudamos física também)
07- NÃO ALTERE A ORDEM EM QUE O MATE É SERVIDO
Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão, sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve, mas depois de entrar, espera sempre a tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do estado.
08- NÃO CONDENES O DONO DA CASA POR TOMAR O PRIMEIRO MATE
Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio o primeiro mate, saibas que o grosso és tu. O pior mate é o primeiro, e quem toma está te prestando um favor.
(m: já que normalmente o mate é considerado muito forte pela visita, o anfitrião faz o favor de deixá-lo mais agradável ao paladar delicado...)
09- NÃO DURMAS COM A CUIA NA MÃO
Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando… E às vezes te surpreendes até imaginando que a cuia não é cuia, mas o quente seio moreno daquela chinoca faceira que apareceu no baile do Gaudêncio… Agora, tomar chimarrão numa roda é muito diferente. Aí o fundamental não é meditar, mas sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão, tu falas, discutes, ris, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que essa tua participação não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer a cuia que está na tua mão. Fala quanto quiseres mas não esqueças de tomar o teu mate que a moçada tá esperando.
(m: até porque nesse meio tempo a erva se esfria, e o chimarrão seguinte será prejudicado. pense no próximo)
10- NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO DÁ CÂNCER NA GARGANTA
Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pega na cuia, que irás dizer, com ar de entendido, que o chimarrão é cancerígeno. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esqueces o câncer. Se não der para esquecer, faz o seguinte: pede uma coca-cola com canudinho que ela… etc… etc…
(m: pode ser coca-cola zero ou light também...)
* Enquanto nos outros países da América do Sul o chimarrão é conhecido por mate (castelhano) e de origem individualista, o chimarrão brasileiro tem como principal característica a reunião dos amigos, da família, formando a roda em torno da cuia, que também é maior. Ultimamente a cuia menor vem sido adotada, principalmente porque na vida moderna a confraternização se tornou um pouco mais difícil. Mas nunca vai deixar de existir.
Eis então que entro no mercado de "comida internacional" e encontro a erva-mate da MINHA CIDADE! Em frações de segundos um pacote já estava na minha mão.
Assim como o post do leite condensado, eu me coloquei a questão: mas da onde mesmo veio essa tradição? Quem pensou primeiro nela?
ORIGEM:
Talvez seja uma das poucas coisas realmente locais. O chimarrão não foi importado por nenhum colonizador ou imigrante. A origem vem das tribos do sul da América do Sul: guaranis, quíchuas e aimarás.
São três elementos particulares que compõem o chimarrão:
1 - A cuia é um fruto. Da cuieira (óbvio, não?), também conhecida como Porongo. A proporção entre a boca da cuia e depois a parte mais estreita faz o chimarrão ser melhor ou pior. Nada como a experiência para escolher a melhor opção.
O chimarrão bom é tomado na cuia de porongo, que pode ser enfeitada com ouro, prata ou encisões. Existem outras versões, em metal ou vidro, mas garanto que não é a mesma coisa. "Curtir" a cuia, deixar que ela absorva o sabor da erva-mate é como a cafeteira Moka na Itália. A qualidade do chimarrão aumenta.
Na língua dos quíchuas, matty era a cuia, o que mais tarde virou mate.
2 - A bomba. Talher normalmente feito de prata e enfeitado com pedras preciosas ou semi-preciosas, é anatômico e feito especialmente para o chimarrão. Tem uma peneira um pouco maior de uma moeda para que a erva seja filtrada, e na outra ponta uma piteira, muitas vezes em ouro.
3 - A erva-mate. Ilex paraguariensis é o nome científico, planta subtropical do Sul e Centro-Oeste da América do Sul. A árvore é de pequeno porte e necessita de sombra. A cultivação vem sendo mesclada com a da Araucária, pinheiro praticamente em extinção existente só no sul do Brasil. Esta filtra o sol para o plantio da Ilex, e ao mesmo tempo evita o desgaste do solo.
IRONIAS DA VIDA:
Ao contrário do que as más línguas falam da erva, ela tem altos poderes afrodisíacos, sendo ingerida contra a infertilidade e a impotência. (GIL, Felipe. No rastro de Afrodite: plantas afrodisíacas e culinária).
