20110627

[tema do mês] ARQUITETURA ITALIA-BRASIL


Já fazem alguns dias que eu gostaria de escrever esse post. 
Como é um assunto que me interessa, queria dar o tempo devido a ele, já que escrever às pressas acaba desvalorizando-o.

Venho aqui hoje comentar o período pré-brasileiro da arquiteta LINA BO BARDI



Para quem não conhece ela, é a idealizadora do MASP

Às vezes paro para pensar que, como as mulheres foram inseridas tardiamente no mercado de trabalho, são poucas as que receberam o devido louvor pelo seu trabalho. Em algumas áreas isso aconteceu mais em outras menos. Sem querer entrar no discurso feminista, mas já entrando, penso que o movimento nasceu de forma errada. Ao invés de "igualdade", o que sucedeu foi o acúmulo de atividades em uma só pessoa. Equilíbrio é tudo, e buscar ele quando estamos indignados nos leva ao oposto dele.

Sem mais divagações, vamos à história dessa arquiteta.

Nascida italiana e posteriormente naturalizando-se brasileira, Lina Bo se formou em Arquitetura na sua cidade natal, Roma e daí partiu para Milão, onde trabalho com Giò Ponti. Detalhe: isso aconteceu um pouco antes da Segunda Guerra Mundial.

Concattedrale de Taranto. 1964-70

Igreja Sao Francisco, em Milao. 1964


E aqui abro a primeira parêntese:
Giò Ponti se formou em Arquitetura logo após reprender os estudos, interrompidos pela Primeira Guerra Mundial. Literalmente, outros tempos. Pensar que você tem que interromper tudo, porque estão bombardeando o seu país, e além disso ir lutar por ele... Nos primeiros anos teve sociedade com outros arquitetos, até começar a cuidar das exposições bienais e trienais. Ainda no final da década de 20 ele fundou a revista Domus, atividade editorial que teve que ser abandonada por causa da Segunda Guerra. Eis aí ela de novo.
Parêntese da parêntese: a revista Domus, juntamente com a Casabella acabou sendo o centro cultural da arquitetura e do design italiano na segunda metade do século XX.

Continuando com o nosso amigo Ponti, em 1933 ele organiza a primeira mostra na Triennale di Milano. Na mesma década desenha os trajes para o Teatro alla Scala, participa da  ADI (Associação do Desenho Industrial), sendo um dos encorajadores do premio Compasso d'Oro, e em 1936 passa a ser professor da Faculdade de Arquitetura no Politécnico de Milão.
até o ano passado o Pirelli era o edificio mais alto de Milao.
 Sede do governo da regiao da Lombardia.
Icone da cidade e do modernismo italiano. 1956-1961


Voltando à Lina,

Depois de trabalhar com Ponti, ela abre o seu próprio escritório. Porém ele é destruído durante um dos bombardeios em 1943. 

Segunda parêntese:
Vale lembrar que quando a Itália (Mussolini) resolveu passar para o lado dos aliados, foi severamente atingido pelas forças alemãs. E Milão, sendo ao norte, não foi poupada. A corso de Porta Ticinese, muito perto do centro e do Duomo, teve grande parte dos seus edifícios detruídos, além da estrutura metálica da Galleria Vittorio Emanuele.

Depois disso, Lina começou a atuar ativamente na política, com o Partido Comunista Italiano, documentando a destruição que tomou a Itália nos anos da guerra ao participar do Congresso Nacional da Reconstrução.

Com Bruno Zevi ela criou a revista setimanal 'A cultura da vida'.

Em 1946, já casada com Pietro Maria Bardi, ela se transfere para o Brasil, onde a sua criatividade explodiu! Em 1951 ela, já cidadã brasileira, projeta a Casa de Vidro, no então novo bairro Morumbi.

A Casa de Vidro, residencia do casal, quando construida ficava em terreno
todo aberto no entao recém bairro Morumbi.
 
Terceira parêntese:
Uma das primeiras obras modernistas no Brasil, a Casa de Vidro mudou o conceito de morar. As paredes até então prevalentemente opacas, são totalmente transparentes. O habitar se torna público, enquanto que o espaço público se transforma em parte do privado. 

