20110131

domingo da merla.

Olá gente! Tanta expectativa para um domingo sem carros, mas o tempo não contribuiu. Não estava tão frio (no início), mesmo tendo caído uma leve neve logo de manhã cedo. Mas também não abriu o sol. 

Milão teve um típico dia de inverno: nublado, tudo cinza, um ventinho gélido e uma garoa fina. Esta última consequência da excessiva umidade que não deixava ela se transformar em floquinhos de neve. 

Típico dia de MERLA. Não é uma tentativa de mimetizar um possível palavrão. Existe uma lenda aqui no norte da Itália, dizendo que os dias 29, 30 e 31 de janeiro são os dias mais frios do inverno, e é ligada ao pássaro Merla pois é um dos únicos corajosos que restam vagando pelo inverno europeu. O resto some, são espertos eles... Eu não.

Logo, não teve roller. Nem muita gente circulando pela rua. Filas nos museus tinha porque durante o dia de hoje o ingresso era gratuito.

Eu aproveitei pra fazer umas comprinhas. Um gorro e um óculos de sol. Sim, aqui estamos em época de liquidação (saldi). O gorro faz todo sentido, o óculos é porque eu não resisti. Consumismo "extremo", ele me custou 1 EURO.

h&m: 4 euros = 1 gorro e 1 óculos de sol. AMO MATEMÁTICA FINANCEIRA!

20110129

domingo sem carro

Amanhã Milão vive um dia diferente: serão 10 horas em que os carros estarão fora de circulação, das 8 horas da manhã até as 18h. Situação que se repete pela terceira vez desde o início do ano passado.




O que isso quer dizer? As ruas estarão VAZIAS, sem carros, motos, SEM BUZINAS. Parece o paraíso! Porém o porquê é um pouco triste: no último mês a cidade teve índices elevadíssimo de smog e quantidade de pó no ar, tornando-se irrespirável de acordo as taxas normais. Uma medida de emergência que não resolve a situação, mas que estimula as pessoas a deixarem na garagem o próprio carro e partir para soluções mais saudáveis.

Mas daí vem lançada a pergunta:


O QUE VOCÊ FARIA EM UMA CIDADE QUE NÃO TEM CARROS?




Como iniciativa para estimular que as pessoas saiam de casa, além do transporte público de superfície e subterrâneo, a prefeitura entrou em acordo com a empresa de transportes da cidade (ATM) e será liberado o utilizo das bicicletas nas estações BikeMI (bike sharing) GRÁTIS

Eu sinceramente estou pensando em me aventurar com os meus rollers, superpoderosos e rápidos. Sem carros tenho até coragem de andar pelas ruas, já que não existe um sistema eficiente de ciclovias.


Passeando de roller no Castello Sforzesco: imagem surreal para dias normais.


20110125

todo carnaval tem seu fim



Vou fazer como dois filmes que adoro: começar pelo fim. Está de acordo com o meu estado de ânimo nesse momento, porque odeio despedidas e ultimamente me deparei com duas grandes e tem outra em breve.

Todo carnaval tem seu fim. 

Mas de onde começou essa estória de Carnaval? Lembro de alguma coisa ligada ao Cristianismo. Aqui na Itália esse assunto rende muito, o mais conhecido é o de Venezia, mas cada cidade tem rituais próprios, dignos de serem contados em vários posts, assim como máscaras e fantasias (Colombina, Arlequim...).

Mas voltando ao assunto carnaval, dando uma rápida pesquisada, se fala de tempos gregos, quando a sociedade era muito rígida (em termos de posição social) e o momento de brincar e esquecer tudo isso era justamente durante o período que coincidia com o inicio do ano solar, ou equinócio de primavera. Ou seja, o Carnaval era o Reveillon de um tempo.

E daí eu penso (e muito cuidado com isso porque sou loira): então está certa aquela famosa frase que se fala no Brasil - o ano só começa depois do carnaval. Viu só como somos sábios?


E prestando uma homenagem à musica dos Los Hermanos com o título desse post, aí está o link para escutar uma boa música brasileira. 






Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz.

20110122

brincando de LEGO®

A iluminação é um ramo que nas últimas décadas vêm ganhando cada vez mais espaço na vida das pessoas. E posso dizer isso de boca cheia, já que é o meu trabalho e para isso estudei e batalhei muito.

Quando uma vez todos eram preocupados somente em colocar "um ponto de luz no meio da sala" bastava a lâmpada incandescente em casa, e a fluorescente linear nos escritórios (aquela tão branca que era azul e causava altos índices de stress aos trabalhadores). A tecnologia se desenvolveu, e de lâmpadas baseadas em aquecimento de filamento metálico, emissão atráves de pós fluorescentes, passamos ao circuito eletrônico. Sim, estou falando dele, o LED.