No século XVI os jesuítas chegaram a proibir o chimarrão nas reduções do Guairá, chamando a erva-mate de erva do diabo. No século seguinte, os mesmo incentivaram a retomada do chimarrão para vencer o alcoolismo.
Procurando na internet, achei um texto muito bom do Pércio de Moraes com os 10 mandamentos do chimarrão. E como chimarrão quero dizer aquele do Sul do Brasil*. Reproduzo ele aqui:
01- NÃO PEÇAS AÇÚCAR NO MATE
O gaúcho aprende desde piazito o porquê o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, amargo apenas. Mas se tu és de outros pagos, mesmo sabendo, poderá achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar nesse pedaço do Brasil: pedir açúcar. Pode-se por água, ervas exóticas, cana, frutas, feldspato, dollar, etc… mas jamais açúcar. O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo, mas não merece ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece amargo demais, não hesites, pede uma coca-cola com canudinho. Tu vais te sentir bem melhor.
(m: e pensar que isso acontece sempre... vale a pena divulgar mesmo o mandamento!)
02- NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO É ANTI-HIGIÊNICO
Tu podes achar que é anti-higiênico por a boca onde todo mundo põe. Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando de chimarrão. Repito: pede uma coca-cola de canudinho. O canudo é puro como a água de sanga (pode haver coliformes fecais e estafilococos dentro da garrafa, não nele).
03- NÃO DIGAS QUE O MATE ESTÁ QUENTE DEMAIS
Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume tuas frescuras (caso desejes te curar, recomendamos uma visita ao analista de Bagé). Se, porém, te julgas perfeitamente igual aos demais, faze o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vai adorar o chimarrão de lá.
(m: antes que perguntem, sim eles tomam frio)
04- NÃO DEIXES UM MATE PELA METADE
Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Como o cachimbo da paz, cada um dá uma tragada e passa-o adiante, já o chimarrão não. Tu deves tomar toda a água servida até ouvir o ronco da cuia vazia. A propósito, leia logo o mandamento abaixo.
05- NÃO TE ENVERGONHES DO "RONCO" NO FIM DO MATE
Se, ao acabar o mate, sem querer fizer a bomba "roncar", não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar mal-educado. Esse negócio de chupar sem fazer barulho vale para a coca-cola com canudinho que tu podes até tomar com o dedinho levantado.
(m: o ronco deixa o anfitrião satisfeito da aprovação e contentamento da visita, melhor não comprar briga)
06- NÃO MEXAS NA BOMBA
A bomba de chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesma, da erva ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas por favor, não mexas na bomba. Fale com quem te passou o mate ou com quem lhe passou a cuia. Mas não mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba.
(m: e ali se aplica uma lei da física. Existe o modo correto de colocar a bomba justamente para não entrar ar e ficar "entupida". Sim, estudamos física também)
07- NÃO ALTERE A ORDEM EM QUE O MATE É SERVIDO
Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão, sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve, mas depois de entrar, espera sempre a tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do estado.
(m: motivo de brigas e piadas até dentro da própria família)
08- NÃO CONDENES O DONO DA CASA POR TOMAR O PRIMEIRO MATE
Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio o primeiro mate, saibas que o grosso és tu. O pior mate é o primeiro, e quem toma está te prestando um favor.
(m: já que normalmente o mate é considerado muito forte pela visita, o anfitrião faz o favor de deixá-lo mais agradável ao paladar delicado...)
09- NÃO DURMAS COM A CUIA NA MÃO
Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando… E às vezes te surpreendes até imaginando que a cuia não é cuia, mas o quente seio moreno daquela chinoca faceira que apareceu no baile do Gaudêncio… Agora, tomar chimarrão numa roda é muito diferente. Aí o fundamental não é meditar, mas sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão, tu falas, discutes, ris, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que essa tua participação não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer a cuia que está na tua mão. Fala quanto quiseres mas não esqueças de tomar o teu mate que a moçada tá esperando.