Mais tarde, através de uma idéia lançada por Assis Chateaubriand, Lina projeta o famosíssimo MASP. Super hiper modermo, brinca com o conceito da arquitetura velha e tradicional da Europa, ao mostrar que uma super estrutura pode suportar todo um edifício inteiro no ar.

MASP - Museu de Arte Assis Chateaubriand. 1956-1968

O colorido e a quebra da verticalidade em Sao Paulo.


Uma mulher de caráter muito forte, uma sua frase célebre acaba remetendo ao que falei antes do feminismo:  "Como ser feminista? As feministas tem voz de galinha e falta de conteúdo" 

Concordo com ela. Aliás, nunca entendi porque para mostrar o feminismo, queimaram o sutiã!!!! Uma peça utilíssima. Anatomia não tem nada a ver com forma de pensar e queimar algo que tem a sua função me parece só burrice, ou melhor, parece que aquelas que queimaram eram as primeiras a se considerarem objeto. Enfim, assunto polêmico.

Outra obra muito importante da Lina foi concluída em 1990, o Sesc Pompéia, que ainda não tive oportunidade de visitar.

Sesc Pompeia - arquitetura moderna e ludica. 1990 

Eis aí, uma personalidade, por acaso feminina, que tem muito o que transmitir pelo seu trabalho. Itália-Brasil funcionou muito bem!

a personalidade de hoje.


20110620

[tema do mês] MODA ITALIANA HOJE

Preciso divulgar essa marca que eu acabei de descobrir. Além de ter roupas coloridas e divertidas - coisa rara por essa terra muito elegante e trendy - o site realmente vale uma olhada.

AMEI!

http://www.rossellacarrara.com/

20110617

[tema do mês] uma família chamada MISSONI



Não sou muito ligada em moda. Não sei dizer a diferença entre Chanel, Gucci, Prada e Versace. Digamos que a minha cabeça não funciona muito bem nesse sentido; tenho que ver e provar para dizer se gosto ou não do estilista... 

Mas um deles em particular me chama a atenção, não pelos modelos, mas sim pelas cores. Amo cores (e sei que já ressaltei isso algumas vezes no blog), e amo motivos geométricos, módulos, etc. Não importa se é inverno, verão, primavera ou outono, a Missoni sempre traz um pouco mais de vida para as passarelas.

Mas o que você sabe dessa marca mesmo?



Posso dizer que o nome nos remete à inovação estética, à invenção de novas técnicas. A marca, uma das mais famosas e trendy do momento, começou a sua história no pós-guerra e aos poucos foi ganhando afirmação.
Através do ramo das malhas, a Missoni revolucionou a moda com um estilo inconfundível através das cores vibrantes, transformando a tecelagem em arte aplicada.

O bonito de tudo é que a história da família tem todos os preceitos de um conto de fadas: o mocinho, um esportista muito famoso; e a mocinha, volta mais à arte e à moda.
Tudo aconteceu a partir de 1948, quando Ottavio Missoni que estava em Londres para participar das Olimpíadas, campeão italiano absoluto dos 400 metros, conheceu Rosita Jelmini.

o casal


Cinco anos depois, os dois se casaram e fundaram a empresa, no início instalada no porão de casa. Com a família aumentando aos poucos e a malharia conquistando seus primeiros clientes, em 1958 a Missoni teve pela primeira vez os seus modelos expostos na vetrine da Rinascente, loja multimarcas, na praça do Duomo em Milão.

Em 1965, eles começaram a ter as suas criações reportadas nos jornais, mas foi após um desfile em Milão que conseguiram encantar a todos, mostrando uma nova perspectiva sobre a malha. 

Dois anos mais tarde, uma situação inusitada os fez serem reconhecidos em Paris e Estados Unidos, mas quase que ignorados em Firenze: sem querer querendo*, lançaram o nude look um ano antes de Yves Saint Laurent. Só que esse foi incompreendido já que foi apresentado para uma sociedade até então muito careta e católica. 
* antes de começar o desfile no Palazzo Pitti, Rosita se deu conta que a roupa íntima não combinava com a roupa, e então fez as modelos tirarem o sutiã antes de entrar na passarela. Acontece que, como todo mundo sabe hoje, com os flashs das máquinas fotográficas, os tecidos tendem a ficar transparentes. Ok, você pode pensar que faz parte, afinal é desfile, é moda, é conceitual. Isso você diz em 2011. Mas em 1967 num país católico extremista, isso foi considerado quase um atentado e ainda mais por ser dentro do Pitti, um desrespeito!!
Mas tudo bem, a carreira internacional ia de vento em popa. Os seus vestidos começaram a serem vendidos nos Estados Unidos, o estilo ganhou o nome de put-together, fazendo referência às várias estampas misturadas, que juntamente com o patchwork, e o riscado em preto e branco ou arco-íris. Características essas que resumem até hoje a marca.