Como toda e qualquer fonte luminosa, existem características positivas e negativas. Não pensemos que é a solução das nossas vidas. Ainda não.
* Nem sempre ele tem um consumo menor de energia, tem que prestar bastante atenção na eletrônica e alimentação dele. 
* A temperatura de cor, sim, agora já conseguem fazer o branco "quente", mas ainda não é perfeito. 
* LED também esquenta! Ele precisa de um bom dissipador térmico, senão além de se superaquecer, não vai durar nada das 50 mil horas prometidas pelo fabricante.

As vantagens são inúmeras, quando bem aplicado, obviamente. 
* Não necessitar de tanta manutenção.
* Ocupar muito menos espaço que as outras lâmpadas permite que seja aplicado em espaços de dimensões reduzidas.

Mas agora você vai entender o porquê do título do post, e qual é a conexão com o LED.

Uma empresa italiana - I TRE - lançou uma luminária muito interessante de mesa. Aproveitando a flexibilidade que só o LED permite, fez um jogo de peças orientavéis, e a parte luminosa bem que lembra uma peça de LEGO.

A luminária Top Four projetada pela Luxit. 

Os "pais"
Alberto Basaglia e Natalia Rota Nodari
4 LEDs de 0.5W, com uma tensão baixíssima de 150mA.
Tanta luz quanto uma incandescente de 60W. Tecnologia inteligente.

20110120

gramática: O CANTO DO GALO

Tem coisas que não nos damos conta que são diferentes de acordo cada país, até vivenciar. Adoro isso! Muitas vezes damos por descontado expressões, gírias, piadas e também onomatopéias. Foi através de uma propaganda na TV italiana que me deparei com o canto do galo. 

Sem entrar no mérito da publicidade (publicitários brasileiros, venham para a Itália, eles estão precisando da criatividade de vocês!), o vídeo apresenta no final uma pessoa que se passa de galo. Óbvio por aqui, já que se trata de uma marca de arroz que se chama: GALLO! Genial! E o que eu escuto?

QUI QUI RI QUI!

Daí surgiu a minha curiosidade. Desde quando o nosso velho e bom COCORICÓ virou QUIQUIRIQUI? A minha pesquisa deu alguns efeitos.

CANTO DO GALO PELO MUNDO:
Estados Unidos cock-a-doodle-doo (esse foi o mais difícil de interpretar no ritmo e na pronúncia corretos)
França - cocorico (igual ao nosso! será que somos franceses?!?)
Alemanha - kikeriki
Itália - chicchirichí (lê-se kikirikí)
Rússia - kukareku




O cachorro também muda... enquanto nós brasileiros dizemos AU-AU, na Itália é BAU-BAU e isso é muito estranho!
O gato é igual em praticamente todas as línguas, o bom e velho MIAU.
Outro animal que tem a sua onomatopéia universal é a vaca. MU ou MOO, é sempre o mesmo som!

Nesse site tem uma tabela curiosa, o português não está completo mas dá para ter uma idéia das diferenças onomatopeicas.

Vermelho-cereja


Nessas andanças sem rumo pela internet, acabei descobrindo uma marca de design italiano (nenhuma novidade até aqui) muito legal. Tenho três motivações para o porquê:

1. ORIGINALIDADE - cada vez mais fica difícil criar alguma coisa genuinamente nova. E dessa vez eles conseguiram. Criaram uma marca de jóias e acessórios em aço inox muito interessante. Especialmente encomendada para simbolizar Milão, em exposição na Triennale di Milano.

À esquerda um dos símbolos da cidade. O touro, presente no piso da Galleria
Vittorio Emanuele, onde "girar com o calcanhar no saco do Touro" é sinal de
sorte. À direita, o mapa da cidade medieval foi transformado em um pingente.


2. INTELIGÊNCIA - pensar antes de fazer o design. Parece óbvio mas nem sempre acontece. O design com inteligência se destaca e grava o seu lugar na História. Moda sem conceito passa feito relâmpago e depois cai no esquecimento. (e esse já é um tema para outro post)


Trovariga: para você que parou de ler no meio do capítulo e não quer se perder na retomada da leitura!

Forma original tanto do clip quanto da apresentação dele.


3. SUSTENTABILIDADE - o material é aproveitado ao máximo. Até a forma de apresentar o objeto nos mostra como foi elaborado. Trabalhando quase que exclusivamente com chapas de aço inox cortado a laser, muitas vezes de uma idéia, um desenho, nascem dois objetos.

Kit para escritório. Vários modelos com mais de um objeto por lâmina.
É só comprar e brincar de destacar e montar.

20110114

Vale a pena ver de novo

Nesta sexta-feira à noite, após uma semana intensa de retorno ao trabalho, passei meus olhos nessa matéria e achei que vale a pena repassar para o povo.

Muito mais que merecido, o site é Sobre Fotos e o post se entitula Fotos de sombras buscando la luz. A mensagem que nos passa é linda, e pra mim tem tudo a ver com o que penso e trabalho.

Eis aqui a reprodução fiel do texto, em versão portuguesa, originalmente escrito por Carmen Marquez com as devidas fotos:


Morremos quando nos sentimos sombra do fomos no passado; também quando nos convencemos de que somos o negativo de uma foto colorida que nunca conseguimos mostrar... Morremos quando já não sonhamos, nem esperamos, nem desejamos, nem tentamos crescer ao menos um pouco mais... Morremos também quando o medo vence tudo e não descobrimos novos desafios que nos façam tremer de emoção e até de medo.