(m: até porque nesse meio tempo a erva se esfria, e o chimarrão seguinte será prejudicado. pense no próximo)
10- NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO DÁ CÂNCER NA GARGANTA
Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pega na cuia, que irás dizer, com ar de entendido, que o chimarrão é cancerígeno. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esqueces o câncer. Se não der para esquecer, faz o seguinte: pede uma coca-cola com canudinho que ela… etc… etc…
(m: pode ser coca-cola zero ou light também...)
| o porongo ainda fruto. |
* Enquanto nos outros países da América do Sul o chimarrão é conhecido por mate (castelhano) e de origem individualista, o chimarrão brasileiro tem como principal característica a reunião dos amigos, da família, formando a roda em torno da cuia, que também é maior. Ultimamente a cuia menor vem sido adotada, principalmente porque na vida moderna a confraternização se tornou um pouco mais difícil. Mas nunca vai deixar de existir.
20111002
Buscando a primavera brasileira
Muito bem, depois de um tempo de ausência, eis que temos um novo post. "Novo" é modo de dizer já que na verdade eu vou traduzir uma publicaça;a muito bacana sobre o nosso mestre Oscar Niemeyer.
'E muito legal ver que a Arquitetura Brasileira é reconhecida mundialmente através do nome dele. Quem entende um pouco do assunto, e aqui quase todos entendem muito de Arquitetura, Artes, Design, etc, conecta logo o Niemeyer quando eu falo que sou arquiteta brasileira.
A constância não é o meu forte, e isso se percebe no histórico do blog. Talvez porque eu estava tentando aproveitar os dias já não tão longos aqui na Itália, começou a anoitecer as 19h, enquanto que apenas um mês atrás o sol raiava até as 21.30 da noite... Triste pensar que em setembro aqui não tem os pássaros e as flores me esperando, mas de qualquer maneira as folhas secas no chão também tem o seu charme.
Mas vamos ao que interessa:
Logo que eu vi o título do post no blog pensei: PRECISO REPASSAR!!! O texto é longo mas vale a pena :) Se trata da reprodução de uma entrevista dada em 2005 para Gerard Fournier.
Mandei logo um e-mail para o Yul Akors, que administra esse blog sobre arquitetura e urbanismo muito bacana:
http://laboratoireurbanismeinsurrectionnel.blogspot.com/
Foi publicado em 25 de setembro de 2011:
Arquitetura e política: OSCAR NIEMEYER
É muito difícil para os arquitetos conciliar a prática profissional em uma sociedade capitalista com o compromisso político do comunismo. Oscar Niemeyer, arquiteto e comunista, acaba confessando em uma entrevista recente uma certa mea culpa sobre a sua óbvia contradição:
Eu me sinto deprimido com o projeto apresentado. Eu construí edifícios públicos para o Estado, eu trabalhei sempre para os ricos. Nada mais. Eu nunca trabalhei para as classes desfavorecidas, quando a maioria dos meus conacionais fazem parte delas.
Oscar Niemeyer faz parte da alta burguesia do Rio de Janeiro: uma das avenidas mais bonitas da cidade tem o nome do seu avô, rico fazendeiro e então Ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil. Pode nos parecer normal que o filho de uma família próspera, esclarecido e progressista, acabe trabalhando com um dos maiores arquitetos do século XX: Le Corbusier. Em seguida, abriu o seu próprio escritório, sendo requisitado para as obras do governo mesmo tendo declarado em alto e bom som o seu ingresso no Partido Comunista. Na entrevista, Niemeyer, nascido em 1907, conta um pouco da sua longa trajetória.
Brasília, pode ser considerado por você a realização da cidade ideal, um modelo de sociedade?
A idéia de Brasília partiu do então Presidente Juscelino Kubitschek, politicamente um homem de Centro. Eu, então progressista. Me filiei ao Partido Comunista em 1945, mas durante a construção da Capital, éramos conscientes da vida brasileira e acreditávamos que seria uma boa cidade. Mas no momento que a obra terminou, eu levei um choque: era uma cidade moderna, muito bonita, bem contruída, mas como todas as cidades brasileiras, ela continuava com a discriminação, com a injustiça, com a segregação entre ricos e pobres. Estes últimos, como nos grandes centros urbanos, ficaram fora da cidade que eles próprios construíram.
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| Catedral de Brasília |
Como isso foi possível?