desfile verão 2012


desfile verão 2012

desfile verão 2012

desfile verão 2012
amei todos os modelitos!!!


Dos anos 70 em diante, a Missoni começou a levar o seu colorido estampado para dentro de casa, aplicando a 'moda mais bonita do mundo' em tecidos de poltronas, sofás, cortinas, lençóis, etc. Enquanto isso, Ottavio que passou de atleta olímpico a inspirador no mundo da moda, criava também jóias e acessórios, sendo eleito um dos 10 homens mais elegantes do mundo. Te mete!



e não é que as Havaianas resolveram entrar nesse colorido?

Missoni Home

Missoni Home. aceito como presente de aniversário!

Missoni Home. eu quero...




O mais bonito ainda é que a família permaneceu sempre unida. Desde 1996 os três filhos do casal passaram a gestir o negócio dos pais, mantendo-se fiéis ao estilo inconfundível. E além deles, os 9 netos também participam das atividades, mantendo a tradição.

[tema do mês] next one!

Prepare-se, amanha é dia de falar da moda italiana no pos-guerra.

20110615

[foto do dia] escala MACRO

Hoje é dia de contrastes.
Juntando o que andei vendo esses últimos dias pela internet, começo com a escala MACRO, ou seja, fotos feitas nas alturas - literalmente!

Quem teve a idéia foi o alemão Bernhard Lang. Aí estão as que eu mais gostei:







20110614

[tema do mês] VESPA ou LAMBRETTA?

Muito bem, voltamos ao periodo pós-guerra na Itália para entender por quê tem tanta motorino no país da bota. 

É importante ter claro em mente alguns aspectos:
* Economia, país, empresas, cidades arrasadas;
* Duas fábricas de material metalúrgico - Innocenti, que fazia ferramentas e Piaggio, aeronáutica - com a visão de que precisam retomar a produção e vêem na scooter dos aliados americanos, uma nova forma de locomoção rápida, prática e barata.
* Pai da Lambretta: engenheiro Torre, que a criou em 1944.
* Pai da Vespa: engenheiro Corradino D'Ascanio em 1946.


ou





Essa era a questão no final da década de 40 e início dos anos 50. 

A Lambretta custava um pouco mais do que a Vespa porque tecnicamente era mais sofisticada em termos técnicos e mais estável que a rival, mais bonita esteticamente. Porém enquanto a primeira era mais apreciada pelos apaixonados das duas rodas, a segunda era a queridinha do público geral e digamos que o fator financeiro talvez era um dos mais importantes num momento de retomada econômica.

Vespa

Lambretta


Por praticamente 20 anos elas dominaram o mercado de meios de transporte. A derradeira decadência veio com o lançamente de ninguém mais, ninguém menos que a tão italiana FIAT 500.


a FIAT 500, que desbancou  a moda Lambretta e Vespa. Levar a familia
a passeio ficou mais barato.

Em 1971 a Lambretta parou de ser produzida, enquanto que a Vespa, contando com a ajuda, diria substancial, da FIAT à fabricante Piaggio, conseguiu superar a crise dos anos 70 propondo sempre modelos atualizados.

série 2011 - Vespa

Mas o bonito é que ainda se vê na roda de discussões a questão: VESPA ou LAMBRETTA? Os jovens hoje em dia estão voltando para o design vintage e acabam fazendo coro com os saudosos usuários dessas duas rodas.

Audrey Hepburn e Gregory Peck em Vacanze Romane.

Audrey Hepburn com a Vespa

Jude Law no filme Alfie

filme Quadrophenia e a Lambretta.


