20130227

Susan Kare: a pioneira da pixel art da Apple

Sem movimento feminista predominando, se olharmos ao longo da história, as mulheres já fizeram muito mas tem ainda muito mais a fazer. Principalmente em termos de deixar seus nomes marcados. 
Algumas das que agora entraram para o rol da História já foram citadas ao longo dos posts escritos, como por exemplo a Elsa Schiaparelli e a Lina Bo Bardi

Surge agora mais uma. Porém, muito mais presente nas nossas vidas. Na minha em particular, todo santo dia me deparo e faço uso das suas criações sem nunca ter pensado que alguém um dia desenvolveu aquilo. 
Pois é, somos um povo relativamente sem memória e interesse para sabermos como chegamos até aqui. Ainda mais nos dias de hoje, com toda a fúria da pressa existencial. Pois bem, as criações de Susan Kare nos ajudam a dar agilidade no nosso dia-a-dia informático.

Susan Kare, hoje.


Anos 80, computação:

Quando o DOS dominava os computadores, surge a Apple com os primeiros computadores Macintosh. Steve Jobs, fascinado pela interface gráfica da Xerox, começou a desenvolver a sua. 

A forma de utilizar símbolos para comunicar signficados entre homens e máquinas teve seu início. O que poucos sabem é que os ícones do Mac foram inventados por Susan Kare. Sim, nos anos 80 já existia uma mulher "nerd".

Começa então a pixel art. 

Susan foi por muito tempo Diretora Criativa da Apple, sendo autora dos mais notáveis ícones do Mac. O cursor em forma de mão, símbolo da tecla 'Command', o 'Happy Mac' que aparecia na inicialização do computador, saudando o usuário, que teve posteriormente a sua versão melhorada para uma colorida a 8-bits...

ícones desenvolvidos para o Mac

ícones desenvolvidos para a Microsoft


O livro.

Há pouco tempo, Susan Kare publicou o seu caderno de notas, utilizado no período da criação dos ícones com os primeiros protótipos esboçados, enquanto se dedicava também ao desenvolvimento das fontes Chicago e Georgia. Cada quadrado do caderno representava um pixel da tela do computador. Os ícones hoje em dia tão usados dos comandos 'Copia', 'Cola', 'Recorta', 'Preenche', 'Arrasta', 'Lixeira' então nasceram com toda a simplicidade plena de significados intuitivos e universais.



os primeiros 'pixels' no papel





Hoje.

Perguntando a Susan hoje em dia, o que ela acharia 30 anos atrás da herança que poderia deixar ao mundo da computação, ela responde: 'Você pode pensar em criar um quadro, mas não pode esperar em criar uma obra de arte. Você deve simplesmente dar o seu máximo e se tiver sorte, alguém entenderá a mensagem.'

algumas das fontes criadas por Susan

e quem nunca jogou Solitaire?!?


Com certeza, Susan Kare faz parte das nossas vidas.

Agora, você vai lembrar dela quando ligar o computador?



Fontes:
www.bigodino.it
www.kare.com
www.kareprints.com

20130219

palavra cruzada: passatempo "moderno"?

Dentre tantas dúvidas que me acometem sobre as coisas normais e diárias da vida (sim, com certeza tenho um quê elevado de loucura), uma questão está sempre presente: A ORIGEM!

Não estou falando de nada cinematográfico. Falo simplesmente da origem, de palavras, conceitos, hábitos, coisas, etc. O tema, sobre como surgiram algumas coisas e como estamos acostumados com elas do jeito que são, já foi abordado algumas vezes, como quando escrevi sobre o leite condensado, as famosas estampas gráficas de tecidos, pré-conceitos e preconceitos a que somos habituados.

Fato é que hoje, após algumas centenas de noites e milhares de horas passadas com este hobby, me veio a pergunta: 

MAS COMO SURGIRAM AS PALAVRAS CRUZADAS?


Ainda bem que o mundo da internet é mais amplo que o Almanaque Abril (lembram dele?). Procurando rapidamente entre blogs e matérias de pessoas que já se impuseram a pergunta - não tenho a pretensão de ter sido a primeira a questionar algo tão banal - além da boa e "velha" Wikipedia, eis o material mais interessante que reuni:

1. A origem é EGÍPCIA! Data de mais de 3.000 anos o resquício mais antigo da palavra cruzada. Que tempos modernos o que...