Eu era responsável pela Arquitetura, apenas pela Arquitetura. Mas quando eu penso nas cidades, tento imaginá-las para todos os tipos de pessoa. O desenvolvimento industrial se afastou do centro urbano, e juntamente com a indústria, os seus operários. A cidade, para ser digna, deve reunir todas as atividades, todas as pessoas; Poderia ser realizável, desde que se trate os problemas das suas próprias bases. Até aqui é simples: que todas as indústrias não sejam poluentes. Mas um projeto como esse afeta o fundamento principal da sociedade capitalista. E sozinho o arquiteto não tem poder para alterá-lo. Ao menos ele pode se opor ao conceito das 'cidades-operárias', dos 'bairros e casas populares'. Os trabalhadores não necessitam dessa atenção. É necessário mudar a sociedade mas atualmente os projetos arquitetônicos são feitos para a sociedade, refletindo a si própria.
Esta dificuldade causa desconforto entre o militante de esquerda e a sua arte?
O Arquiteto não é um homem solitário. O importante é que se trata da vida, e você deve se sentir satisfeito. A literatura, a beleza, tudo faz parte da vida. E a arquitetura é como todo o mundo: ela quer ajudar e facilitar a todos, neste mundo, nesta realidade cada vez mais veloz.
Lição de arquitetura e um símbolo
Um olhar para uma cidade diferente, sim, e mais bonita, mais fraterna, sem discriminação ou monotonia. Logo, acho que o estudo da arquitetura deveria se livrar das disciplinas que acarretam na 'engenharização das coisas' e ser melhor colocada no mundo em que vivemos. Nós temos que ir além e olhar para outras perspectivas. Melhorar também os barracos nas favelas. Como diria Pessoa: 'eu não leio literatura, sei tudo'.
A arquitetura selvagem, individual e remendada que surgiu nos Estados Unidos, por exemplo, representa a vontade de fugir da funcionalidade? É simplesmente para escapar da monotonia repetitiva. Mas este é um caminho falso. Existe muito material a disposição, para estudarmos e entendermos, para construir obras como as antigas Igrejas, encontrando o sentimento que Freud chamou de "oceânico".
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| Monumento JK. Brasília |
Você acredita que o seu trabalho corresponde ao seu ideal como ativista político?
Não. Tudo o que eu faço é criar emoções. Mas o arquiteto não está sozinho, nem fica calado. Ele deve levantar a voz para denunciar o que ele condena, não se tornando cúmplice. Assim como o trabalho de Gorki ou de Garcia Marquez engajados politicamente. E também tem a parte de Proust, é isso e aquilo, indissoluvelmente.
O golpe militar obrigou Niemeyer ao exílio, passado na França, onde foi amigavelmente acolhido pelo Ministro Andre Malraux e seus companheiros comunistas franceses. Ele realiza então a sede do Partido Comunista Francês (PCF) e a Praça dedicada ao Coronel Fabien. Para financiar o então ousado projeto de avanguarda para a Sala Central do Comitê, conhecida como 'bolha', Niemeyer recusou os seus honorários.
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| A 'bolha' do Partido Comunista Francês |
Oscar Niemeyer retornou ao Brasil somente em 1980 e sendo sempre fiel ao comunismo. E como tal ele se coloca ao lado da Revolução Cubana de Fidel Castro e da Perestroika de Gorbachev.
O seu compromisso com o comunismo ainda é o mesmo?
Eu estou feliz, continuo na mesma estrada. Eu saí da escola, de uma família burguesa e com meu avô como Ministro do Supremo Tribunal Federal. Percebi que era necessário mudas as coisas, e imediatamente. E o caminho era o Partido Comunista. Me afiliei e até hoje continuo nele, seguindo seja nos bons ous maus momentos, como a vida impõe. Quando eu falava em Arquitetura, eu costumava dizer que a vida é mais importante do que ela. Que a vida pode mudar muito mais as coisas do que a Arquitetura. Eu acredito e digo a todos, arquitetos e estudantes, que não basta sair da universidade para ser um bom arquiteto. Você tem que ter conhecimento sobre a vida humana, a sua miséria, o seu sofrimento, para então fazer a Arquitetura de verdade, para criar.
O importante é compreender a vida e a importância de mudar o mundo. Buscamos a coerência. Todas terças-feiras eu faço um encontro no meu escritório com estudantes, intelectuais, cientistas e letrados. Nós trocamos idéias sobre filosofia, política, sobre o mundo, queremos entender a vida, mudá-la, para então mudar o ser humano.