20110613

[tema do mês] ROSA-CHOQUE

Muito bem, e lá vou eu voltando ao discurso das cores. Eu sei, sou repetitiva, alguns temas me interessam mais do que outros, fazer o quê, a imparcialidade não faz parte do ser humano.

Então hoje, segunda-feira, 13 de junho (parabéns Santo Antônio!!) é dia de colocar um pouco de cor nesse dia meio cinzento. Aliás, por esses lados já fazem dias que nuvens, chuvas e granizo tomaram conta!


ROSA CHOQUE!


Se você não sabe, essa cor tem dona: Elsa Schiaparelli*. Italiana, em 1936 a popularizou batizando como Rosa Shocking. E veja só, a cor era justamente a cor da caixa do seu perfume, com a forma do busto de Mae West.

Mae West

e o busto dela em forma de perfume. Em 1993, Jean Paul Gaultier
acabou pegando a idéia do busto como forma para os seus perfumes.

"Esse magenta intenso foi chamado de rosa choque nos anos 30, rosa quente nos anos 50 e rosa extravagante nos anos 60."

A cor foi consagrada quando ninguém menos que Marilyn Monroe, quando usou um vestido no tom para o filme 'Os homens preferem as loiras'.

precisa explicar?

Para quem quer usar o original em gráficas, aí vai a "receita":

Rosa shocking
— Coordenadas da cor —
HEX#FC0FC0
RGBB(rgb)(252, 15, 192)
CMYKH(cmyk)(0, 94, 24, 1)
HSV(hsv)(315°, 94%, 99%)
B: normalizzato a [0-255] (byte)
H: normalizzato a [0-100] (cento)



*Elsa Schiaparelli foi estilista de alta-costura, de origem aristocrática, ela foi a principal figura antagonista de Coco Chanel na moda francesa. Coco, sempre tão admirada, definia a sua arquirival como a 'costureirazinha italiana', afinal Coco mesmo sendo de origem pobre era francesa. Enquanto a segunda desenhava modelos rígidos e minimalistas, Elsa ia para o lado da fantasia, do exagero. Foi a italiana que começou a usar o zíper sem escondê-lo nas suas roupas. Além disso tudo, ela contou com colaborações de peso como Salvador Dalì para as suas criações.

Uma sua frase de efeito: 

não é o corpo que tem que se adaptar a roupa, mas a roupa às curvas do corpo.

vale a pena dar uma conferida no site!

20110612

[tema do mês] PLASTICO again

Uma das surpresas no pesquisar o MADE IN ITALY do pós guerra, é que descobri uma empresa com um nome que eu diria muito alemão ser de origem italiana.

Estou falando da

repararam que a cor da letra é vermelha como a da Nutella?



Fundada em 1949 na província de Milão pelo engenheiro químico Giulio Castelli, a empresa começou fazendo produtos plásticos para carros e acessórios domésticos.

O sucesso que começou a chegar na década de 60 se consolidou em 1972 a nível internacional, com a participação na mostra realizada no Moma, dedicada ao design MADE IN ITALY. A mesma que já mencionei no post anterior sobre o plástico.

As peças criadas por Gae Aulenti, Ettore Sottsass e Marco Zanuso passaram a fazer parte do acervo permanente do museu.

Nos anos 90 a marca deu uma renovada, voltando com nomes de peso e conhecidos mundialmente. É o caso de Antonio Citterio, Ron Arad, Vico Magistretti, Philippe Starck, Piero Lissoni, entre outros.

Acho que nem preciso falar que, com o design inusitado, muitos produtos da Kartell ganharam o prêmio Compasso d'Oro.

Utilizando tecnologia tradicionalmente usada em outros setores industriais, a sacada foi levar o material plástico para dentro de casa como móveis. Até hoje são totalmente feitos em solo italiano mas o maior mercado são os Estados Unidos.

Mas vamos para a parte boa, as peças famosas com a marca Kartell!


Bookworm, uma estante um tanto curva. by Ron Arad
a cadeira Ghost... até dá para entender o porquê do nome.
Philippe Starck.

Eros, uma publicidade instigante... by Philippe Starck 2001

La Marie, um dos ícones. by Philippe Starck

Mademoiselle, AMO essa cadeira! sempre ele, Philippe Starck.

Maui, de Vico Magistretti. 1995