2. No século IV a.C. os Romanos jogavam o laterculus que constituíam os palíndromos. O vestígio mais antigo vem de Pompéia, a cidade que ficou por séculos escondida sob a lava do Vesúvio...

Hein? Laterculus era o nome da brincadeira, um jogo estilo palavra-cruzada que formava palavras que podiam ser lidas em qualquer sentido: vertical, horizontal, frente para trás, de trás para a frente. 


3. A versão moderna foi reproduzida no jornal New York World em 22 de dezembro de 1913. Arthur Wynne teve como tarefa, sendo responsável pela seção Entretenimento, de criar um passatempo para a edição dominical.

Wynne remodelou o laterculus, acrescendo as dicas em um diagrama na forma de losango, ao invés de fornecer as palavras. Não demorou 10 anos para a moda invadir jornais do continente europeu.

Hoje em dia, todo jornal que se preze tem a sua página com a palavra-cruzada proposta ao leitor. 


 A PALAVRA-CRUZADA EM TERMOS


Quem faz-elabora a palavra-cruzada? O cruciverbalista! 
Porque o termo? Tendo morado por quase 5 anos na Itália, o termo cruciverbalismo não me parece nada estranho: a origem dele é latina. Palavra-cruzada em italiano é cruciverba. Cruci = cruz Verba = palavra, termo, verbo. E é muito divertido de fazer ela também em italiano! 

Quem faz-completa a palavra-cruzada? O cruzadista!
Confesso, sou uma cruzadista viciada, com a certeza de que não sou a única.

CURIOSIDADES DAS PALAVRAS-CRUZADAS


Durante a Segunda Guerra Mundial, foi recrutado um time de experts cruciverbalistas pelo exército britânico. O objetivo era ajudar a decifrar códigos.

No Brasil, eu considero a Coquetel como a principal revista deste passatempo. Mas alguns nomes de cruciverbalistas brasileiros valem ser citados:
Júlio Moncorvo
Euro Oscar
Maria Juncker Rivellino

Uma pena que poucos autores se dedicam ao passatempo... Fica a dica! 





Fonte:
www.mundoestranho.abril.com.br - (o almanaque abril moderno!)
vidadeumaborderline.blogspot.com.br
www.wikipedia.org

20130129

Santa Maria, RS, 27 janeiro de 2013.

Apesar de toda a cobertura da mídia - canais televisivos, jornais, sites, blogs, redes sociais - ainda não absorvi o que aconteceu.

A vontade é de chorar, chorar por tudo, obviamente pelos mortos, pelos feridos em estado grave, por todos aqueles que passaram pelo momento de pânico e agora gozam da companhia da família, pelos parentes de todos, pelas vidas que tinham ainda um bom pedaço de chão a percorrer, pelos amigos, pelo silêncio nas salas de aula, pela falta... falta de sorrisos, falta de abraços, falta. 

A cada matéria que vejo, leio, escuto, mais um pequeno detalhe vai se unindo ao todo, e mais insuportável fica pensar sobre o assunto.

Culpados. Procuram-se os culpados. 

Quer saber o que penso?  
Mas se quiser mesmo, peço a gentileza de acompanhar até o fim o texto. O que não suporto é quando se retira um trecho que está muito bem inserido no todo.

TODOS SÃO CULPADOS E TODOS SÃO VÍTIMAS DA PRÓPRIA IGNORÂNCIA. 

De uma forma ou de outra. Proprietário da casa noturna, funcionários, o Corpo de Bombeiros, cantores e profissionais do entretenimento, governo municipal, estadual e federal, poder judiciário, o público.

Não se preocupem, vou listar o porquê dessa minha acusação, onde me coloco também, como profissional e como ser humano.

1. Proprietário da casa noturna: a vontade e a ganância de ganhar o máximo que se pode com pouco esforço é o mote do mundo capitalista em que vivemos. Todos, se já não fizeram isso, um dia farão algo para isto. Lotar um espaço com mais do que a capacidade "permitida"é inconsequência. E ignorância, pensar que não vai acontecer nada. Uma multidão é capaz de tudo e pode ser incontrolável. Só quando você tem o controle psicológico sobre uma civilização se consegue dominá-la sem que esta pense que pode se rebelar, afinal são milhares contra poucos.