No entanto, em um primeiro momento eu sou pessimista. Eu penso que o ser humano tem muita pouca perspectiva, mas deve viver honestamente, conviver. Na segunda fase, eu compreendo que devo ser menos pessimista para ser mais realista. Compreender que a vida pode ser implacável com as pessoas, que cada um há a sua história. Existem muitas injustiças. O meu engajamento no Partido Comunista me deu esperança, solidariedade para lutar por um mundo melhor.
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| sede da Editora Mondadori em Segrate, Itália. |
Qual a sua opinião sobre a situação política do Presidente Lula no Brasil, e em particular, sobre a evolução política na América Latina em geral?
Precisamos transformar a América Latina em um pólo de batalha, resistindo ao imperialismo americano. Entender que o povo americano é igual a qualquer outro, mas que a sua política é uma ameaça a toda a América Latina. Devemos nos proteger. Eu gostaria que o Lula fosse o líder dessa luta. Nós não vemos o seu governo ser muito amigável com o americano. Mas eu não sou pessimista, o movimento popular e progressista toma força, dando a impressão que o povo quer reagir a tudo isso.
Eu acho que quando a vida é muito difícil, a esperança brota do coração dos homens. Temos que lutar, temos que fazer a revolução. Não podemos tentar melhorar o capitalismo: ele é a fonte do que tem de pior no mundo. Precisamos de pessoas jovens engajadas, envolvidas para entrar na luta. Eu sei que o momento não é o mais proprício, mas temos que ter esperança.
20110914
Coisa de... brasileiro?!?
Aqui começo uma sessão pra lá de saborosa.
Engraçado, morando no exterior acabei tendo curiosidade para a culinária brasileira, querendo mostrar para o povo o que nós temos de bom!
Aprendi a fazer pão-de-queijo... do zero, esquentando o óleo, o leite...
Mas daí acontece que ao apresentar produtos nossos, vêm perguntas não muito fáceis de responder.
Uma das mais intrigantes foi:
Como foi inventado o leite condensado?
Muito bem Marina, você já se emperrou na primeira pergunta. Isso que dá querer mostrar os doces que nós temos nas festas infantis onde nos empanturramos até morrer, ou até nutrir todas as bichas do corpo!
Passei alguns minutos viajando na questão do leite fervido por horas com tanto açúcar... açúcar que vem da cana-de-açúcar, leite que concentrado dessa maneira acaba tendo uma validade muito maior, e a minhaignorante conclusão foi que em algum engenho, os escravos devem ter tentado fazer render o líquido com o produto mais abundante para eles. Pequeno detalhe que quando penso no leite condensado tenho sempre a imagem impressa do Leite Moça. Nada como uma boa publicidade!
Como de suposições e filosofias o mundo já está cheio, fui atrás da resposta. E...
O LEITE CONDENSADO É FRANCÊS!!!!
Fiquei pasma. Não sou grande expert da culinária francesa, mas não é que me vem em mente uma lista de receitas com esse ingrediente.
Então vamos aos fatos:
parte da minha teoria não estava errada. Sim, condensaram o leite para fazer ele durar muito e ocupar menos espaço.
Tudo se deve a este homem: Nicolas Appert - francês. Através das suas experiêcnias com conservação de alimentos, Malbec (outro nome importante) resolveu aplicar ao leite em 1828. A venda logo foi espalhada pela Europa e algumas décadas mais tarde nos Estados Unidos.
Por incrível que pareça o auge do produto veio durante as guerras. Em 1880 o suíço Meyenberg aprimorou a fabricação e colocando o leite condensado em recipientes fechados sob alta pressão. Alto poder calórico, compacto e embalado em latas, ele poderia ser lançado por aviões para alimentar as tropas.
No Brasil os primeiros indícios da importação aparecem no Almanak Administrativo Mercantil e Industrial da Corte e da Província do Rio de Janeiro em 1871. Em 1876 as latinhas já estavam à venda na Bahia, e a Nestlè apareceu em 1885, apresentando o 'Leite condensado marca Barbacena, preparado por Henri Nestlè'. O nome já era consagrado por aqui com a venda do primeiro produto dele, a Farinha Láctea.