Por isso sempre temos que manter dúvidas a resolver, cartas para responder, abraços para devolver. Por isso é tão importante continuar nos buscando, nos conhecendo, descobrindo que somos muito mais que uma simples sombra na parede.


Também que não estamos sós, que são muitos os que se sentem iguais a nós e procuram uma maneira de sobreviver à escuridão.


Que nunca deixemos de desfrutar as nossas paixões, mesmo quando mudamos...


Não deixes que se apague essa luz que é capaz de fazer brilhar a sua vida.


20110110

Nas alturas

Abrindo uma sessão especial, acho que vale a pena mostrar esse modelito para a moda primavera&verão 2011.

Se trata de nada mais nada menos que uma sandália muito humilde nos seus 180mm de altura. Sim, 18cm! Isso me faz lembrar que o céu é o limite.

O bom: é colorida, alegre, bem fresca. Obviamente se espera o melhor do material, couro legítimo e salto em acetato branco. Repare que a cor tem tudo a ver com aquela Pantone escolhida para a próxima estação... Honey Suckle

O nome: Dvea

O criador: Versace, sim!


Detalhe para a leveza conferida com o solado destacado da sandália:

Faixas de segurança

Esse era um dos temas que me veio em mente após ler uma notícia triste sobre acidentes e desrespeito aos pedestres. Uma forma de revolta de um morador foi pintar frases na rua.

A faixa de segurança tem um porquê de existir como ela é: faixas transversais intercaladas. A explicação que há muito eu li em um dos meus livros de cabeceira, me deixou fascinada. O motivo, simples.

As listras pintadas como são, perpendiculares ao nosso percurso, nos fazem ser mais lentos e automaticamente, prestar mais atenção no caminho. Caso elas fossem pintadas seguindo a direção do pedestre, como faixas longas que vão de uma calçada à outra, não nos fariam ser cautelosos. Ao contrário, nos induziriam a percorrer o espaço mais rapidamente.  Ao mesmo tempo, a pintura na estrada provoca um ¨rumor de fundo¨ no espaço visual do motorista. 
Outro fator é que nos sentimos instintivamente mais seguros em pisar nas faixas brancas que nas zonas não pintadas. Isso porque nos remete à sensação de que elas estão ¨sobre a superfície¨, como se criasse um jogo de 3d.
É o que explica Jorrit Tornquist no livro ¨Cor e Luz¨.

Aqui na Itália, além da faixa de segurança para os pedestres, são pintadas ao redor dela, faixas transversais à rua, utilizando o mesmo sentido de tornar mais lento o fluxo dos carros.

Mas o mais legal são algumas inspirações para tornar esse elemento do urbanismo moderno mais divertido. Muitas vezes questionável, mas de qualquer maneira criativo! Dá uma olhada:

Uma das mais famosas: Abbey Road.

Na onda das faixas de pedestre promocionais: durante a Zurichfest 
em agosto de 2010 o McDonalds conseguiu a aprovação da 
prefeitura para transformá-las. Marketing de guerrilha.

Na Itália também chegou essa onda: divulgação da semana
da Arquitetura e Design.



20110109

Coisas que só tem no Brasil

Pão-de-queijo, goiabada, brigadeiro... são algumas das coisas que me vêm em mente quando penso em culinária brasileira.

Não nos damos conta da quantidade de peculiaridades às quais estamos acostumados até que não vamos para o exterior, conhecer outras culturas, hábitos, etc.


O bom e famoso churrasco, feito como deveria ser... Um enorme constelão com espeto de pau, e por que não? Esse não se vê em todo mundo, não com a qualidade da carne como nós estamos acostumados no Brasil.


Cada país tem as suas estranhezas. A nossa, que não é tão bem compreendida, é o coração de galinha. Mal sabem eles o quanto é bom quando bem feito... 


O caju, conhecido mais pela sua castanha: e muitos nem sabem que a castanha é apenas uma parte do fruto, externa, e que o suco é uma delícia... pobres mortais que não conhecem as delícias tropicais!!! hehe


E não poderia faltar a nossa adaptação à pizza italiana. Para espanto e desespero dos italianos tradicionalistas que respeitam as receitas sem admitir nenhuma alteração, dá pra dizer que a criatividade do povo brasileiro pode chegar a resultados muito saborosos! Essa dá saudade...



2011. Welcome

Já se passaram bem 9 dias desde o início do ano, e muitas coisas já aconteceram.

Reunião com a família, com os amigos, praia, verão, calor, e agora: frio invernal, úmido e cinza. Welcome back to the real world. Bom pra entrar em depressão, não?

Enquanto faltam algumas horas para voltar ao trabalho, um resumo dos últimos dias... Ah, recordações.

Natal. Época boa ótima com a família!
A caminho da praia... ah o verão!

Cores do verão.