2. Funcionários: a falta de preparo para lidar com diversas situações. Não que a culpa seja diretamente deles, na maior parte das vezes a boa vontade existe mas a culpa é indireta. Recai sobre eles, tanto que a mídia por diversas vezes mencionou o fato deles terem bloqueado a saída, etc. Afinal, não é todo dia que uma danceteria pega fogo, mas é todo dia que alguém vai tentar sair sem pagar. Aposto. O contato direto com o público exige um mínimo de preparo. O segurança que foi tentar apagar o fogo com o extintor e este não funcionou, provavelmente foi uma vítima do sistema. Afinal, se você não se aventurou pegando um extintor na sua vida, mesmo se proibido, para brincar com ele, quando é que você teria tido a oportunidade de saber como o mesmo funciona?

3. O Corpo de Bombeiros: antes de jogar a pedra, leia com atenção o que vai ser escrito a seguir. HONRA AO MÉRITO ÀQUELES QUE FORAM SOCORRER AS VÍTIMAS. Os bombeiros que lá estiveram antes de mais nada são seres humanos, com famílias, e com certeza nenhum deles deixou de se sensibilizar como um público em geral, mas antes de mais nada fizeram o papel deles. A minha crítica cabe às exigências e consequentes fiscalizações. O que custa preparar uma legislação, antes de mais nada fácil de ser entendida e portanto aplicada, que pense em absolutamente TODAS as situações? Não adianta agora olhar para o que foi feito nos Estados Unidos 10 anos atrás. O uso do sprinkler deveria ser obrigatório em todos os tipos de construções onde se abriga uma multidão ao mesmo tempo. Experiência própria: em Estocolmo, Suécia, enquanto eu estava em uma danceteria me divertindo, o sistema de sprinklers foi acionado porque uma aniversariante acendeu um isqueiro. Simples: todo mundo para fora do lugar. O pessoal da casa noturna? Preparados, orientando a todos a saída. Menos mal que tudo não passou de um excesso de prevenção. Os bombeiros chegaram, analisaram todo o lugar e depois disso, terminou a festa, óbvio Por que não podemos ter esse tipo de comportamento?

4. Cantores e profissionais de entretenimento: quantos destes se preocupam com o fato de que estão cantando para uma multidão e que qualquer ato impensado pode gerar uma tragédia como esta? Quem inventou que está na moda show pirotécnico e quando vê algum profissional da área passa a imitar pensando que é tudo muito simples? Faísca não gera fogo? Ah, gera, mas com os outros... Com você não. Mais um pensamento que precisamos mudar. Comigo também pode virar fogo, chamas, labaredas e fumaça.

5. Governos: Municipal, Estadual e Federal: está na hora de todos sentarem e pensarem com responsabilidade no cargo que eles ocupam. Administrar uma nação, seja cidade, estado ou país não é só esperar o pior e depois que isso acontecer dar entrevistas. PREVENÇÃO e FISCALIZAÇÃO somados à SERIEDADE e COMPROMETIMENTO do cargo que estão exercendo são as palavras-chave. Quantas normas, leis e recomendações existem, algumas a níveis nacionais, outras regionais, mas são coesas? Elas dialogam entre si? Se complementam? Existe uma ideia para quaisquer das perguntas anteriores? Como arquiteta posso dizer que muitas vezes falta seriedade no momento de se analisar um Projeto de Arquitetura. Desde uma legislação mal escrita, tantas vezes para confundir, quanto um controle com benefícios a uns enquanto outros... Se você tem um emprego público, antes de mais nada esqueça favorecimentos pessoais ou familiares, esqueça o indivíduo que você é, com desavenças para com alguns, FAÇA O SEU TRABALHO. Difícil? Parece... Mas depois, encha os olhos de lágrimas, não duvido que elas não sejam verdadeiras, às vezes o lado humano prevalece, fale palavras diplomáticas mas sobretudo, FAÇA, HAJA! O povo depende de você. 

6. Poder Judiciário: aqui peca pela falta de COBRANÇA. Admito, não conheço todos os passos e entraves que possam existir entre os Poderes. Mas se estamos falando de justiça, se deve COBRAR leis mais completas, acessíveis, se deve COBRAR um envolvimento honesto e ainda mais se deve JULGAR com imparcialidade, mas se deve ser justo, com todos. No momento em que isso não acontece, se gera desconfiança, vingança e outros tantos sentimentos e ressentimentos que terão uma consequência.