Logo, não demorou muito para fazer sucesso. Em 1921 a Nestlè resolveu saltar para o país, iniciando a fabricação tupiniquim. (Já tinham empresas brasileiras que produziam o leite condensado desde 1914).
E por que o nome Leite Moça? Porque a mocinha sempre esteve presente no rótulo da lata(já que o resto era escrito em inglês)! Então era muito mais fácil chegar na mercearia e pedir o leite da moça... A Nestlè tirou proveito disso e assim que abriu as portas no Brasil, adotou o nome! Esse era realmente esperto!
do leite Moça ao brigadeiro...
Logo, logo o leite condensado foi sendo adaptado às tradicionais receitas de doce, e em 1940 foi criado o maximus supremus BRIGADEIRO!(ou negrinho...)
Eis que voltamos ao início da questão, onde tudo começou quando a pergunta foi feita.
O brigadeiro acabou levando o nome do seu homenageado, Brigadeiro Eduardo Gomes. Qual é a relação????
Acontece que depois do Estado Novo de Getúlio Vargas, em 1945, o então Brigadeiro Eduardo Gomes, candidato à presidência, tinha a sua campanha eleitoral patrocinada pelos fundos obtidos com um doce feito de leite condensado e chocolate. Ao doce, então uma novidade no país, foi atribuído o nome de brigadeiro.
Quem diria, a política está diretamente ligada a um dos melhores doces de festa e que com certeza marcou a infância de praticamente todas as crianças brasileiras desde então.
Engraçado, morando no exterior acabei tendo curiosidade para a culinária brasileira, querendo mostrar para o povo o que nós temos de bom!
Aprendi a fazer pão-de-queijo... do zero, esquentando o óleo, o leite...
Mas daí acontece que ao apresentar produtos nossos, vêm perguntas não muito fáceis de responder.
Uma das mais intrigantes foi:
Como foi inventado o leite condensado?
Muito bem Marina, você já se emperrou na primeira pergunta. Isso que dá querer mostrar os doces que nós temos nas festas infantis onde nos empanturramos até morrer, ou até nutrir todas as bichas do corpo!
Passei alguns minutos viajando na questão do leite fervido por horas com tanto açúcar... açúcar que vem da cana-de-açúcar, leite que concentrado dessa maneira acaba tendo uma validade muito maior, e a minha
Como de suposições e filosofias o mundo já está cheio, fui atrás da resposta. E...
O LEITE CONDENSADO É FRANCÊS!!!!
Fiquei pasma. Não sou grande expert da culinária francesa, mas não é que me vem em mente uma lista de receitas com esse ingrediente.
Então vamos aos fatos:
parte da minha teoria não estava errada. Sim, condensaram o leite para fazer ele durar muito e ocupar menos espaço.
Tudo se deve a este homem: Nicolas Appert - francês. Através das suas experiêcnias com conservação de alimentos, Malbec (outro nome importante) resolveu aplicar ao leite em 1828. A venda logo foi espalhada pela Europa e algumas décadas mais tarde nos Estados Unidos.
Por incrível que pareça o auge do produto veio durante as guerras. Em 1880 o suíço Meyenberg aprimorou a fabricação e colocando o leite condensado em recipientes fechados sob alta pressão. Alto poder calórico, compacto e embalado em latas, ele poderia ser lançado por aviões para alimentar as tropas.
No Brasil os primeiros indícios da importação aparecem no Almanak Administrativo Mercantil e Industrial da Corte e da Província do Rio de Janeiro em 1871. Em 1876 as latinhas já estavam à venda na Bahia, e a Nestlè apareceu em 1885, apresentando o 'Leite condensado marca Barbacena, preparado por Henri Nestlè'. O nome já era consagrado por aqui com a venda do primeiro produto dele, a Farinha Láctea.
Logo, não demorou muito para fazer sucesso. Em 1921 a Nestlè resolveu saltar para o país, iniciando a fabricação tupiniquim. (Já tinham empresas brasileiras que produziam o leite condensado desde 1914).
E por que o nome Leite Moça? Porque a mocinha sempre esteve presente no rótulo da lata
do leite Moça ao brigadeiro...
Logo, logo o leite condensado foi sendo adaptado às tradicionais receitas de doce, e em 1940 foi criado o maximus supremus BRIGADEIRO!
Eis que voltamos ao início da questão, onde tudo começou quando a pergunta foi feita.
O brigadeiro acabou levando o nome do seu homenageado, Brigadeiro Eduardo Gomes. Qual é a relação????
Acontece que depois do Estado Novo de Getúlio Vargas, em 1945, o então Brigadeiro Eduardo Gomes, candidato à presidência, tinha a sua campanha eleitoral patrocinada pelos fundos obtidos com um doce feito de leite condensado e chocolate. Ao doce, então uma novidade no país, foi atribuído o nome de brigadeiro.
Quem diria, a política está diretamente ligada a um dos melhores doces de festa e que com certeza marcou a infância de praticamente todas as crianças brasileiras desde então.
mmm fiquei com água na boca depois dessa... e você?
20110823
primavera: oh, che bella!
Sim, o tempo está melhorando por aqui. O sol brilha, a temperatura mínima fica na casa dos 13-15 graus e a máxima uns 24... Já era hora!
Para inspirar, aqui vai a simulação do projeto pensado por Haas&Hahn: Painting Urbanism.
E se a sua cidade se pintasse toda, como ficaria??
Esses dois artistas holandeses - leia-se Jeroen Koolhaas e Dre Urhahn - propuseram um pedaço de New York supercolorido, a lower Manhattan, transformando os condomínios populares em arco-íris, como se pode ver na imagem abaixo.
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| eu achei bem legal! |
MAS NÃO SÓ ISSO!
Os caras começaram a atuar juntos sabe quando? Em 2005, após fazer um documentário com a MTV, o Favela Painting sobre a cultura hiphop nas favelas do Rio e SP. Com colaboração dos residentes, as favelas foram pintadas com todas as cores da paleta. Proposta que eles estão tentando levar para a grande maçã - dá pra dizer que a burocracia lá está enorme!
![]() |
| esboço do projeto Favelas paiting |
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| as cabeças pensantes: um designer grafico e um jornalista |
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| o resultado final: Santa Marta colorida! |
Nada como uma boa ação e cooperação!
20110722
interligações
Depois de muito tempo, voltando ao site designsponge, me deparo com a foto no 'best of decorative paint', que acaba me remetendo a um passado muito, muito distante.
Sem me deter muito no trabalho que dá pintar essa parede a mão - desenhar, separar os triângulos por cores, colocar fita crepe pra não dar problema, etc - acabei pensando em Bandeiras de São João.
Talvez pela forma triangular e pela mistura de cores, a imagem de um quadro, vista há muito tempo atrás voltou à minha mente: se trata de Alfredo Volpi. Como eu sei? Nada como uma gincana sensacional do colégio. Acho que eu estava na quarta série, mas como uma das tarefas daquele ano, tivemos que descobrir de quem era a obra impressa.
Eis que mais um ítalo-brasileiro aparece no blog. Depois de Lina Bo Bardi, cruza pelo meu caminho, pela segunda vez, Alfredo Volpi. Nasceu em Lucca no final do século XIX e com apenas um ano de vida veio para o Brasil. Um pintor muito livre como técnico, e ao mesmo tempo abordando temas populares.
E a minha memória ainda está boa, mesmo tantos anos depois...
20110627
[tema do mês] ARQUITETURA ITALIA-BRASIL
Já fazem alguns dias que eu gostaria de escrever esse post.
Como é um assunto que me interessa, queria dar o tempo devido a ele, já que escrever às pressas acaba desvalorizando-o.
Para quem não conhece ela, é a idealizadora do MASP.
Às vezes paro para pensar que, como as mulheres foram inseridas tardiamente no mercado de trabalho, são poucas as que receberam o devido louvor pelo seu trabalho. Em algumas áreas isso aconteceu mais em outras menos. Sem querer entrar no discurso feminista, mas já entrando, penso que o movimento nasceu de forma errada. Ao invés de "igualdade", o que sucedeu foi o acúmulo de atividades em uma só pessoa. Equilíbrio é tudo, e buscar ele quando estamos indignados nos leva ao oposto dele.
Sem mais divagações, vamos à história dessa arquiteta.
Nascida italiana e posteriormente naturalizando-se brasileira, Lina Bo se formou em Arquitetura na sua cidade natal, Roma e daí partiu para Milão, onde trabalho com Giò Ponti. Detalhe: isso aconteceu um pouco antes da Segunda Guerra Mundial.