7. O público: sim, eu sei, muitos morreram, muitos outros estão ainda hospitalizados e todos estão traumatizados com o acontecido. Não são todos que se encaixam na crítica que estou por fazer. A maior delas é a leviandade. Leviandade de ir a um lugar lotado - é festa, o que eu estou falando afinal? - e não se informar sobre possíveis saídas de emergência. Afinal, eu, você, quem vai a uma danceteria vai para se divertir, não para pensar em tragédias. A LEVIANDADE VEM DA EDUCAÇÃO. Aprendemos a ser assim porque todos são assim e assim parece ser o correto. Uma jovem que foi entrevistada mencionou que ela sempre se lembra do pai quando este pede para olhar onde fica a saída de emergência. Quantos pais dão este conselho? E quantos filhos entendem a gravidade e importância que está por trás desse "ingênuo" pedido?  MEA CULPA. Muitas vezes eu sou leviana sim, não posso dizer que toda hora olho ao redor para pensar: para onde vou se o mundo acabar. Mas talvez porque sou arquiteta, pensamentos e observações acontecem. Principalmente do tipo: essa estrutura aguenta todo esse povo pulando (quando começa a tremer o lugar, olho desesperadamente ao redor procurando informações sobre a estrutura, vigas e pilares, onde vocês estão?). E o público em si, que desesperado em salvar a própria pele, passam por cima de outros caídos? O instinto de sobrevivência é maior, com certeza, tanto que esquecemos que existem outros iguais a nós sendo massacrados, pisoteados, mais desesperados que aqueles que correm, porque eles sabem que uma vez caídos por terra, a chance de sobreviver é nula. A não ser que algum herói, sim, HERÓI, porque deixa o lado animal do instinto de lado, volte para salvar outros que não conseguem mais sair por conta própria. Este herói é sim um ser superior. Alguns deles não resistiram...

Fica a dor. O vazio. A falta. 
E pior de tudo, a sensação de que não era necessária esta tragédia.

Conclusões:

O ser humano não está preparado psicologicamente para tragédias. FATO. 
Muito menos para se preparar para o pior. 
Algumas civilizações um pouco mais, outras menos mas ninguém quer perder tempo com preocupações "desnecessárias" ou hipóteses praticamente improváveis. 
Esquecem que muitas vezes que improvável não quer dizer impossível.
Preguiça. Inimiga número 1 da ignorância. Se você não sabe, procure se informar. Quem perde tempo o tempo todo buscando isso? Dá para contar nos dedos. 
Não esperar uma tragédia para então rever leis, normas e obrigações. 
E que estas sejam severamente fiscalizadas.

Esperanças:

Que todos nós sejamos melhores. Eu, você, todo mundo.
Que este momento sirva para reflexão.
E que não fique só na reflexão. Precisamos externar isto.
Respeitar o próximo.

ABSORVER. PENSAR. ELABORAR. AGIR. FAZER.

Nesta ordem: agir sem pensar só vai tapar o buraco. Como sempre foi feito.

E que o sentimento esteja em todas as etapas e em todos os momentos.

Temos tantos neurônios, coloquemo-os a trabalhar, mas que seja para o BEM de todos!

 

20130126

20130121

Louca, louquinha... pelo meu apartamento!

Como sempre, sumida, continuo peregrinando na internet em busca de ideias, novidades, coisas interessantes que possam ser agregadas ao meu dia-a-dia, com direito ao desabafo sobre o que se coloca na rede hoje em dia, como já escrevi aqui - opinião essa que infelizmente não tive a oportunidade de mudar - com 2013 recém começado e a obra do meu apartamento que atravessou as festas de Natal e fim de ano e que - espero de coração - não atravesse o Carnaval!!!

Sim, o cronograma de uma obra dificilmente é respeitado até o fim. Ainda mais quando não se está geograficamente na mesma cidade para acompanhar o andamento dos serviços. Isto tudo sem pensar na grande probabilidade - mesmo quando é pequena se concretiza como certeza - de aparecerem problemas ou novos desafios até então não previstos.
Como arquiteta, não posso dizer que faltou um desenvolvimento de projeto. Estava tudo pensado, levantamento feito, pontos elétricos, hidráulicos e materiais catalogados. Eis que começa então a fase: quebra a parede, retira o piso na cozinha, azulejos e carpete. Na sala se descobre que...
COLARAM LAMINADO SOBRE 
O PARQUET DE MADEIRA!!!!!!!!!


What?!?
Sim minha gente... Por causa de um problema de hidráulica - a tubulação de água quente que atravessa a sala, indo da cozinha ao banheiro teve que ser trocada - uma pequena faixa dos miniparquets foi retirada. E ao invés de comprarem o menos de 1m² que necessitavam para recolocar, optaram por instalar um laminado bagaceiro colado sobre o piso de madeira.

Senhor, perdoai-os, eles não sabem o que fizeram!

Pois bem, este era apenas um dos percalces que a obra enfrentou. Diria mais, esse foi o mais FELIZ dos percalces! Vou ter um lindíssimo parquet rajado de madeira ipê na minha sala!! Detalhe: não é um parquet comum, mas um mini parquet... São módulos de 5 unidades em 12x12cm dispostos na formação de dama.
LINDO!
Ainda não posso mostrar uma foto pois nestas semanas o piso está sendo lixado: o parquet novo (tacos de ipê 7x42cm) nos quartos onde antes tinha o (blargh) carpete e o nosso histórico e resistente miniparquet da sala.

Pois bem, enquanto não posso entrar no apartamento, a mente viaja nas ondas da internet à procura de inspirações... Tem tanta coisa que eu gostaria de fazer! Mas, o melhor é estar instalada no apartamento para sentir a energia dele e dali tirar partido para a arquitetura de interiores!

Vão aí algumas imagens que me inspiram e espero que inspire também a segunda-feira de todos!


ok, sei que não tenho um pé-direito duplo, mas AMO essa sala!
não tem nada demais, piso de madeira, simplicidade e cara de casa!
E agora, uma sequência do design sueco. AMO!





fonte:
home-designing.com

20121024

eu sou do sul parte 2. this is brazil!

É engraçado como às vezes vemos situações que dependendo a situação poderiam parecer mais do que normal, em outras nos faz pensar: mas onde estamos mesmo?

Continuando a série - eu sou do sul - e falando das coisas boas daqui (ok, sou bairrista, mas a um nível saudável), passando de carro hoje por uma cidadezinha próxima à minha, não resisti e tive que parar para tirar umas fotos e mostrar que aqui no Brasil também existem situações pitorescas, bonitas e simples!

O urbanismo com certeza não é o mesmo da Europa, até por uma questão histórica - e não só cultural - mas o que você diria sobre as fotos que vem a seguir? Onde estamos?





Adorei a iniciativa. Não sei dizer de quem foi, mas como se trata de uma cidade relativamente pequena e com a participação da população para manter o espaço público sempre impecável, dou o parabéns a todos!
A bicicleta, como meio de transporte no dia-a-dia, não é tão comum no Brasil, por isso mesmo eu poderia esperar essa instalação urbana em qualquer pequeno borgo europeu.

A cidade?

COLINAS, às margens do Rio Taquari, no Rio Grande do Sul, Brazil! (com Z mesmo! hehehe)
Ela se lança, com todo o direito e propriedade, como CIDADE-JARDIM.

De colonização predominantemente alemã, podemos ver a influência dos imigrantes que transmitiram aos descendentes a cultura na arquitetura e no cuidado dos jardins. O charme fica também pela linha de trem que costeia a cidade, passando de vez em quando cheio de carga... lembra outros tempos, outros continentes!

Com cerca de 2.400 habitantes e a 125km da capital do estado, Porto Alegre, a cidade se destaca por manter as ruas impecáveis. A região também oferece muito em termos de esportes na natureza, ainda não muito explorados. #ficaadica



Você pode conferir nas fotos abaixo e no site da Prefeitura mais informações. É só clicar aqui.

a rodovia, que vira a avenida principal da cidade - você é obrigado a passar por ela e se encantar pela cidade - mostra que mesmo próximo a uma rua movimentada, é possível ter um espaço de lazer para os cidadãos.

repare nesta casa, feita com pedras da região, o arenito e colocação diferenciada conforme a altura da construção. O jardim emoldura a arquitetura local, muito bem feita. 

e quase na frente da casa, uma das bicicletas floridas! Muito charme, made in Brazil!