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| Concattedrale de Taranto. 1964-70 |
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| Igreja Sao Francisco, em Milao. 1964 |
E aqui abro a primeira parêntese:
Giò Ponti se formou em Arquitetura logo após reprender os estudos, interrompidos pela Primeira Guerra Mundial. Literalmente, outros tempos. Pensar que você tem que interromper tudo, porque estão bombardeando o seu país, e além disso ir lutar por ele... Nos primeiros anos teve sociedade com outros arquitetos, até começar a cuidar das exposições bienais e trienais. Ainda no final da década de 20 ele fundou a revista Domus, atividade editorial que teve que ser abandonada por causa da Segunda Guerra. Eis aí ela de novo.
Parêntese da parêntese: a revista Domus, juntamente com a Casabella acabou sendo o centro cultural da arquitetura e do design italiano na segunda metade do século XX.
Continuando com o nosso amigo Ponti, em 1933 ele organiza a primeira mostra na Triennale di Milano. Na mesma década desenha os trajes para o Teatro alla Scala, participa da ADI (Associação do Desenho Industrial), sendo um dos encorajadores do premio Compasso d'Oro, e em 1936 passa a ser professor da Faculdade de Arquitetura no Politécnico de Milão.
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| até o ano passado o Pirelli era o edificio mais alto de Milao. Sede do governo da regiao da Lombardia. Icone da cidade e do modernismo italiano. 1956-1961 |
Voltando à Lina,
Depois de trabalhar com Ponti, ela abre o seu próprio escritório. Porém ele é destruído durante um dos bombardeios em 1943.
Segunda parêntese:
Vale lembrar que quando a Itália (Mussolini) resolveu passar para o lado dos aliados, foi severamente atingido pelas forças alemãs. E Milão, sendo ao norte, não foi poupada. A corso de Porta Ticinese, muito perto do centro e do Duomo, teve grande parte dos seus edifícios detruídos, além da estrutura metálica da Galleria Vittorio Emanuele.
Depois disso, Lina começou a atuar ativamente na política, com o Partido Comunista Italiano, documentando a destruição que tomou a Itália nos anos da guerra ao participar do Congresso Nacional da Reconstrução.
Com Bruno Zevi ela criou a revista setimanal 'A cultura da vida'.
Em 1946, já casada com Pietro Maria Bardi, ela se transfere para o Brasil, onde a sua criatividade explodiu! Em 1951 ela, já cidadã brasileira, projeta a Casa de Vidro, no então novo bairro Morumbi.
![]() |
| A Casa de Vidro, residencia do casal, quando construida ficava em terreno todo aberto no entao recém bairro Morumbi. |
Terceira parêntese:
Uma das primeiras obras modernistas no Brasil, a Casa de Vidro mudou o conceito de morar. As paredes até então prevalentemente opacas, são totalmente transparentes. O habitar se torna público, enquanto que o espaço público se transforma em parte do privado.
Mais tarde, através de uma idéia lançada por Assis Chateaubriand, Lina projeta o famosíssimo MASP. Super hiper modermo, brinca com o conceito da arquitetura velha e tradicional da Europa, ao mostrar que uma super estrutura pode suportar todo um edifício inteiro no ar.
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| MASP - Museu de Arte Assis Chateaubriand. 1956-1968 |
![]() |
| O colorido e a quebra da verticalidade em Sao Paulo. |
Uma mulher de caráter muito forte, uma sua frase célebre acaba remetendo ao que falei antes do feminismo: "Como ser feminista? As feministas tem voz de galinha e falta de conteúdo"
Concordo com ela. Aliás, nunca entendi porque para mostrar o feminismo, queimaram o sutiã!!!! Uma peça utilíssima. Anatomia não tem nada a ver com forma de pensar e queimar algo que tem a sua função me parece só burrice, ou melhor, parece que aquelas que queimaram eram as primeiras a se considerarem objeto. Enfim, assunto polêmico.
Outra obra muito importante da Lina foi concluída em 1990, o Sesc Pompéia, que ainda não tive oportunidade de visitar.
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| Sesc Pompeia - arquitetura moderna e ludica. 1990 |
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