Apoio muito iniciativas como esta. Garantir o bem comum em uma cidade não depende só de instâncias governamentais. A contribuição da comunidade acaba assegurando que o espaço se mantenha melhor!


20121021

2016. Rio

Desde o final das Olimpíadas de Londres, o mundo está se voltando para o Brasil - por causa da Copa do Mundo - e para o Rio de Janeiro, próxima sede dos jogos.

Eis que aos poucos as notícias aparecem. 
Primeiro, há uns meses atrás, foi a vez do mascote - ainda sem nome - ser apresentado à sociedade.



Breve observação antes de continuar o post: fato lamentável foi o que aconteceu em Porto Alegre, sendo gaúcha, me senti envergonhada da direção ignorante de um protesto. Parece hipocrisia, em um mundo onde o espaço público está cada vez mais comercializado, colocar esta revolta em um símbolo que - mesmo patrocinado por uma multinacional - serve para destacar quem somos para o mundo. E destacar no sentido bom da palavra, já que mulher pelada, carnaval e caipirinha todos conhecem. 

Pois bem, retorno ao tema original: a nova notícia é sobre a fonte a ser utilizada para as Olimpíadas. O escritório Dalton Maag homenageou o próprio Rio de Janeiro, com seus monumentos, arquitetura e as belezas natirais, transportando estes para o desenho das letras e números.

No vídeo você pode ver um pouco do dinamismo dela. 


E aí, gostou?

20120823

[to my home, with love] i want it

gostei. gostei muito!






fonte: http://www.home-designing.com/2010/10/rooms-with-a-dash-of-color-splash

20120725

Até que ponto?

Já são dias que penso em escrever um artigo não tão "legal", "otimista" e "desinteressado" - como a maioria das pessoas procuram ler nos blogs em geral depois de um dia pra lá de estressante. 

O meu questionamento.

Até que ponto vamos nessa? 

Que a internet tenha trazido inúmeras vantagens ao mundo moderno, não se pode negar. Aliás, talvez o mundo moderno existe e foi consagrado só com a internet. Não tenho nenhum estudo ou conhecimento aprofundado sobre isso para levar adiante, mas acredito nisso. (no futuro verei se é uma opinião totalmente amadora ou se há um fundo de verdade).
Todo mundo é capaz de escrever, ainda bem! Escrever bem já se torna um privilégio de poucos e escrever com sabedoria, de raros.
Existem estudos que comprovam a eficácia de escrever para nos liberarmos de energias e sentimentos reclusos, negativos. É uma forma de desabafo que se transforma para o mundo material em um papel. Ou documento do Word. 
O problema/milagre é que com a internet, todo mundo acha que tem algo a falar. Claro, todos temos, mas até que ponto é interessante divulgar?
E agora eu dou a minha cara a tapa porque como a grande maioria das pessoas, tenho ao menos um blog. 
Não me considero diferente nem mais ou menos especial do que ninguém. Tenho muito interesse em muita coisa e sei que só aprendo se eu escrevo. Eis então a verdadeira filosofia do meu blog: escrevo para memorizar. Por isso mesmo procuro não escrever sobre qualquer coisa. Antes de mais nada eu tenho que me identificar, achar interessante ou ao menos ficar curiosa sobre o a fato ao ponto de publicar. 

Se consigo contribuir para alguém me considero feliz pois significa que o meu objetivo foi além. Agregar novas informações e ampliar a forma de pensar.

Abrir a mente. 

Nesse meu desabafo não gostaria de confundir as várias tipologias de blog. Não estou abordando de maneira alguma aqueles de caráter pessoal, que contam experiências vividas. O ser humano gosta de se identificar e ver que mesmo sendo diverso não é totalmente estranho ao mundo, não está só. Dividir as mesmas alegrias, os mesmos receios, medos e infelizmente, problemas, acaba ajudando a ser sempre melhor.
A dificuldade que encontro em colocar novos assuntos vem do quanto eu me deparo com blogs e sites com matérias parciais. 
O meio de comunicação tal como é a internet está se revelando um problema nesse sentido: publicar qualquer tipo de informação deve ser muito bem elaborado. 

Quem divulga algo está formando opinião.

Cada um tem a sua e é essa diversidade que torna o mundo tão interessante e vasto. Que sejam bem-vindas as opiniões diversas e contrárias quando essas tem embasamento.
O que eu vejo como realmente problemático nesse mundo cibernético é que muita gente confunde a subjetividade do gosto com opinião crítica. 
A crítica não é necessariamente negativa. Hoje em dia esse limar entre um e outro acaba tornando-a quase sempre pejorativa. 
Não gostei disso, não gostei daquilo, são motivações frequentes para explicar algo. Gosto é subjetivo.

Entender antes de comunicar.

As perguntas mais básicas "como?" "por que?" "quando?" e "onde?" são fundamentais nessa hora. Tendo vivido quase cinco anos fora, me deparei com situações em que tive que rever os meus conceitos. Não que eu estivesse sempre errada (atire a primeira pedra quem nunca errou) mas eu estava em outro lugar, com outras pessoas, vivendo uma OUTRA cultura. 
Observar a vida com um ponto de vista diferente é um aprendizado e tanto. Fatores culturais acarretam no modo como somos e como agimos quando nos tornamos adultos. 
Hoje em dia, se eu quero falar de algum assunto polêmico, a primeira pergunta que eu me antes de mais nada é: o que eu sei sobre isso para estar convicta?

Nós criamos nossos ídolos, bem como as nossas expectativas.

O estopim para este desabafo é a dificuldade e a angústia que tenho ao ler matérias nada objetivas, onde se coloca somente a expectativa do redator sem que esse se confronte com a pergunta: por que eu estou dizendo isso?

O primeiro caso foi a crítica absurda que li em diversos momentos sobre a cor da capa do novo livro da escritora J. K. Rowling. Após o enorme sucesso obtido com a saga do Harry Potter, a escritora sai do que seria o convencional - temas de bruxos e público infanto-juvenil - e parte para outro ramo. Quem volta e meia não decide mudar um pouco o estilo de trabalho, ou mudar radicalmente? 
Mas mesmo depois de um sucesso estrondoso a expectativa se torna maior ainda e nesse caso tendente ao negativismo.
Antes mesmo de ler o novo livro "The Casual Vacancy" muita gente já está dizendo que não será tão bom. É normal isso? Cadê o voto de crédito? Se ela foi competente para uma coisa porque não seria para outra? 

Mas porque dizem que não será bom? Até o momento onde eu parei de ler, a crítica foi férrea pela CAPA do livro. Pela cor, pela gráfica, que não combina com a escritora, e blablabla. 

O ser humano se reinventa toda hora.

Ficar criticando sem um argumento válido acaba forçando as pessoas a seguirem um padrão. E na vida de hoje o que mais seguimos é padrões. O que é in e o que é out. O que é trendy, vintage, e tantos outros termos. 
No meio dos tantos comentários (que só repetiram o que estava escrito já que de massa pensante existe pouca) após o blogueiro dizer que já não era tão fervoroso pelo livro da JK Rowling, tinha um corajoso que talvez tenha sido o mais honesto de todos: mencionou que a cor lembrava um período determinado da Inglaterra, assim como a fonte escolhida. 
Talvez os afoitos (fãs?) leitores brasileiros, antes mesmo que saísse a versão em português, começaram a criticar uma coisa que para a nossa realidade não nos remete a nada, enquanto para o mundo inglês poderia fazer total sentido.

Mas um dos comentários finais do post que mais me indignou, era que o blogueiro esperava que o design gráfico brasileiro consertasse isso. Somos bons, com certeza, mas nem sempre somos os melhores. Um pouco de modéstia também é importante. 


E aqui encerro o post de hoje. Esperando que ter escrito ele me tenha deixado mais aliviada e esperando que alguém mais no mundo pense como eu. 

20120719

Mude o seu ponto de vista. Engradados

Adorei o post que eu li no blog dcoracao.com.

Tudo bem que já faz um tempinho que foi publicada a matéria, mas ideias originais sempre devem ser divulgadas.

O que faz a sua casa ser original? Às vezes basta uma releitura de objetos pra lá de manjados, no caso de hoje, estou falando do engradado. Aquele plástico, nem tão vintage como aqueles de madeira, nem tão high tech.

Adoro quando mentes criativas em várias partes do mundo trabalham sob o mesmo tema sem saber. Somos criativos mas a invenção se trata de uma releitura. 


Linha José, Maurício Arruda - brazuca!




Luminária e móveis by Made, estante by Alon Meron, bancos e cadeiras by Naty Moscovich e poltrona Stefan Lie Design Studio.